Miguel Sousa Tavares e o “seu a seu dono” quanto à autoria da frase “a propriedade é um roubo”


 

pierre_joseph_proudhon

Proudhon e as filhas retratados por um amigo, o pintor e futuro elemento da Comuna, Gustave Courbet, no ano de 1865

No passado dia 24 de Setembro, o antigo jornalista e actual cronista  e opinador em-tudo-quanto-é-sítio, Miguel Sousa Tavares, numa crónica no semanário “Expresso” intitulada “Várias Mentiras e um Imposto” mostrou o que toda a gente já descobriu – que é um ignorante na maior parte dos assuntos que comenta.

E provou-o, mais uma vez, ao atribuir a Engels uma frase mil vezes repetida que não é, reconhecidamente, do companheiro e financiador de Marx. Referiu-se o dito Miguelito, enquanto desenvolvia o seu raciocínio a refutar a política de impostos do governo, à “pura e simples ideologia fundada na célebre frase de Engels («Toda a propriedade é um roubo»)”, uma frase que pertence a Proudhon, o anarquista que tanta influência ainda hoje tem no movimento libertário internacional.

Para Sousa Tavares – e para quem queira aprender um pouco mais do que os lugares comuns transmitidos pela comunicação a que “temos direito” –  deixamos uma ligação para o livro de Proudhon “O que é a propriedade?”, onde fica explícito que toda a propriedade (sobretudo a fundiária) “é um roubo”.

“Se eu tivesse que responder à seguinte pergunta: O que é a escravatura? e respondesse sem hesitar: É o assassínio, o meu pensamento ficaria perfeitamente expresso. Não precisarei de fazer um grande discurso para mostrar que o poder de privar o homem do pensamento, da vontade e da personalidade, é um poder de vida e morte, e que fazer de um homem escravo equivale a assassiná-lo. Porquê, então, a essa outra pergunta: O que é a propriedade? não posso responder simplesmente: É o roubo, ficando com a certeza que me entendem, embora esta segunda proposição não seja mais que a primeira, transformada?

(…) Certo autor ensina que a propriedade é um direito civil, nascido da ocupação e sancionado pela lei; um outro sustenta que é um direito natural, tendo a sua origem no trabalho: e estas doutrinas, ainda que pareçam opostas, são encorajadas e aplaudidas. Eu pretendo que nem o trabalho, nem a ocupação, nem a lei, podem criar a propriedade; que ela é um efeito sem causa: é repreensível pensar assim?

Quanta objecção se levanta!

A propriedade é o roubo! Eis o clarim de 93! Eis o grande barulho das revoluções!…”

(Pierre-Joseph Proudhon, “O que é a propriedade?“. Paris, 1840)

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