(Itália) Morreu Amedeo Bertolo, um dos mais activos anarquistas dos nossos dias


amedeo-bertolo

É com muita tristeza que vos informo que anteontem, 22 de Novembro de 2016, morreu em Milão, com 75 anos, Amedeo Bertolo, uma das figuras mais importantes do anarquismo contemporâneo. Nele, pensamento e acção estiveram sempre ligados.

Para além de autor de textos fundamentais, traduzidos em várias línguas, foi um dos fundadores, ainda na década de 60, das Juventudes Libertárias de Milão, do Grupo Anarquista Ponte della Ghisolfa e da Croce Nera, juntamente com Pinelli.

Participou em algumas acções em Espanha, integrado na estrutura anarquista clandestina Defesa Interior, e fez parte do grupo italiano que raptou o vice-cônsul espanhol em Milão, para tentar evitar a pena de morte a que tinham sido condenados alguns anarquistas espanhóis e chamar a atenção da imprensa europeia para o franquismo. Face à pressão internacional, Franco comutou as penas dos companheiros espanhóis em prisão perpétua e, passados alguns anos, foram libertados. Todos os membros do grupo de “raptores” foram presos pela polícia italiana e Amedeo Bertolo, que tinha fugido para França, voltou no dia do julgamento, entrou no tribunal disfarçado de ajudante do advogado e a sessão foi transformada num ataque cerrado ao estado e ao franquismo. No fim, saíram todos em liberdade com penas simbólicas.

Fundou e participou nas revistas Interrogations, Volontà, Antistato e A. Dedicou grande parte da sua vida a denunciar o assassinato de Pinelli pelo estado italiano e a provar que os atentados de 1969 tiveram origem na extrema-direita e nos serviços secretos. Foi um dos organizadores do célebre Encontro Anarquista Internacional realizado em Veneza em 1984. Fundador também do Centro de Estudos e Arquivo Pinelli em 1976 e em 1986 da editora Eleuthèra. Toda uma vida dedicada à acção e à divulgação do anarquismo.

Nos últimos anos, o pessimismo em relação ao futuro do anarquismo e da humanidade apoderara-se dele. Desistiu da escrita (“não tenho mais nada para dizer”), começou a sofrer da doença de Parkinson e, desgostoso, reduziu a a sua actividade à editora Eleuthèra.

Perdi um amigo muito querido e o Anarquismo perdeu um grande pensador e activista. Que a terra te seja leve, companheiro!

Mário Rui Pinto (aqui)

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