Marcha em solidariedade com Ocalan e o Curdistão junta mais de 30 mil em Estrasburgo


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#FreeOcalan #LongMarch11F Termina a marcha em solidariedade com o #Curdistão | Aproximadamente 30 000 curdos e internacionalistas marcharam ontem, dia 11 de Fevereiro, em Estrasburgo para exigir a libertação de Abdullah Ocalan e estatuto político para o Curdistão

No dia 1 de Fevereiro, mais de 70 internacionalistas solidários/as com Abdullah Ocalan e o Curdistão reuniram-se no Luxemburgo para rumar a Estrasburgo e exigir estatuto político para o Curdistão e a libertação de Ocalan. Esta marcha de 10 dias iniciou-se em frente ao Tribunal Europeu de Justiça com a leitura de um comunicado por parte do movimento curdo na Europa, seguido de comunicados de solidariedade por parte das comitivas internacionais de diferentes regiões – desde a América Latina até ao Médio-Oriente.

Escrevemos esta crónica logo após o fim da marcha, ainda a tentar digerir todas as emoções vividas ao longo destes 11 dias, onde foram percorridos mais de 250km. Um caminho tortuoso, com condições meteorológicas que se revelaram complicadas em certos dias, com chuva e vento fortes. E também o desgaste físico se fez sentir, com o aparecimento de pequenas lesões derivadas das caminhadas que rondaram uma média de 25km por dia. O movimento curdo tem um ditado que diz que os seus únicos amigos são as montanhas, aqui teremos de alterar o ditado visto que não temos as montanhas, mas temos um fator chave – a solidariedade internacional com a revolução curda. Passados 10 dias de marcha, as estradas que ligam o mundo ao Curdistão estão cada vez mais largas. Sinal disso mesmo são as diferentes pessoas que vêm saudar a marcha quando esta chega às suas vilas/cidades e o feedback que temos recebemos por parte das mesmas, mostrando-nos o seu apoio à causa e denunciando também a ditadura fascista que neste momento atravessa a Turquia.

Os reflexos do fascismo do estado turco também se fizerem sentir ao longo desta marcha. Nos últimos três dias, várias foram as provações e confrontos com a marcha internacional por parte dos grupos de extrema-direita turcos ligados aos lobos cinzentos. Não lhes dedicaremos muitas mais palavras. Como diz Durruti: “O Fascismo não se discute, destrói-se.” E assim foi com a marcha internacional – resistimos e superámos colectivamente estes ataques e a marcha seguiu ainda mais coesa e solidária.

Com a chegada aos destinos de cada dia, a prática era de ficarmos em pavilhões, mas em alguns dos dias também famílias curdas e turcas que estão solidárias com o povo curdo nos acolheram. Queriamos aproveitar para lhes dedicar estas palavras, porque é certo que realmente têm algo de especial. Cada porta aberta dá-nos a conhecer pessoas com um coração enorme, que realmente encaram e vivem de uma forma diferente à que estamos habituados a presenciar no contexto ocidental – o comunalismo e a solidariedade são a base social destas pessoas, rejeitando a vivência individualista que a modernidade capitalista tenta produzir. Também encontramos nos relatos destas famílias, um ponto em comum: a resistência com que encaram a sua vida mesmo tendo várias pessoas do seu círculo que perderam a vida a lutar pela revolução curda, e contra o fascismo dos estados imperialistas. Mesmo com estas perdas a sua base social segue forte, sempre com o comunalismo e a solidariedade presentes.

Também ao longo destes dias têm sido dados seminários sobre diversos temas. Começámos com uma reflexão do primeiro capítulo do livro de Ocalan “ Origens da Civilização” onde debatemos e refletimos acerca de um dos temas centrais da sua teoria: o “regime da verdade”. Três dias depois foi a vez do seminário de Jineoloji (a ciência das mulheres), com a presença de uma companheira que faz parte do comité de Jineoloji. No dia seguinte foi a vez do seminário sobre o modelo do confederalismo democrático.

Algo do qual nos apercebemos ao longo desta marcha é que todas as companheiras e companheiros que aqui estão presentes, com os seus diferentes contextos e situações políticas, aparentam ter algo em comum – a confiança de que o modelo que o Curdistão propõe pode ser a resposta para toda a crítica que ao longo dos anos tem sido desenvolvida ao modelo capitalista ocidental.

Ontem dia 11, aproximadamente 30 000 curdos e internacionalistas confluíram em #Estrasburgo para manifestar-se de forma unitária e realizar um encontro multitudinario organizado pelo KCDK-E (Congresso da Sociedade Democrática Curda na Europa) e TJKE (Movimento de Mulheres Curdas na Europa) para lembrar as potências internacionais que passam 18 anos do fatídico 15 de Fevereiro de 1999, data em que estas mesmas potências acordaram o sequestro de Abdullah Ocalan e a sua entrega às autoridades turcas. Em Estrasburgo uma vez mais ficou demonstrado que, contra todas as adversidades, o povo curdo soube resistir e conseguir o impossivel: fazer chegar a toda a humanidade o seu projecto de sociedade, que brilha de uma forma imparável em Rojava, Shengal e em todo o Curdistão.

A nação democrática para o Curdistão, o confederalismo democrático no Médio-Oriente e o sistema confederal democrático mundial é um modelo vivo que cria e gera grande esperança, porque propõe um sistema realizável, uma filosofia de vida para toda a humanidade e que supõe uma vitória da modernidade democrática contra a modernidade capitalista.

Por fim a quem não apanhou, podem consultar aqui os primeiros artigos a propósito da nossa cobertura da marcha :
– Quem é Abdullah Ocalan | http://bit.ly/2l85xaG
– O que é o Curdistão? | http://bit.ly/2kHhjYE
-O modelo de confederalismo democrático em Rojava e a declaração de autonomia. | http://bit.ly/2lcIwR0

Texto escrito com o apoio da Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão

aqui: guilhotina.info

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