(vídeo) A greve geral de 18 de Janeiro de 1934


 

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Dois vídeos sobre a greve geral de 18 de Janeiro de 1934 feitos pelo jornalista Jacinto Godinho para a RTP. Mais uma vez esquece-se a dimensão nacional do protesto (*) e o foco é a Marinha Grande, onde a “sublevação” dura um par de horas, quando em Silves, Barreiro, Almada a greve é geral e prolonga-se por vários dias. Mas, em termos gerais, é uma investigação rigorosa e isenta.

“Em Agosto de 33 Salazar publica o Estatuto do Trabalho Nacional. Em Portugal acaba o sindicalismo livre, criminaliza-se o direito à greve e começa o corporativismo.

Mas os anarco-sindicalistas e os comunistas não desarmaram. Unem-se pela primeira vez numa greve geral revolucionária. O objetivo desta primeira “geringonça” é derrubar à força de bombas o regime de Salazar e Carmona.

Mas houve uma região que a PVDE descuidou nos planos da greve revolucionária – a Marinha Grande. Na região vidreira, os grevistas tomaram de assalto o posto da GNR e dos CTT. A ocupação durou poucas horas.

No rescaldo da falhada greve revolucionária a PVDE prendeu 696 pessoas só em processos relacionados com a Greve Revolucionária. A polícia política usa a tortura violenta para encontrar os responsáveis pelos atentados bombistas de 18 de Janeiro. Vários dos presos não aguentam as violências e “suicidam-se”. É o caso do militante comunista Mário Vieira Tomé que aparece morto na prisão. Neste episódio tenta-se desvendar o caso e obter pela primeira vez provas concretas de tortura na PVDE. O anarquista Jaime Rebelo corta a língua e Jaime Cortesão dedica-lhe o poema ‘Romance do Homem da Boca Fechada’ (“cortada” no site do vídeo).

Apesar das prisões em massa de 1934, o único dos movimentos anti ditadura que não teve líderes presos foi o PCP que fica solitário na oposição ao regime. A propaganda do regime concentra-se no combate ao comunismo considerado por Salazar “a grande heresia da nossa idade”. (**)

A insurreição nacional perpetrada a 18 de janeiro de 1934 resulta indiretamente de um longo processo de luta social e sindical pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora, e surge especificamente como movimento nacional de contestação à ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por força do recém-publicado “Estatuto do Trabalho Nacional e Organização dos Sindicatos Nacionais” em setembro de 1933 pelo Estado Novo, regime responsável por milhares de vítimas, mortos em confrontos, prisões ou em situações de tortura, prisões em campos de concentração no continente, ilhas e colónias, perseguições, expulsões do país, degredos e deportações para as ilhas e colónias, semeando um rasto de terror entre várias gerações de portugueses.

Jornada de luta contra a fascização dos sindicatos e pela defesa da livre organização dos trabalhadores; contra a ofensiva patronal e do Estado salazarista contra os salários, o horário de trabalho de 8 horas; contra a repressão e em defesa das liberdades cívicas e políticas tinha a determiná-lo a compreensão do que o fascismo representava para os trabalhadores: privação de todas as liberdades, perseguições, prisões, torturas, assassinatos, intensificação da exploração, desemprego e miséria.

A reacção do governo salazarista à greve de 18 de Janeiro, e em particular na Marinha Grande, foi de grande violência e arbitrariedade: elevado número de prisões, despedimentos, julgamentos praticamente sumários, condenações a pesadas penas de prisão, deportações, assalto ao que restava das organizações operárias livres.

O Campo de Concentração do Tarrafal, instalado numa das piores zonas climáticas de Cabo Verde chuvas, fortes ventos, calor, água inquinada com um regime prisional inspirado no modelo nazi, assente na arbitrariedade, na violência organizada, nos trabalhos forçados, tornou-se num verdadeiro inferno para os presos antifascistas que para lá foram enviados, muitos deles participantes na greve de 18 de Janeiro”

(*) https://colectivolibertarioevora.files.wordpress.com/2014/01/textos-18-janeiro.pdf

(**) https://www.facebook.com/PORTAL.ANARQUISTA/photos/a.296793177087642.53912.296105283823098/946763515423935/?type=3&theater

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