Luigi Lucheni: um dos muitos regicídas oriundos do anarquismo


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Olhe bem para esse rosto, de alguém usado e abusado, maltratado pelas circunstâncias e contexto de sua vida.

Nasceu em Paris, filho nunca reconhecido de italianos – filho da criada com patrão de família rica.

Foi abandonado em um orfanato, fugiu, foi criança de rua. Ainda jovem foi trabalhador, garçom, serviçal. Foi imigrante, foi soldado mandado morrer jovem e pobre na guerra na colonia italiana na Africa, para que velhos ricos pudessem se dar bem.

Nós não saberíamos de sua existência se ele não tivesse sido um assassino regicida. Este é o rosto do orgulhoso executor da Imperatriz Isabel da Áustria em 1898.

Se chamou Luigi Lucheni (Abril, 1873-Outubro, 1910), e depois de preso e morto, foi usado como estereótipo do anarquista perigoso pela burguesia e estadistas dali em diante.

Vivo, vagou miserável pela Europa, não suportando o grau de consciência, de sua história e condição. Decidiu matar e morrer após ouvir histórias sobre Vailant, Ravachol e outras pessoas cuja condição era como a dele. Mortos na guilhotina depois derrubar gente poderosa. Decidiu morrer por matar um estadista, assassinar o rei.

Não tinha dinheiro sequer para conseguir um punhal. Afiou uma lima que encontrou durante tempo suficiente para transformá-la em navalha. Viajou para Genebra para matar um príncipe francês que já estava morto há 1 ano.

Sua lima ficou tão afiada que sua vítima nem sentiu, pensou que lhe haviam tentado roubar o relógio de bolso. Apunhalou uma imperatriz austríaca no coração, entre a praça e o cais do porto na tarde de 10 de setembro de 1898.

Foi capturado poucos metros dali jogando a lima na água. Foi espancado e torturado. Mas seguia sorridente e solicito, a dor não era novidade nenhuma, estava orgulhoso de seu feito.

No tribunal exigiu guilhotina para si mesmo. Queria sair da vida e entrar para história. Foi condenado a prisão perpétua em regime de isolamento.

Sozinho na cadeia, aprendeu a ler e escrever em francês. Por mais de dez anos escreveu suas memórias, que chamou de “Histórias de uma criança abandonada no fim do século XIX, contadas por ela mesma”.

Teve seus escritos roubados pelos carcereiros o que o fez mais arredio. Foi suicidado por policiais na cela em 19 de outubro de 1910.

Seu corpo foi desmembrado e estudado por frenologistas. Sua cabeça foi colocada num vidro e exibida no Instituto Médico Forense de Viena até 1985, sendo descartada em 2000, numa vala comum do Cemitério de Viena com outros pedaços humanos utilizados por décadas para estudos de anatomia.

No Brasil depois de muito tempo seus escritos acabaram sendo publicados como o livro “Memórias do Assassino de Sissi”.

Julgamentos precipitados levam a equívocos, é importante conhecer a história destx e de outrxs anarquistas.

Via: Gwen Uhuru

também aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Luigi_Lucheni

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