Casas Viejas (Andaluzia). Peniche (Portugal). Dois espaços de morte. Dois espaços de memória


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Um povo sem memória é um povo sem futuro, transformado numa simples marioneta que outros manipulam em seu proveito. Seja deixando que caiam em ruínas os espaços da história ou transformados em hotéis, cujos quartos numa passarão de alcovas de alterne onde a memória é vendida a troco de algumas dezenas ou centenas de euros.

Escreve a antropóloga Paula Godinho:

Os negócios da memória

Casas Viejas é um local emblemático das movimentações anarquistas em Espanha. Em 1933, durante o consulado Azañista, um levantamento popular seria violentamente reprimido, com mais de duas dezenas de mortos. Na choça de um carvoeiro, Seidedos, oito pessoas foram mortas a tiro e/ou calcinadas pelo fogo. A força de assalto seguiu então pelas casas da aldeia, em busca de sangue e de vidas, em révanche pela ousadia anarquista. As descrições recolhidas pelo antropólogo Jerome Mintz, muitos anos depois, foram aterradoras, reveladoras do martírio anarquista andaluz.
Em 2006, seria construído um hotel de charme num local coincidente com a casa do carvoeiro Seisdedos. Chamaram-lhe mesmo «Utopía» e tiveram o arrojo de publicitar que evocavam os anos ’30. Visitei esse hotel há uma dezena de anos. À entrada, uma exposição «evocava» os anos trinta: automóveis de corrida, gente em traje de passeio, a elegância dos momentos na praia, as festas com glamour. Também ali, como agora em Peniche, o município considerou que era uma boa aposta: zona de beira-mar, Benelup-Casas Viejas sufocou uma memória tremenda, a que se acrescentariam os mortos que se seguiram ao Alzamiento, em 1936. Em Casas Viejas, como agora quanto ao forte de Peniche, embora os videirinhos insistam em fazer negócio com tudo, é importante continuar a ressaltar que a memória resistente, matriz das sociedades democráticas, é inalienável, mesmo quando estes negociantes de pacotilha a querem adornar com a “beleza do morto”.”

aqui:https://www.facebook.com/paula.godinho.1884

Hotel “Utopia” construído sobre o sangue dos anarquistas mortos em Casas Viejas. O capitalismo destrói a memória e transforma tudo em espectáculo e em mercadoria.

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Petição Pública para o Forte de Peniche ser transformado num Museu da Resistência ao fascismo: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT83199

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