(livro) A solidariedade transfronteiriça no apoio aos refugiados espanhóis durante a Guerra Civil


Foi apresentado publicamente no passado sábado em Barrancos o livro da investigadora Dulce Simões “A Guerra de Espanha na Raia Luso-Espanhola” onde se relata a fuga para Portugal de grupos de refugiados, no início da guerra civil espanhola, para escaparem aos pelotões de fuzilamento dos generais golpistas espanhóis.

capturarOs refugiados, divididos em dois campos onde foram concentrados na zona de Barrancos, tiveram a ajuda de um tenente local da GNR que conseguiu que estes chegassem sãos e salvos a Tarragona. Outros houve que tiveram um outro destino mais dramático, entregues aos esbirros de Franco pelas autoridades portuguesas, como foi o caso do poeta Miguel Hernández.

Antes da apresentação do livro, houve um debate com a presença de diversos activistas extremenhos e andaluzes pela recuperação da Memória Histórica, entre eles Cecílio Gordillo, coordenador do Grupo de Trabalho Recuperando a Memória Histórica da CGT da Andaluzia.

recuperar-memoria

A central sindical anarco-sindicalista divulgou esta iniciativa na sua página web:

“Terras de fronteira onde se dão a mão ao mesmo tempo quadrilhas de gente do café, de contrabandistas, fugidos e perseguidos que escapavam de Espanha com o sopro da morte nos calcanhares. As terras de Huelva e Portugal que vão desde Ayamonte até Moura, Guadiana acima, não só foram testemunha da entrega traiçoeira e triste do Poeta do Povo, Miguel Hernández, ao exército golpista de Franco. Serviram também de refúgio a centenas de pessoas que desde a Extremadura, Huelva e Serra Norte de Sevilha escapavam dos pelotões de fuzilamento, encurralados pela Coluna da Morte que marchava às ordens do general Yague de Sevilha para Badajoz e pelas tropas franquistas que subiam de Huelva até à fronteira extremenha.

Desses dias, dessas histórias, da ajuda que o povo português que caminhava debaixo do jugo do grande aliado de Franco, da sua voz no mundo, o ditador Oliveira Salazar, prestou aos fugitivos espanhóis, tratam as jornadas que se celebram (celebraram a 8 e 9 de Outubro) na localidade lusa de Barrancos, junto à povoação andaluza de Encinasola e na localidade extremenha de Oliva, onde se vão homenagear a vítimas desta localidade.

Sob o título “Memórias da Guerra de Espanha na fronteira do Baixo Alentejo, oitenta anos depois” as duas localidades, as duas regiões abordam os grandes desafios que marcaram o futuro de milhares de extremenhos e andaluzes que obtiveram protecção e liberdade graças às gentes de Barrancos e ao empenho do chamado Schindler português, António Augusto Seixas, o anjo que protegeu os refugiados espanhóis até que estes embarcaram num barco que os levou de Lisboa até Tarragona.

Antes tinham passado por toda uma odisseia de perseguição, em que foram ameaçados de morte pelos franquistas, até que encontraram protecção junto a Barrancos, nas herdades da Coitadinha e da Russiana. Dois campos de refugiados onde os barranquenhos e o tenente Seixas colocaram a fronteira: de um lado as metralhadoras franquistas e do outro, a solidariedade portuguesa. (…)”

campo

aqui: https://www.cgtandalucia.org/blog/6110-barrancos-portugal-recupera-la-memoria-de-los-campos-de-refugiados-de-coutadinha-y-la-roussiana-que-acogieron-a-los-refugiados-pacenses-y-onubenses-en-la-guerra-civil.html

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