Foi há 41 anos o assalto às instalações consulares espanholas em Lisboa, Porto e Évora


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Há 41 anos, a 27 de Setembro de 1975, a indignação provocada em Portugal pelo fuzilamento em Espanha de cinco jovens antifascistas, dos quais três militantes da FRAP (um grupo maoísta) e dois militantes da ETA – e  depois do anarquista Salvador Puig Antich ter sido garrotado pelo regime franquista, em Março de 1973 – fez com que milhares de pessoas, de uma forma quase espontânea (as relações de grupo e de rede, bem como alguma comunicação social, também funcionaram), saíssem à rua em Lisboa, Porto e Évora destruindo as delegações consulares do Estado Espanhol e de algumas empresas de topo, como a companhia de aviação Iberia.

Em Lisboa, a multidão concentrou-se ao fim da tarde junto do consulado de Espanha, na Avenida da Liberdade, onde foi hasteada uma bandeira da FRAP e parte do recheio das instalações destruído, depois de ter sido forçada uma das janelas. De seguida, os manifestantes rumaram à Praça de Espanha, onde se situa a embaixada e a residência do embaixador, tendo manifestado a sua raiva contra as vidraças de várias empresas espanholas durante o trajecto.

A embaixada foi também rapidamente tomada, sem resistência, e o seu interior completamente devastado pelos milhares de manifestantes – oriundos de partidos da extrema–esquerda, mas também muitos anarquistas, portugueses e do Estado Espanhol -, que assim protestavam contra Franco e a ditadura fascista, anacrónica e desajustada, sobretudo para um país que a 25 de Abril de 1974 tinha visto alguns dos seus direitos e liberdades repostos e em que a pena de morte era considerada a mais extrema violação dos direitos humanos.

O video da RTP, no link em baixo, para além do valor das imagens, peca pelo texto, que não cumpre o rigor histórico, pretendendo insinuar que por detrás deste assalto às instituições consulares poderiam ter estado outros interesses que não os da indignação e os da revolta contra a ditadura franquista.

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Ver Vídeo: O significado do assalto à embaixada de Espanha | Memórias da Revolução | RTP

Ver também: http://kaosenlared.net/27-de-septiembre-la-noche-mas-larga

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2 comments

    1. Olhe que não. O assalto e destruição das embaixadas em Portugal e os protestos um pouco por toda a Europa isolaram ainda mais Franco e o seu regime bárbaro e apressaram o seu fim.O que foi positivo e sublinhado na generalidade por todos os anti-fascistas espanhóis (salvo pela ala próxima do PCE, cujos advogados se recusaram mesmo a defender os acusados que depois foram executados – tal era, e continua a ser cá e lá, a sua miopia e sectarismo político). Relativamente ao 25 de Novembro, como diz o coronel Carlos Matos Gomes, um dos militares de Abril, o 25 de Novembro de 1975 há muito que estava a ser preparado, tendo sido a manifestação da maioria silenciosa a 28 de Setembro de 1974 o seu primeiro ensaio. Classificar o assalto às embaixadas como “ato de violência e vandalismo despropositado que desencadeou de uma vez por todas a reacção dos poderes que executaram o 25 de Novembro” é que é uma parvoíce.

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