(apoio mútuo) Rede de Solidariedade começa a funcionar em Lisboa: “rejeitamos qualquer forma de assistencialismo”


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Sob o lema “habitação não é negócio é necessidade” começou a funcionar em Lisboa a ‘Rede de Solidariedade’, uma rede de apoio mútuo para organizar pela base e em defesa da Habitação, Alimentação, Saúde e Educação, de forma Solidária, Gratuita, Independente, Igualitária, quem a isso estiver disposto. A Rede – um projecto a que a Guilhotina.info se associou e ajudou a pensar e idealizar, graças aos contactos e informações que recolheu nos últimos anos sobre diversos movimentos sociais –  tem vindo a realizar reuniões regulares no Grupo Excursionista e Recreativo ‘Os Amigos do Minho’, no Intendente, em Lisboa. A fim de conhecermos melhor esta Rede, muito baseada nos princípios e nos métodos de actuação da Plataforma de Afectados pela Hipoteca (PAH) que actua no Estado Espanhol, entrevistámos um dos seus activistas de primeira hora.

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“A estrutura base da Rede é a Assembleia”

1) Que objectivos se propõe a Rede de Solidariedade? Quais as formas de actuação?

A Rede foca-se nos problemas que afectam a grande maioria da população – problemas ligados à habitação, à saúde, à alimentação, à educação – se bem que de momento nos estamos a focar na habitação, tendo em conta o contexto da explosão dos preços em Lisboa devido ao turismo, o que está a empurrar muita gente para dificuldades, para além de todos os problemas já existentes relativos a crédito à habitação mal-parado. É de momento impossível precisar objectivos mais específicos, uma vez que a Rede é um projecto em construção, apesar de já ter posto de pé algumas modestas iniciativas.

As formas de actuação poderão ser variadas, dependendo do caso e do ponto em que se encontra. Subjacente a todo o processo está a ideia de pressão para encontrar uma solução negociada permanente para os problemas. Pelo que um caso de habitação, por exemplo, poderá começar com uma conversa com o senhorio ou instituição financeira e, conforme progride, assumir formas de acção directa cada vez mais combativas, como a paragem de despejos.

O foco estará sempre em soluções que surjam da força colectiva, evitando ao máximo soluções legalistas ou outras que envolvem ficar enrolados nos milhentos labirintos inventados para fazer as pessoas perder tempo e coragem.

2) Como se organiza a Rede de Solidariedade? Tem uma estrutura fixa? Funciona com assembleias abertas? Como se processa a sua articulação com as diversas lutas nos bairros, escolas, lugares de trabalho e com outros movimentos sociais?

A Rede modela-se muito em modelos de organização de sucesso que identificámos e estudámos noutros locais, tais como a experiência da PAH (Plataforma de Afectados por la Hipoteca). Isto significa que a estrutura base da organização é a assembleia, onde tudo é discutido e as tarefas e responsabilidades distribuídas. Existem fortes restrições em termos de quem pode assumir cargos, para evitar problemas recorrentes de tentativas de tomada de movimentos, assim como em termos de fontes de financiamento e apoio, para evitar a também recorrente tentativa de institucionalização de movimentos de forma a desarmá-los.

Muito importante também é a rejeição do assistencialismo. Espera-se de toda a gente que participe que seja parte activa na solução dos problemas, dos seus e dos outros. Procuramos empoderar os afectados a resolver problemas de forma permanente, e não oferecer pensos rápidos.

De momento a Rede ainda está a construir-se a si própria, pelo que os contactos externos são limitados e feitos via destacados pela assembleia, estando a ser feito esforço para criar laços com outros movimentos e iniciativas que nos parecem interessantes e importantes.

3) A Rede está a organizar-se em Lisboa. Está prevista a organização duma rede deste tipo noutros locais? De que forma? E como se relacionam as diversas estruturas que venham a existir?

Se tudo correr bem, sim, pretendemos que a Rede se espalhe e crie novos pólos, respeitando os métodos e princípios comuns. Idealmente, algumas pessoas de uma assembleia já estabelecida ajudariam com este processo numa hipotética nova assembleia.

Quanto à relação entre assembleias, ainda estamos a estudar essa questão de modo a tentar precaver eventuais problemas comuns, tal como em todo o restante processo de pensar a Rede.

https://rededesolidariedade.wordpress.com

https://www.facebook.com/redesolida

contacto telefónico: 918 870 996

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