(efeméride) Os livros anarquistas sobre a Revolução Russa sublinham a transformação da esperança em pesadelo para os trabalhadores


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Marinheiros de Kronstadt

Tudo está já, provavelmente, dito sobre a revolução russa. Por isso, deixamos aqui apenas a referência a alguns dos livros mais interessantes para analisar a deriva da revolução russa e a sua transformação num regime totalitário, de capitalismo de estado, sob o comando do partido bolchevique, de raiz marxista-leninista.

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A Revolução Russa nasceu “ da impossibilidade, para o povo, de continuar a guerra e de arrastar uma existência de fome (…) e da obstinação cega do czarismo”. (VOLIN, “A revolução desconhecida”).

No próximo mês de Março assinalam-se os 100 anos do início da revolução russa, cujo primeiro acto ficou assinalado pela queda do czar. Por estes dias há também uma efeméride – os 99 anos do levantamento popular contra o governo provisório, que juntou bolcheviques, socialistas revolucionários e anarquistas – e que tanta expectativa criou junto das classes trabalhadoras de todo o mundo, mas também que posteriormente tanta desilusão trouxe, acabando por associar as palavras socialismo e comunismo a um dos períodos de maior barbárie da humanidade.

A sociedade russa, depois da queda do czar em Março de 1917, estava preparada para a revolução, sobretudo os sectores operários das grandes cidades, bem como os soldados e marinheiros, todos agrupados em sovietes. A palavra de ordem de “Todo o poder aos sovietes” levou a que muitos anarquistas acompanhassem o partido bolchevique nestes primeiros momentos de transformação social. Mas a tomada do poder pelos bolcheviques e o controlo que o partido começou a exercer desde logo sobre os sovietes mostraram bem cedo qual o rumo que os acontecimentos estavam a tomar e que levaram ao restabelecimento autocrático do poder de Estado, agora nas mãos de Lenin e dos seus correlegionários.

Conquista do poder feita à custa de muito sangue operário e camponês e de uma imensa repressão em todos os sectores da sociedade, cuja organização, centrada única e exclusivamente no Partido Comunista e no seu comité dirigente foi, desde logo, criticada por vários sectores do próprio campo marxista, nomeadamente pela comunista alemã Rosa Luxemburgo, que no seu livro “A Revolução Russa” escreveu:

“Algumas dezenas de chefes de uma energia infatigável e de um idealismo sem limites dirigem o governo e, entre eles, quem governa de facto é uma dezena de cabeças eminentes, enquanto uma elite da classe operária é convocada de tempos em tempos para reuniões com o fim de aplaudir os discursos dos chefes e de votar por unanimidade as resoluções que lhe são apresentadas.”

E mais à frente: “O erro fundamental da teoria Lenine e Trotsky está justamente em que, tal como Kautsky, eles opõem democracia e ditadura. “Ditadura ou democracia”, assim se coloca a questão tanto para os bolcheviques como para Kautsky. Este pronuncia-se pela democracia burguesa, contrapondo-a à transformação socialista. Lenine e Trotsky, ao contrário, pronunciam-se pela ditadura de um punhado de pessoas, quer dizer, pela ditadura segundo o modelo burguês jacobino. Estes dois pólos opostos estão ambos muito distantes da verdadeira política socialista.”

A resistência anarquista à ditadura bolchevique, assente numa violenta repressão e na tentativa de tudo controlar, depressa se fez sentir levando a que muitos libertários, que tinham tentado colaborar com as autoridades soviéticas – sem terem percebido, de início, as palavras proféticas de Bakunin de que “liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade” – entrassem em ruptura com os bolcheviques e assumissem movimentos insurreccionais como foram o dos camponeses, liderados por Makhno, logo em 1918 na Ucrânia e a a revolta dos marinheiros e soldados de Kronstadt, em 1921. Inúmeros livros foram publicados sobre a deriva autoritária da revolução russa, a maioria por parte de anarquistas que estiveram no terreno e viveram a repressão contra-revolucionária bolchevique.

Como se aproxima o centenário da revolução russa de Fevereiro (em Março) e as “galinhas cacarejantes” dos “amanhãs que cantam” já devem estar a planear entoar, por essa altura, loas à ditadura que os seus correlegionários de ontem e de sempre implantaram na Rússia e noutros países da sua área de influência, deixamos em baixo a indicação de algumas obras, sempre que possível em português, essenciais para compreender a natureza e a posterior deriva da revolução russa e o carácter contra-revolucionário do socialismo autoritário de raiz marxista-leninista que em vez de – como refere a letra da “Internacional” – significar a “libertação do género humano”, representou a morte, tortura e opressão de milhões de seres humanos. Em nome – pasme-se! – da liberdade, da igualdade e do socialismo.

Alguns livros digitais.

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Alexander Berkman

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a tragédia russa (uma revisão e uma perspectiva – ou panorama)

Alexander Berkman e Emma Goldman

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Kronstadt

Emma Goldman

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Dois anos na Rússia

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Minha outra desilusão na Rússia

G. P: Maximoff

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Sindicalistas na Revolução Russa

Ida Mett

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A comuna de Kronstadt (castelhano)

Juan Ferrario

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As matanças de Anarquistas na Rússia

Rudolf Rocker

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Os sovietes traídos pelos bolcheviques

Volin

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A revolucão desconhecida (volume I) em português

Em francês

Em inglês

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