Mês: Agosto 2016

Jornal MAPA: “A comunicação social alternativa deve ter a capacidade de pôr em contacto as diferentes formas de lutar e criar”


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Há um ano atrás quatro projectos e canais informativos, na web e em papel, juntaram-se e criaram uma rede de partilha e troca de informações. Guilhotina.info, jornal Mapa, pt.indymedia e Portal Anarquista formam esta rede que, apesar de todas as dificuldades, pretende romper o gueto informativo em que a comunicação e a informação anti-autoritárias, de base assemblearia, sempre tem vivido em Portugal. Como base para um artigo a ser publicado na próxima edição do jornal “A Batalha” sobre a Rede de Informação Alternativa pedimos a cada um destes projectos a resposta a um pequeno questionário. Começamos agora a publicar as respostas recebidas. Depois do jonal MAPA, seguir-se-ão as da Guilhotina.info, pt.Indymedia e Portal Anarquista.

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Quando, como e porquê surgiu o jornal MAPA ?

O jornal MAPA nasce em Dezembro de 2012, fruto da vontade de algumas pessoas, envolvidas já há anos em grupos ou acções anarquistas, em terem um meio de comunicação regular, generalista e acessível a qualquer pessoa. Algumas das necessidades que identificámos e que levaram à criação do jornal foram: a falta de projectos de informação crítica, não partidários; a falta de cuidado com a linguagem e a estética de vários projectos à nossa volta; a vontade de criar um jornal em papel (para além da difusão digital dos mesmos conteúdos) não propagandista, baseado mais no mapeamento de problemas e denúncia dos estragos do capitalismo, em vez de fazer a apologia de certos ideias ou políticas como a solução para os problemas atuais.

Como vêem hoje a informação alternativa em Portugal?

Hoje em dia existem alguns projectos formais de informação alternativa que se organizam em torno de colectivos como o MAPA ou a Guilhotina.info, por exemplo, mas existe um forte contributo, não apenas em Portugal, de grande escala, potenciado pelas redes sociais como o Twitter ou o FB e que constituem uma autêntica fonte de informação alternativa. Em momentos de crise social, e não só, é às comunidades e aos seus membros que estão mais “online” que recorremos para saber o que se passa e, mais do que isso, para perceber as diferentes narrativas que vão desde o que dizem os media oficiais ao que se passa efectivamente nas ruas.

No entanto, o facto de termos uma imprensa muito caracterizada pelos CMs e jornais parecidos faz com que seja essencial a existência de mais projectos que publiquem análises, reportagens e notícias bem fundamentadas e que não sejam a voz dos partidos ou da polícia. Portugal tem um número destes projectos incrivelmente pequeno quando comparado com Espanha ou França.

O espaço alternativo e assembleário constituiu-se em Portugal (e Espanha) nos últimos anos em torno dos movimentos de rua e de ocupação de espaços públicos. Houve manifestações aguerridas, que hoje parece não terem condições para se repetirem. Como vêm actualmente este movimento assembleário, de junção de lutas, e alternativo ao sistema representativo vigente? Que perspectivas futuras para os movimentos anti-autoritários, horizontais e de acção directa em Portugal? E para a comunicação social alternativa?

O momento que vivemos é de excepcional paz social controlada por aqueles que, antes, se encontravam na oposição, ou seja, a esquerda. No entanto, parece que, pelo resto do mundo, a crise social e política impõe-se de forma determinante, e disso são exemplo os protestos contra a Loi Travail recentemente, em França. Por cá, não podemos, regra geral, pensar nos mesmos termos ou forçar as comparações.  Também em Portugal existe uma profunda crise social, económica e ecológica que nos querem vender como solúvel a partir das soluções políticas e governamentais da geringonça. Mas parece-nos que as soluções surgem justamente noutros campos onde diversos movimentos desempenham um papel importante.

A comunicação social alternativa deve conseguir manter um olhar fixo sobre todas as experiências que apresentam visões horizontais de organização social, tanto sobre as que se organizam para lutar, como sobre as que se organizam para construir. No entanto, o importante é justamente fazer as pontes, ainda pouco construídas, entre diversas propostas e abordagens. A comunicação social alternativa deve ter esta capacidade de pôr em contacto as diferentes formas de lutar e criar.

O que é que o MAPA ganhou com a constituição da Rede de Informação Alternativa?

Em primeiro lugar, todos os projectos ganham com as parcerias e a as partilhas de conhecimento. Por outro lado, a criação de um espaço de debate para pensar a informação que fazemos é essencial se queremos continuar a desenvolver este tipo de projectos. Existe a possibilidade de coordenação e junção de esforços (mesmo que pouco explorada) para campanhas e momentos específicos, o que no caso da rede de informação alternativa tem particular interesse já que é composta por projectos que têm formatos diferentes (papel, site, fb, etc., etc.).

(memória libertária) A manifestação do 1º de Maio de 2011 em Setúbal


Portugal

Há 5 anos, numa manifestação pacífica, numa das muitas manifestações do 1º de Maio que por todo o país aconteceram, cerca de 200 pessoas, anarquistas e anti-autoritários, foram intersectados pela polícia para identificação dos “responsáveis”. Como não existiam representantes, e perante a natural repulsa e reação de um dos manifestantes, a polícia atirou a pouca distância balas de borracha, agredindo violentamente, atirando balas reais para as árvores, gás lacrimogéneo, perseguindo depois durante horas os muito feridos. As pessoas ficaram em estado de choque, indefesas, perante tanta violência e ódio por parte da polícia. A mensagem era bem clara! O terrorismo de estado no seu melhor….

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Agosto de 1944: os anarquistas que libertaram Paris


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Nesta imagem podemos ver um soldado espanhol fazendo a saudação da CNT (simbolizando a solidariedade operária e o apoio mútuo) no momento da libertação de Paris, a 24 de Agosto de 1944. Os primeiros soldados a entrarem em Paris eram espanhóis e, na sua maioria, anarquistas e anarcosindicalistas. A história não os refere por isso mesmo: eram anarquistas, espanhóis, e lutaram durante décadas contra o fascismo. Em França e na Península Ibérica.

No dia 24 de Agosto de 1944, um grupo de veículos blindados e três tanques entram inesperadamente na capital francesa. Os parisienses julgam, de início, que fazem parte das tropas alemãs instaladas na cidade; depois reparam que não, que vestem uniformes do exército dos Estados Unidos e que são a vanguarda das tropas que devolverão a liberdade a Paris e, por conseguinte, a toda a França.

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(Frankfurt) Relato sobre o X Congresso da Internacional de Federações Anarquistas


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Relato de um participante português no X Congresso Internacional das Federações Anarquistas, que decorreu no início de Agosto em Frankfurt, Alemanha, escrito propositadamente para o Portal Anarquista.

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Realizou-se de 4 a 7 de Agosto, na cidade de Frankfurt, o X Congresso da Internacional das Federações Anarquistas (IFA). Esta Internacional, fundada em Carrara em 1968, agrupa organizações formais com uma perspectiva federalista, reunindo-se em congresso, em princípio, a cada 4 anos. O último tinha sido feito durante o muito concorrido Encontro Internacional do Anarquismo, realizado em St. Imier (estado suíço) em 2012, e que celebrou os 140 anos da fundação, por Bakunine, Guillaume, Malatesta e outros, da Internacional de St. Imier, após a expulsão dos anarquistas da AIT no Congresso de Haia.

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(memória libertária) Recordando o assassinato de Sacco e Vanzetti


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Primeira página do Boston Advertiser, de 11 de Agosto de 1927, noticiando uma manifestação contra a execução de Sacco e Vanzetti. Do espólio de Manuel Joaquim de Sousa, antigo secretário-geral da CGT anarco-sindicalista. (aqui)

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No dia 23 de Agosto de 1927  foram executados nos Estados Unidos os anarquistas Sacco e Vanzetti. Esta carta foi escrita por Nicolás Sacco ao seu filho Dante cinco dias antes de ser executado por um “crime” de que estava inocente. O seu único crime – e o de Bartolomeo Vanzetti – era o de serem operários anarquistas e lutarem pelo fim da exploração e da opressão.

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Chamada para Semana Internacional pelos Presos Anarquistas | 23 a 30 agosto de 2016


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No verão de 2013, membros de vários grupos da Cruz Negra Anarquista (CNA) discutiram a necessidade de um Dia Internacional pelos Presos Anarquistas, visto que já existem datas estabelecidas – como o Dia dos Direitos dos Presos Políticos ou o Dia da Justiça – sendo importante destacar as histórias de nossos companheiros também.

Muitos anarquistas presos nunca serão reconhecidos como “presos políticos” pelas organizações formais de Direitos Humanos, porque seu senso de justiça social é estritamente limitado às leis capitalistas, que são projetadas para defender o Estado e impedir qualquer mudança social real; ao mesmo tempo, inclusive dentro de nossas comunidades individuais, sabemos muito pouco sobre a repressão que existe em outros países, para não mencionar os nomes e os casos de m uitos de nossos companheiros presos.

É por isso que decidimos introduzir uma Semana Anual para os Presos Anarquistas, de 23 a 30 de agosto de 2016. Escolhemos o 23 de agosto como ponto de partida, porque nesse mesmo dia, em 1927, os anarquistas italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti foram executados na prisão. Foram condenados pelo assassinato de dois homens, durante um assalto à mão armada em uma fábrica de sapatos em South Braintree, Massachusetts. As prisões foram parte de uma campanha mais ampla antirradicais liderada pelo governo dos EUA. As provas do Estado contra os dois foram quase que completamente inexistentes e muitas pessoas até hoje acreditam que eles foram punidos por suas fortes crenças anarquistas.

Dada a natureza e a diversidade dos grupos anarquistas em todo o mundo, propomos uma semana de ação comum, em vez de uma única campanha em um dia específico, tornando mais fácil para os grupos poder organizar um evento dentro deste período.

Por isso, chamamos a todos para divulgar a Semana Internacional dos Presos Anarquistas entre outros grupos e comunidades, bem como a pensar sobre a organização de eventos em sua cidade ou região. As atividades podem variar em rodas de informações, projeções de filmes, concertos de solidariedade até ações diretas. Deixe sua imaginação correr livre.

Até que todos estejam livres!

325 (Grupo anarquista de contrainformação); CNA Bielorússia; CNA Brighton; CNA Bristol; CNA Cardiff; CNA Finlândia; CNA Kiev; CNA República Tcheca; CNA Letônia; CNA Leeds; CNA Londres; CNA México; CNA Moscou; Nizhny Novgorod (Grupo Antirrepressão); CNA São Petersburgo.

via agência de notícias anarquistas-ana