Mês: Fevereiro 2017

(Universidade de Coimbra) Comunicado do Conselho das Repúblicas sobre o comunicado do Reitor


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No seguimento do email “Estragos na Universidade” do Reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, dirigido a toda a comunidade universitária, dando conta do sucedido no dia 20 de Fevereiro de 2017 no Edifício da Reitoria, o Conselho das Repúblicas, reunido ao 25º dia do mesmo mês, vem por este meio divulgar o seguinte comunicado:

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(Solidariedade) Anarquistas indonésios lançam campanha contra presidente filipino Rodrigo Duterte


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O presidente filipino Rodrigo Duterte, que se gosta de comparar a Hitler, anunciou recentemente que ia exterminar os toxicodependentes e os utentes de droga das ruas de Jakarta e de outras cidades das Filipinas. São já muitos os mortos e desaparecidos às mãos dos esquadrões da morte. Os anarquistas indonésios acabam de lançar uma campanha, nas ruas de Jakarta e a nível internacional, de denúncia da actividade criminosa das autoridades filipinas.

“Somos pessoas que experimentaram directamente a violência do Estado contra os usuários de drogas.

Temos cicatrizes nos nossos corpos, mentes e corações causadas pela violência da polícia e dos guardas prisionais.

Não podemos ficar em silêncio quando recebemos a informação de que Rodrigo Duterte, o presidente das Filipinas, está a causar o genocídio de pessoas como nós.

Os nossos corações estão cheios de tristeza e raiva e, por isso, assumimos o compromisso de durante os próximos 7 dias tomar as ruas de Jakarta para apelar publicamente à “Morte a Duterte”.

No nosso primeiro dia deixámos mensagens nas ruas com a frase  “Duterte kills – kill Duterte (A) F.T.P” e o slogan usado por outros anarquistas da região “Shoot Duterte not drug users (A) F.T.P” , no sul de Jakarta e, para uma máxima visibilidade,  ao longo de algumas estradas movimentadas e de uma estação de comboios.

Sabemos que cometemos alguns erros tácticos desta vez, porque é a primeira vez que estamos a trabalhar juntos desta forma, mas também aprendemos muito uns com os outros.

Vamos continuar a campanha por 7 dias e temos muitas ideias criativas para aumentar o entusiasmo.

Com amor e solidariedade de Jakarta para os nossos irmãos e irmãs nas Filipinas e para todos os anarquistas / prisioneiros da guerra contra as drogas em todo o mundo é preciso tomar em mãos formas de acção directa contra o assassino fascista Duterte!”

aqui: https://insurrectionnewsworldwide.com/2017/02/22/indonesia-anarchists-drug-war-prisoners-launch-7-day-death-to-duterte-campaign-on-jakarta-streets-engindo/

Zeca Afonso: ‘Sua canção abriu estradas/ cantou nos campos, cidades,/ nunca nos paços de el-rei’


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José Afonso (1929 – 1987) foi um cantor de intervenção que sempre suscitou admiração em diversos meios libertários. Sem nunca se ter assumido enquanto tal, os temas escolhidos e a textura da sua poesia, aliados ao facto de nunca ter estado partidariamente alinhado (a não ser temporariamente na LUAR, uma organização que agrupava um grande número de libertários) fizeram com que muitos anarquistas tivessem uma grande simpatia por Zeca Afonso (para além da qualidade da sua música e poesia), reforçada por afirmações deste quando referia ser o seu “próprio comité central” ou o que era necessário era “provocar desassossego”.

Canções como “Utopia”, “Vejam Bem”, “Menino do Bairro Negro”, “Os Vampiros”, “Como se Faz um Canalha”, ou “Os Índios da Meia Praia”, entre tantas outras, foram também hinos muitas vezes cantados e adoptados por libertários – embora o movimento anarquista organizado, nesses anos conturbados do pós 25 de Abril de 1974, tivesse pouca expressão pública e mal se conseguisse distinguir da profusão de seitas m-l que apareceram um pouco por todo o lado.

A solidariedade, a liberdade, a igualdade, a utopia foram palavras e conceitos usados habitualmente por José Afonso e que constituíram sempre palavras importantes no vocabulário anarquista, tornando a identificação das canções do Zeca com o ideário libertário uma constante.

Exemplo desta ligação entre o Zeca e muitos libertários foi o destaque dado pela revista anarquista Antítese, no nº 8 de Fevereiro de 1988 (um ano depois da sua morte), com uma evocação de José Afonso na capa e um poema no interior assinado por Rui (Rui Vaz de Carvalho o editor da revista?), a assinalar a relação fraterna com a obra e a figura do Zeca.

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Morreu José Afonso.
Morreu de solidão
24-2-87

Colheu palavras nos prados,
bebeu água em suas fontes,
andou pela chuva dos montes
em busca de um arco-íris.

Do amarelo fez um sol
no meu caderno de infância,
vermelha  a rosa pintou
e espalhou a sua fragância,
do roxo nasceram lírios
nos campos da nossa dor.

Na terra onde nasceu
chamaram-lhe o trovador.

De jogral não se vestiu
nem tampouco usou gravata,
inventou meninos d’oiro
em cada bairro de lata.

Rio acima eis a fragata
de que foi timoneiro
rasgando as águas paradas,
as águas turvas da lei.

Sua canção abriu estradas,
cantou nos campos, cidades,
nunca nos paços de el-rei.

Das ondas duma seara
colheu ele a melodia
e seus versos foram rios
nos campos do Alentejo,
foram lágrimas de raiva
nos olhos da poesia.

Ervas daninhas cresceram
nas terras que ele plantou
e os ventos de toda a sorte
moveram os cataventos,

mas o que mais lhe custou
foi ver o seu povo rendido
às vozes do parlamento.

Viu muita vela enfunada
em busca de novas Índias,
viu poetas e cantores
correrem atrás da fama,

mas o que mais lhe custou
foi ver o povo sem chama
seguindo novos senhores.

E a lua em quarto minguante
descia sobre Azeitão
onde o trovador vivia
distante da sua terra,
em sua terra emigrante.

Rio acima eis a fragata
de que foi o timoneiro
rasgando as águas paradas,
as águas turvas da lei.

Sua canção abriu estradas
cantou nos campos, cidades,
nunca nos paços de el-rei.

Rui

relacionado: http://www.jornalmapa.pt/2017/02/11/panegirico-jose-afonso/

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(Coimbra) Relato de um dia de luta contra a Fundação


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#AltPT Luta Anti-Fundação sobe de tom em #Coimbra | Relato de um dia de mobilização

No seguimento da convocatória pelo Conselho de Republicas, mais de uma centena de manifestantes reuniu-se ontem, segunda-feira, na Porta Férrea para protestar contra a privatização da Universidade de Coimbra. Daí seguiu uma marcha pelo Pólo I da UC, apelando à participação da restante comunidade universitária.

Após várias intervenções à frente da Faculdade de Letras, a manifestação rumou ao Pátio das Escolas e entrou pelo edifício da Reitoria adentro. As palavras de ordem que ecoaram na Reitoria encontraram apenas portas fechadas. Decidiu-se então procurar directamente o reitor, no seu gabinete. Após a invasão do edifício e ocupação das escadarias que dão acesso ao gabinete, o Reitor saiu da toca e foi de encontro aos manifestantes.

As suas respostas às pessoas que o confrontaram foram vagas e evasivas. Face às imensas e diversas críticas e questões apresentadas por manifestantes, o reitor virou costas e escapou em direcção à Reitoria. Insatisfeitos pelas respostas vazias do reitor, xs manifestantes seguiram-no até este se esconder novamente atrás de portas fechadas. Assim com o caminho barrado na Recepção da Reitoria, colocou-se uma faixa à sua janela e reuniram-se na escadaria da reitoria de forma para discutir em assembleia os proximos passos da luta.

Divulgamos aqui um texto consensualizado em assembleia:

ASSEMBLEIA ANTI-FUNDAÇÃO

Mais de uma centena de pessoas reuniu-se hoje numa concentração contra a Fundação. A concentracão percorreu o Pólo I da UC, dirigindo-se então à Reitoria. Depois de o Reitor ter vindo falar com xs manifestantes, insatisfeitas com as suas palavras vagas, as pessoas presentes no protesto reuniram-se em assembleia para discutir os próximos passos da luta contra a Fundação.
Nesta Assembleia, as presentes decidiram chamar nova assembleia esta quarta-feira às 18h à entrada da Faculdade de Letras.
Chamamos estudantes, professoras e funcionárias para participar nesta Assembleia, para nos esclarecermos colectivamente sobre o Regime Fundacional e preparar futuras acções de esclarecimento da comunidade universitária.
20 de Fevereiro de 2017

aqui: https://www.facebook.com/guilhotina.info

‘Algumas verdades sobre o individualismo libertário’, por Júlio Carrapato


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Numa altura em que muitos, ainda inebriados pela teologia marxista-leninista, põem em oposição o individualismo ao associativismo ou o individuo ao colectivo, convém recordar aquilo que sempre distinguiu os anarquistas das correntes autoritárias e que foi o acento tónico permanentemente colocado no indivíduo livre e livremente associado a outros indivíduos livres. Só desta associação horizontal poderá resultar uma efectiva e profunda transformação da sociedade, de que as associações serão o gérmen.

Para os anarquistas, que bebem directamente da tradição libertária, só indivíduos autênticos, únicos, autónomos, se podem associar com outros iguais – se não resta a massa, facilmente manobrável e controlável, seja nos regimes de capitalismo de Estado ou de mercado, seja nos países totalitários de marca fascista ou comunista, como bem observou Wilhelm Reich na sua “Psicologia de massa do fascismo” ou Hannah Arendt nos escritos contra o totalitarismo. Ao contrário dos marxistas, que reduzem todo o conteúdo civilizacional à economia e à luta de classes, confundindo a parte com o todo, os anarquistas consideram que são diversos os factores que influem na transformação social e, sem pôr em causa a importância da economia e da luta que opõe as classes detentoras do poder e dos meios de produção às classes exploradas e oprimidas, não menosprezam outras áreas da realidade e centram, quase sempre, o seu olhar sobre o individuo, enquanto tal, base e fim último da transformação individual e colectiva por que lutam e anseiam.

O texto que a seguir se divulga é assinado por Júlio Filipe e foi publicado no jornal “O Meridional”, nº 1, de Abril de 1978. O seu autor é Júlio Carrapato, um dos anarquistas mais influentes nas décadas de 70/80 do século passado no movimento libertário em Portugal. Ele próprio – um admirador de Durruti, tendo traduzido para português a sua biografia –  assumia-se como um colectivista, na velha tradição da CNT espanhola, sem que considerasse que isso entrava em contradição com o individualismo libertário que advogava e  que fora beber a homens como Albert Libertad ou Max Stirner.

Fica aqui este texto, escrito no estilo singular de Júlio Carrapato, em defesa do individualismo libertário. E, como ele, consideramos que a crítica cerrada ao individualismo é um dos grandes mitos construídos pelo marxismo e pelas correntes autoritárias para assim melhor manobrarem no seu interesse as vontades individuais.

Individualismo que, na perspectiva libertária, não se opõe à associação e à solidariedade, nem ao apoio mútuo entre iguais, antes pelo contrário: o livre associativismo pressupõe – e ajuda também a criar – indivíduos livres, autónomos, solidários e… únicos.

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(Portalegre) ‘Culturas e dissídios’ junta activistas da área libertária este fim-de-semana


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Nuno Pinto, anos depois da peça Cabaré Surrealista,  ainda sob os seus fecundos efeitos

Local: Quinta dos Bardinhos ● Portalegre (*)
Informações: 967 971 609 
Ciclos organizados por Joëlle Ghazarian
Entrada gratuita
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(ensino) Em Coimbra todas as lutas vão dar ao “Não à Fundação”


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Como anunciado pelo Conselho de Repúblicas, as Repúblicas de Coimbra estão a organizar uma semana de actividades contra a passagem da Universidade de Coimbra a Fundação. Uma semana repleta de conversas, acções de rua e muito mais, que culmina com uma Concentração Anti-Fundação na próxima segunda-feira, 20 de Fevereiro.

Juntamos ligações para o Comunicado do Conselho de Repúblicas e para fotos de faixas contra a Fundação em mais de uma dezena de Repúblicas.

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