(Síria) Mataram o penúltimo palhaço de Aleppo (porque haverá sempre um último palhaço na cidade)


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Anas al-Basha, o penúltimo palhaço de Aleppo (porque haverá sempre um último palhaço na cidade devastada) foi morto, conjuntamente com vários compatriotas seus, durante um ataque da aviação russa no passado dia 30 de Novembro. A organização “Palhaços em Rebeldia”, que já conta dezenas de intervenções em defesa da paz e dos povos oprimidos, emitiu um comunicado em que saúda a memória e o exemplo do palhaço sírio, que sempre se recusou a deixar a cidade.

*

Continuaremos circocombatendo, Anas

Mataram um palhaço, mataram um companheiro, mataram um lutador. Anas al-Basha, o último palhaço de Aleppo foi morto hoje (30 de Novembro) conjuntamente com um grupo de civis. Tinha 24 anos. Apesar da escalada incessante da violência, Anas negara-se reiteradamente em abandonar a cidade: queria continuar a trabalhar, continuar a abrir um resquício de esperança no meio da barbárie, da desolação, da infâmia.

A sua peruca cor de laranja era um alvo fácil. Com o seu disfarce e o seu sorriso passeava pelas ruas, levando prendas às crianças, ajudando as vítimas e tentando dar sentido ao absurdo da guerra, levando algo de humanidade, algo de vida no meio de tanta morte.

O que era previsível confirmou-se. A aviação da aliança russa e do exército de Al Assad massacraram hoje mais um grupo de civis, pressionaram o botão para limpar do radar outro montão de pequenos pontos que procuravam refúgio. Entes eles, um pequeno ponto laranja, a peruca de Anas.

Desde Palhaços em Rebeldia queremos expressar a nossa solidariedade com a família de Anas al-Basha, Clown de Aleppo, RIP e fazermo-nos eco das palavras do seu irmão, que são extensíveis a tod@s @s palhaç@s rebeldes do mundo: “Anas não era um terrorista, era um membro activo da sociedade que trabalhava dia e noite para levar um sorriso às crianças sírias”.

Anas recusou-se a ir com o circo para outra parte, a sua tenda era a sua casa e a sua casa era o lugar mais perigoso do mundo. Todavia a sua gargalhada ressoa por entre as ruínas daquela cidade devastada, daquele escaparate da sem-razão humana, da loucura do capital. Mas o terror, a guerra, a destruição, não conseguirão apagar a tua gargalhada, que é também a nossa. A felicidade, a esperança, a vida em definitivo, são armas de construção massiva. Enquanto perdurar a destruição continuaremos a ser necessários, Anas. Indispensáveis. Os nossos pequenos pontos laranjas, vermelhos, amarelos… são tão grandes como o mundo, como o coração que os pinta.

Fazemos nossas as lágrimas do teu irmão, Anas: “Estamos orgulhosos de ti. Talvez estejas a descansar já em paz, longe deste mundo cruel”. Em teu nome, e no de todos os povos oprimidos, os Palhaços em Rebeldia continuaremos a meter os narizes onde quisermos, continuaremos circocombatendo.

Obrigado Anas Al-Basha. O penúltimo palhaço de Aleppo

Palhaços em Rebeldia

aqui: https://www.facebook.com/notes/pallasos-en-rebeld%C3%ADa/seguiremos-circombatiendo-anas/1295154973880702

http://www.foxnews.com/world/2016/11/30/syria-aleppo-loses-clown-who-warmed-war-torn-hearts.html

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-38167190

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