(memória libertária) José António Machado (“Graça”), um dos obreiros d’ “A Batalha” clandestina


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José António Machado, tipógrafo e jornalista, militante anarco-sindicalista,  na manifestação do 1º de maio de 1975, em Lisboa. (aqui)

José António Machado (1916-1978), de origem operária, depois tipógrafo e jornalista, foi um dos militantes libertários que permitiram a existência de “A Batalha” clandestina, bem como de outra propaganda anarquista e anarco-sindicalista durante os tempos da ditadura.

Natural do Barreiro, onde nasceu em 1916, José António Machado começou a trabalhar aos 16 anos na indústria corticeira, passando depois para aprendiz da escola da tipografia da Imprensa Nacional. Autodidacta, dedicou-se ao estudo e difusão do esperanto e dos ideais libertários. Fez parte do grupo anarquista do Barreiro “Terra e Liberdade”, que na altura publicava um jornal com o mesmo nome.

Perseguido pela polícia, José António Machado refugiou-se em Lisboa, onde pôs em funcionamento uma tipografia clandestina na qual passou a ser impresso o jornal anarco-sindicalista “A Batalha”, proibido pelo regime fascista saído do golpe de 28 de Maio de 1926.

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De 1934 a 1937 a tipografia de “A Batalha” clandestina funcionou nesta espécie de furna em Monsanto (Lisboa)

Preso e libertado em 1934 (acusado de ter participado no 18 de Janeiro), voltou a cooperar na montagem de outra tipografia clandestina, onde de novo colaborou na feitura de “A Batalha”.

A PIDE tentou incrimina-lo aquando do atentado a Salazar (em 4 de Julho de 1937), prendendo-o e deportando-o para a fortaleza de Angra.

Regressado a Lisboa, a polícia voltou a prendê-lo, tendo no entanto conseguido fugir e refugiar-se em Coimbra, onde sob o nome falso de “Graça” entrou para a redacção do “Diário de Coimbra”, iniciando a sua actividade de jornalista.

Veio posteriormente para Lisboa, onde durante muitos anos pertenceu à redacção do “Jornal do Comércio”, apoiando ao mesmo tempo as tipografias clandestinas libertárias, que se foram sucedendo no tempo em vários locais, fosse ao nível da escrita, fosse ao nível dos caracteres tipográficos a que tinha acesso no jornal em que trabalhava.

Pertenceu ao “núcleo duro” que manteve a chama e a propaganda anarquistas durante os anos da ditadura, em conjunto com Emídio Santana, Moisés da Silva Ramos, Acácio Tomás Aquino, Custódio da Costa, Francisco Quintal,  Lígia Oliveira, Luísa Adão e muitos outros.

Muito activo no pós 25 de Abril de 1974, colaborou no reaparecimento de “A Batalha” legal, tendo participado também na concentração promovida pelo movimento anarquista no 1º de Maio de 1975 na Praça da Figueira, em Lisboa.

José António Machado, conhecido nos círculos próximos, com amizade, como o “Machadinho”, depois de na clandestinidade ter sido o “Graça”, morreu em Março de 1978, na sequência de uma operação e após uma doença prolongada, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

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Notícia da morte do militante anarquista José António Machado no jornal “A Luta” de 20/3/1978

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