Novo livro de Carlos Taibo “O penálti de Djukić” é apresentado este sábado em Pontevedra (Galiza)


penalti

Talvez nunca tenhamos escrito sobre futebol aqui no Portal Anarquista (à excepção da COPA do Mundo no Brasil e das polémicas e protestos que a envolveram), mas vamos agora abrir uma excepção para o mais recente livro de Carlos Taibo, escritor, professor universitário em ciência política, assumidamente libertário e que já, mais do que uma vez, nos honrou com a sua visita aqui em Évora. Há algum tempo publicou “Colapso”, um livro em que defende que a degradação ambiental, a vertigem do consumo, o crescimento sem rei nem roque, os antagonismos crescentes entre ricos e pobres estão a levar a humanidade ao colapso, o que poderá ser benéfico se o soubermos aproveitar em termos de uma  mudança radical da sociedade em que vivemos. Agora Carlos Taibo publica “O penálti de Djukić”, um livro que o autor, confesso adepto do Desportivo da Corunha, centra no mundo do futebol e em que um dos personagens é um professor lisboeta adepto do clube galego. Em 1994, o sérvio Djukic, ao serviço do Desportivo, falhou um penalti contra o Valência que poderia ter dado à sua equipa a vitória na Liga Espanhola. Este livro de Carlos Taibo tem como pretexto esse golo falhado. O escritor foi entrevistado por Victor Giadás, da Através Editora, que publica o livro. A entrevista. que reproduzimos, foi feita na integra em galego, na sua variante portuguesa. O livro chegou às livrarias esta sexta feira, e pode ser pedido também em Através loja on-line.

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Carlos Taibo: “A derrota é esteticamente muito mais bela do que a vitória. Os campeonatos para os outros… Nós não estamos interessados.”

PAM02. Pamplona, 02/11/04.- El profesor de Ciencia PolÌtica de la Universidad AutÛnoma de Madrid Carlos Taibo presentÛ hoy en Pamplona su libro

Por

Carlos Taibo é professor de Ciência Política na Universidade Autónoma de Madrid. Tem trabalhado sobre as mudanças na Europa oriental, a globalização e os movimentos de resistência. Na Através publicou «Parecia não pisar o chão. Treze ensaios sobre as vidas de Fernando Pessoa» (2010) e, com Arturo de Nieves, «Galego, português, Galego-português?» (2014).

Apresenta o seu próximo livro “O penálti de Djukic” amanhã, sábado, dia 3 às 17:00 dentro da Feira Culturgal, em Pontevedra, na Galiza.

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Este livro é para quem? para adeptos do Desportivo? do futebol? para sociólogos? para galeguistas?

Suponho que o livro, em realidade, era para mim. Nunca pensei em sociólogos nem em galeguistas. Talvez passou pela minha cabeça alguma vez a ideia, enlouquecida, de que a rapaziada do Desportivo podia se interessar num texto fácil escrito em galego internacional.

O futebol não é questão de vida ou morte: é muito mais importante do que isso. Como diz o Bill Shankly. Como foi Carlos Taibo marcado polo penálti de Djukic?

Foi um trauma rapidamente superado. A derrota é esteticamente muito mais bela do que a vitória. Os campeonatos para os outros… Nós não estamos interessados.

No livro colocas os dous “protagonistas” na subalternidade duma escolha totalmente alheia ao sentir do sitio onde vivem. Crê que existe uma posição auto-afirmativa na escolha? 

Não. O seu é mais bem um diálogo socrático. Além disso, o prologuista explica que suprimiu das mensagens dos correios as partes que não faziam referência expressa ao Desportivo. O seguinte volume resgatará a vida sexual dos protagonistas. Será muito breve.

A personagem do professor lisboeta adepto do Desportivo é muito ficcional ou poderia existir, ou talvez até exista?

Depois de ter lido «Gargantua e Pantagruel» e «Anna Karénina», todas as personagens literárias são para mim obscenamente realistas. O professor existe, naturalmente. É um dos quatro milhões de desportivistas.

Colocas no livro a Arsenio Iglesias como o treinador da épica mas também do penálti de Djukic. Como o exemplo dum outro futebol. Cabe a esperança para o tipo de futebol que representa Arsenio fronte ao chamado “futebol moderno”?

Moderno, em qualquer caso, não era. Acho, aliás, que ainda não foi inventada a retranca moderna. E retranca, a Arsenio, não precisamente lhe faltava. Não gostava de ganhadores.

Há multiplos exemplos de equipas enquadrados na rebelião antes da guerra, como pode ser o Club Esportiu Jupiter del Poblenou em Barcelona que levava armas aos anarco-sindicalistas, ou Bebel García morto diante dum pelotão de fuzilamento e que já conta com uma rua na cidade da Corunha. Segue existindo essa componente de classe no futebol? E de militância? 

Existe, sim, mas certamente perdeu boa parte da sua força de ontem. A repressão que surge do futebol moderno e a conversão do desporto em simples mercadoria deixaram pouco espaço para outras alternativas. Mesmo assim, nós, em Madrid, lembramos o nome de Curuxás, o singularíssimo guerrilheiro anarco-sindicalista, para identificar a nossa casa do clube desportivista. A equipa não ganhou nenhuma partida desde então.

Será certo que o reintegracionismo na altura não soube, ou não foi capaz, de aproveitar a esteira de um clube tão lusófono?

Para dizer a verdade, o clube era lusófono antes na nossa cabeça que na realidade. Mas isso também é a vida, diria o poeta.

Há histórias de mais dum galego que torcem por equipas portuguesas como pode ser os Belenenses que sai nomeado no livro. Consideras que existe uma componente reintegracionista neste facto?

Pode existir. Por quê não reconhecer uma dimensão de reintegração simbólica no futebol? Ainda que eu preferiria, em Belém, sentar no claustro setentrional do mosteiro antes que olhar uma partida no Restelo. O Chaves é, agora mesmo, melhor opção que Os Belenenses. Embora menos requintada

capturar

aqui:http://pgl.gal/carlos-taibo-derrota-esteticamente-bela-do-vitoria-os-campeonatos-os-outros-nos-nao-estamos-interessados/

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