(20 de Janeiro de 1937) Em solidariedade com a revolução espanhola: anarquistas portugueses sabotam ministérios e empresas colaboracionistas com Franco


 

capturar2

Foi há 80 anos. Em solidariedade com a Revolução Espanhola e contra o governo e os grupos que em Portugal colaboravam com o fascismo espanhol, uma vaga de actos de sabotagem, realizada por grupos anarquistas, na noite de 20 e na madrugada de 21 de Janeiro de 1937, mostrou que era possível ir além das meras palavras de circunstância.

*

capturar

O governo fascista de Salazar foi desde o primeiro momento um dos grandes apoios dos militares sediciosos espanhóis que se levantaram contra a República em Julho de 1936. Portugal, o seu governo e grande parte da comunicação social liderada então pelo Rádio Clube Português, de Botelho Moniz, legionário e fascista assumido, tomaram desde logo partido pelos golpistas espanhóis e contra a República, denegrindo e caluniando as forças que se opuseram ao golpe, nomeadamente as centenas de milhar de trabalhadores agrupados na CNT e na FAI.

Em resposta, as organizações que apoiavam a revolução espanhola em Portugal denunciavam, sem êxito, este colaboracionismo, que tinha expressão prática na entrega de refugiados aos nacionalistas espanhóis, conduzindo-os à tortura e à morte, como à tentativa de isolar e caluniar os revolucionários espanhóis junto da população portuguesa.

Na noite de 20 de Janeiro e na madrugada de 21 de Janeiro de 1937, em solidariedade para com os combatentes espanhóis, militantes anarquistas – apesar de muito limitados em meios humanos e materiais pela repressão que se seguiu ao 18 de Janeiro de 1934 – fizeram explodir uma dezena de bombas no Ministério da Educação Nacional, Fábrica de Pólvora de Barcarena e armazéns de Caxias, Depósito de Material de Guerra de Beirolas, Depósitos da Vacuum de Alcântara, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e Casa de Espanha e já na manhã de 21 de Janeiro, no Ministério da Guerra. Foram também encontradas duas bombas, que não chegaram a explodir, no Ministério do Interior (aqui)

Este acto de solidariedade apanhou o governo de surpresa e desencadeou, de imediato, uma grande vaga repressiva, com muitas prisões, não afectando, no entanto, pelo que se sabe, a capacidade ofensiva do movimento libertário que, meses depois, em Julho, realizou um atentado a Salazar de que este escapou por um triz.

Esta onda de solidariedade libertária para com a Revolução Espanhola em Portugal teve um eco muito forte na imprensa clandestina, quer da CGT, quer do PCP. Apanhados de surpresa, os comunistas faziam publicar no Avante nº 28, referente à primeira quinzena de Fevereiro de 1937, uma nota em que afirmavam, debaixo de uma manchete em que se lia: “Contra a opressão à Espanha republicana” – “A propósito das explosões das bombas – Depois de analisar as circunstâncias em que se deram a explosão de bombas, o Secretariado do Partido Comunista, sem pôr completamente de parte a hipótese de uma provocação policial, admite que se trate dum protesto do povo português contra a política de intervenção em Espanha seguida pelo governo da Ditadura fascista”. E mais à frente: “Contudo, o Secretariado do PCP põe em guarda todos os camaradas contra a tendência que possa manifestar-se a praticar acções isoladas sem eficiência que possam redundar em puro terrorismo”.

Claro. Mais eficientes deviam ser as notas do secretariado do PCP…

capturar1

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s