(opinião) O ANALFABETISMO POLÍTICO


no borders

O analfabetismo político refugia-se numa atitude romântica de retorno ao passado, com soberania nacional, com moeda nacional, fronteiras nacionais bem guardadas e a repressão nacional qb para garantir uma existência feliz aos capitalistas nacionais. Há quem ache que ser roubado por alguém nacional conforta e que se for estrangeiro desconforta? O que é nacional é bom?

Vitor Lima (*)

O pior do analfabetismo é o analfabetismo político; o daqueles que sem perceberem nada da realidade, propõem barbaridades com um ar sério.

É verdade que a iliteracia é muito elevada em Portugal, mesmo nas camadas com mais canudos, ensopadas em comunicação social e que, com o stress habitual, não vão além de leituras em diagonal, em círculo, vogando alegres, como num carrossel.

É consensual que a configuração da UE é e sempre foi anti-democrática, replicando, nada mais nada menos, do que os regimes igualmente anti-democráticos dos estados-membros. Em ambas as instâncias há classes políticas ao serviço das multinacionais, do sistema financeiro e dos capitalistas locais, com as devidas contrapartidas, pessoais ou para o gang partidário; e que se acham com o divino direito de decidir tudo o que diz respeito à vida das pessoas, sem lhes prestar contas. Para além das promessas, inerentes ao folclore eleitoral, claro está.

A crise financeira e o modelo neoliberal em geral estão encalhados, como encalhada está a democracia na Europa… para ficar por aí. E nisso está a causa dos problemas que se vivem hoje – desemprego, dívida pública ou privada, desigualdades sociais e regionais, projetos escabrosos visando os sistemas de pensões, refugiados e imigrantes, punções fiscais esmagadoras, derivas nacionalistas fascizantes, etc, temperadas com promessas requentadas com molho de fé e que só enganam quem anda a dormir ou tem falta de neurónios.

Neste contexto, o analfabetismo político, refugia-se numa atitude romântica de retorno ao passado, com soberania nacional, com moeda nacional, fronteiras nacionais bem guardadas e a repressão nacional qb para garantir uma existência feliz aos capitalistas nacionais. Há quem ache que ser roubado por alguém nacional conforta e que se for estrangeiro desconforta? O que é nacional é bom?
O analfabeto político é um género de daltónico profundo – só vê a preto e branco. Com uma diferença; é que os verdadeiros daltónicos não serão todos estúpidos ou saudosos do fascismo.

Não dá para pensar em globalização e solidariedade entre os povos tal como acontece há séculos no âmbito dos estados-nação? Em decisões tomadas na base, com a abolição de classes políticas? Na destruição do sistema financeiro com anulação da dívida, uma vez que é impossível pagá-la, por mais que o Draghi despeje dinheiro nos bancos? Marcar como objetivo social a satisfação das necessidades coletivas e não o imbecil crescimento do PIB? Desmantelar as forças armadas e os pactos militares?

Think big! Para além do campanário da aldeia.

(*) https://www.facebook.com/vitor.lima.9678067?fref=nf

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