Mês: Setembro 2017

(referendo) CGT apresenta pré-aviso de greve geral na Catalunha entre os dias 3 e 9 de Outubro


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O sindicato anarco-sindicalista CGT (Confederação Geral do Trabalho, terceiro maior sindicato de âmbito estatal em Espanha) apresentou hoje o pré-aviso de greve geral na Catalunha em resposta às buscas e às detenções praticadas pelas forças policiais do Estado espanhol na Catalunha relacionadas com o referendo sobre a independência do dia 1 de Outubro. A greve está convocada para sete dias entre 3 e 9 de Outubro.

O pré-aviso, apresentado no Departamento do Trabalho e nas patronais, exige o “fim de todas as práticas que suponham uma violação dos direitos (cívicos e políticos) fundamentais”. Por outro lado, inclui entre os motivos para a convocatória a exigência de que terminem “todas as práticas que não permitam garantir nos locais de trabalho quer a integridade física nas deslocações, quer uma adequada política de segurança e higiene”.

http://www.elperiodico.com/es/economia/20170921/huelga-general-catalunya-referendum-6301311

http://cgt.org.es/noticias-cgt/comunicados/la-cgt-ante-la-represion-desatada-por-el-estado-en-catalunya

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A CNT face ao referendo da Catalunha de 1 de Outubro


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A CNT face ao 1-O: frente à repressão, defender os direitos e as liberdades

Ante a escalada repressiva que estamos a sofrer depois da convocatória do referendo de autodeterminação na Catalunha do próximo 1 de Outubro, a Confederação Nacional do Trabalho não quer, nem pode, permanecer calada:

  • A CNT sempre se mostrou favorável ao direito à autodeterminação dos povos nos seus acordos tomados em Congresso. Não encontramos razões para repensar a nossa posição no caso do referendo catalão.
  • Os cidadãos da Catalunha devem poder expressar-se em liberdade. O direito a decidir sobre todos os aspectos que afectam as nossas vidas é o pilar de base para a construção de uma sociedade livre e igualitária.
  • A Constituição imposta pelo regime de 78 não pode servir como desculpa para negar a palavra à sociedade ou para quando as reivindicações sociais não agradam aos partidos no poder. A legitimidade, mais do que questionável de uma Constituição imposta em condições de excepção democrática, não é exigida da mesma maneira quando estes mesmos partidos acabam com a saúde universal, destroçam a educação pública, fazem crescer a desigualdade social com as suas políticas neoliberais ou limitam as nossas liberdades fundamentais.
  • A sociedade deve avançar no respeito pelos direitos e liberdades sem ter receio de que a sua luta possa infringir leis injustas. Pelo contrário, historicamente, a desobediência tem sido motor de progresso ao pôr em questão estruturas de poder aparentemente inamoviveis.
  • Por isso, a CNT denunciará e combaterá todos os movimentos repressivos do Estado que tentem coagir ou impedir que o povo, neste caso o catalão, expresse a sua vontade em completa liberdade.

 

#SensePor #SinMiedo

Secretariado Permanente da Confederação Nacional do Trabalho (CNT)

Bilbao a 20/09/2017

aqui: http://www.cnt.es/noticias/cnt-ante-el-1-o-frente-la-represi%C3%B3n-defender-los-derechos-y-libertades

(Lisboa) Prédio abandonado da Câmara Municipal ocupado pela ‘Assembleia de Ocupação de Lisboa’


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Prédio em Lisboa encontra-se ocupado

O número 69 da Rua Marques da Silva encontra-se ocupado. A acção parte da iniciativa de um grupo de pessoas, sem qualquer filiação institucional, unidas pela vontade de dar vida a um imóvel abandonado.

Nos últimos anos, o direito a habitar na cidade de Lisboa tem sido alvo de diversos ataques. Num cenário de crise económico-financeira e de austeridade, a alteração da lei das rendas por parte do anterior governo veio permitir novas oportunidades de negócio a fundos de investimento e demais entidades especuladoras. Ao mesmo tempo, a imagem da cidade como um local solarengo, pitoresco e pacífico, promovida por indústrias turísticas, contribuiu para o aumento do número de pessoas interessadas em visitar e morar em Lisboa. O mercado está em alta e os preços também. Bairros onde as rendas eram outrora minimamente acessíveis viram os seus valores aumentarem de uma forma brutal. A recomposição destrutiva dos modos de vida na cidade, agora reservada a quem consegue pagar mais caro, é ilustrada pelos sucessivos casos de despejo.

A Câmara Municipal de Lisboa, proprietária deste imóvel (e de tantos outros milhares), tem uma grande responsabilidade neste processo. Medidas como o Programa de Renda Acessível encontram-se longe de constituir uma resposta efetiva ao problema. O seu objetivo é mais simbólico do que material, contribuindo para a legitimação de uma política habitacional marcada pela falta de iniciativa, pelo desbaratar de património e pela cumplicidade com fundos de investimento, inclusive na definição de supostas políticas sociais.

Perante este cenário, interessa-nos aprofundar um debate crítico sobre a cidade e as suas transformações que tenha consequências práticas. Neste sentido, a ocupação desta casa não se limita a retirá-la das malhas da especulação, querendo fazer dela um espaço de usufruto social, seja habitacional, educativo ou cultural. As hipóteses de utilização ainda estão em aberto e vão ser discutidas e decididas numa assembleia horizontal, a decorrer no dia 17 de Setembro (domingo) às 16h. São bem-vindas todas as pessoas interessadas em participar na sua reconstrução e dinâmica.

Arroios – Lisboa, 15 de Setembro 2017

Assembleia de Ocupação de Lisboa (AOLX)

Actividades no espaço
Sexta-feira, 15 de Setembro
21h: Jantar e convívio

Sábado, 16 de Setembro
17h: Apresentação de um arquivo histórico sobre ocupações em Portugal
18h: Debate sobre cidade

Domingo, 17 de Setembro
16h: Assembleia de Ocupação de Lisboa

Mais informações
Mail: assembleiaocupacaolisboa@gmail.com
Facebook: Assembleia de Ocupação de Lisboa – Aolx
Twitter: @aolx_squat

Moção do 75º Congresso da Federação Anarquista (francófona) reunida em Laon e Merlieux nos dias 3, 4 e 5 de Junho


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A Federação Anarquista esteve reunida no seu 75º Congresso, nos dias 3, 4 e 5 de Junho de 2017 em Laon e Merlieux (Aisne) para abordar a situação mundial e actualizar o seu projecto anarquista.

O capitalismo globalizado e os seus apoios estatistas e religiosos acentuam as pressões sobre a humanidade e o ambiente de forma a garantirem, através de modos de regulação e de produção cada vez mais brutais, o triunfo da lógica do lucro.

A tese da crise permanente do capitalismo que justifica as políticas de austeridade e de regressão social serve para camuflar a realidade: os ricos são cada vez mais ricos enquanto os pobres são cada vez mais numerosos e sobrevivem na miséria. Nisto, o capitalismo cumpre perfeitamente o seu papel.

A arrogância dos capitalistas encorajada por uma verdadeira colonização dos espíritos põe hoje em causa o pacto saído da segunda guerra mundial que instituiu a protecção social e o sistema de reformas pela repartição e pela redistribuição limitada das riquezas, a fim de afastar o espectro revolucionário e fazer crescer uma nova classe dita média e a sociedade industrial e de consumo massificadas.

O sistema capitalista procura sem cessar novas fontes de lucro incarnadas hoje pelo capitalismo verde, a digitalização e a robotização da economia e mesmo o fim do salariato ao individualizar a relação entre o trabalhador e o patrão pela uberização e pelo empreendedorismo.

O capitalismo pauperiza a classe média, cujo primeira utilidade era neutralizar o perigo revolucionário, o que torna a luta de classes mais clara e mais directa.

Em contrapartida, o aparelho repressivo do Estado e o poder das religiões sobre as consciências reforçam-se para imporem o medo e a resignação. O estado de emergência que era uma excepção tona-se a norma, a presença militar nas ruas, a vigilância generalizada e as restrições às liberdades públicas banalizam-se, a polícia militariza-se e radicaliza-se, torna-se facciosa e multiplica as violências e as provocações.

As eleições presidências passadas e as legislativas que aí vêm demonstram uma progressão das tendências soberanista e populista e, ao mesmo tempo, uma vontade evidente de eliminar a consciência de classe ao querer-se suprimir a clivagem esquerda-direita como sublinharam os dois finalistas da última corrida ao Eliseu. O poder colocou no cargo o candidato que era melhor para defender os interesses do patronato e da finança. A sua missão é um programa de demolição social na mesma linha dos presidentes e governos precedentes em marcha pelo desfazer do Código do Trabalho, uma fiscalidade anti-social, a supressão dos regimes especiais e o pôr em prática um sistema de reforma por pontos…

A Frente Nacional ultrapassa os 10 milhões de votos jogando com o medo do outro e erigindo em defensora de fachada dos ganhos sociais. No entanto, o Capital já não tem necessidade da FN para atingir os seus fins: o MEDEF apelou ao voto em Macron.

O projecto de Mélenchon é um impasse. O modelo do líder carismático, novo salvador supremo, messias dos tempos modernos, incarnação do “povo” desviou a questão social do terreno da luta de classes para o da luta pelos lugares. A impostura dos partidos Syriza e Podemos na Europa ou os regimes de Chavez e Maduro na Venezuela testemunham a sua submissão aos diktats capitalistas: o Poder continua maldito.

Se os anarquistas estão voluntariamente ausentes das urnas e do espectáculo mediático, continuam presentes e activos nas lutas e nas alternativas. O nosso anti-eleitoralismo está em linha com a rejeição crescente da classe política e com o interesse, também crescente, pelos mandatos imperativos, a rotação e a revogabilidade dos mandatos e o federalismo libertário.

O papel dos revolucionários é o de desenharem as perspectivas que permitam credibilizar e encarar a transformação social. Nisso o movimento anarquista não capitulou e resta fiel ao seu projecto revolucionário: o socialismo libertário sem fronteiras.

Para isso, a difusão das nossas ideias e das nossas práticas deve ser o nosso objectivo essencial, aprendendo com as diversas lutas e fazendo o que for necessário para questionarmos e reactualizarmos as nossas propostas e as nossas práticas.

Os tempos mais próximos necessitam a mobilização de todas as forças ligadas à emancipação. A Federação Anarquista reunida no seu 75º Congresso tomará o lugar que é o seu neste combate e apela aos indivíduos e aos grupos que partilham o nosso projecto comum para se lhe juntarem e a reforçarem.

Tradução: Portal Anarquista

aqui: https://www.federation-anarchiste.org/

Declaração do Congresso de Fundação da Resistência Estudantil Luta e Liberdade


 

resitência estudantil

(O Coletivo Estudantil Libertário passou por um processo de reestruturação que culminou na Fundação da Resistência Estudantil Luta e Liberdade. Vimos assim, por este meio, pedir a divulgação da nossa declaração)

Várias e vários estudantes do ensino secundário e universitário português deram início em Julho de 2017 ao processo de fundação da organização de tendência Resistência Estudantil Luta e Liberdade.

Com tendência referimo-nos a uma organização que atue no movimento estudantil, fortalecendo-o e não substituindo-o. Acreditamos na necessidade de um movimento estudantil bem organizado e autónomo em relação ao Estado, aos partidos políticos e entidades burocráticas, organizado de baixo para cima, de maneira a que cada luta que travamos reflita as nossas necessidades enquanto estudantes, e não os interesses de um punhado de oportunistas.

Sabemos que o movimento estudantil em Portugal tem sofrido diversas derrotas e retrocessos, com a precarização e consequente mercantilização do ensino público. Identificamos cada vez mais a elitização e exclusão através das propinas e do avanço da privatização da universidade pública com a recente introdução do regime fundacional, com baixa resistência por parte da comunidade escolar. A burocratização bem como o aparelhamento do movimento por partidos políticos demonstraram-se verdadeiras fábricas de derrotas que necessitam de ser superadas para que tenhamos conquistas reais.

O nosso acordo é definido a partir da nossa atuação e perspectiva, e não de uma ideologia específica, como o anarquismo ou o marxismo. Fechamos assim uma fase de organização, o Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa, para avançar na missão de construir um movimento estudantil forte, classista, autónomo e combativo.

Convidamos todas e todos os estudantes do movimento estudantil em Portugal interessados nesta nova etapa a juntarem-se a nós na construção de um movimento estudantil realmente das e dos estudantes, que ouse lutar e ouse vencer.

ARRIBA LAS QUE LUCHAN!
LUTAR! CRIAR! PODER POPULAR!
DEFENDER O PÚBLICO, CONSTRUIR O COMUM!

aqui: https://www.facebook.com/RELutaLiberdade/photos/a.966188940072393.1073741828.951731221518165/1656203967737550/?type=3&theater

(Brasil) ‘El Coyote’: um novo espaço informativo na web de contornos libertários


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Mais um jornal na web, crítico e alternativo, anti-autoritário, federalista, autogestionário e de assumidos contornos libertários. Para seguir com atenção!
 
Quem Somos
MANIFESTO
 
1 – Liberdade
 
Em que Acreditamos
1.1 – Acreditamos que o autoritarismo é um mal, uma corrente que aprisiona a humanidade a serviço de uns poucos poderosos e privilegiados. Em oposição aos caminhos autocráticos seguidos ao longo da História, defendemos alternativas libertárias e construídas horizontalmente, devendo utilizar meios condizentes com os fins que buscamos atingir.
1.2 – Acreditamos que a população pode decidir aquilo que lhe diz respeito por conta própria, sem imposição de cima para baixo, mas sim com organizações democráticas federadas, funcionando com um modelo administrativo pautado na autonomia, a autogestão. Entendemos que sem organização, não pode haver sociedade.
1.3 – Acreditamos na busca da felicidade, não pautada no individualismo mesquinho, mas na liberdade coletiva de cada um por toda a comunidade. Os direitos à própria sexualidade, estilo de vida, filosofia e gostos pessoais devem ser respeitados, levando sempre em conta o bem estar geral.
 
2 – Igualdade
 
O que Buscamos
2.1 – Buscamos a harmonia social no reconhecimento mútuo como seres humanos, na ausência de privilégios individuais ou coletivos. Rejeitamos as hierarquias fictícias criadas para dividir os seres humanos por gênero, raça, nacionalidade, etnia, religião ou classe social.
2.2 – Buscamos uma sociedade onde as pessoas tenham controle sobre seu Trabalho e sobre o fruto deste, onde não hajam poucos com muito e muitos com pouco. A chantagem econômica, a centralização administrativa e o militarismo são elementos de um mundo que desejamos superar.
2.3 – Buscamos empoderar organizações populares, garantindo que elas tenham para si o direito de se autogovernar, combatendo o monopólio da informação, da decisão, da segurança e do funcionamento geral da sociedade. A igualdade de direitos implica também a igualdade de deveres.
 
3 – Fraternidade
 
O que Defendemos
3.1 – Defendemos o direito à Educação e Instrução, o desenvolvimento científico e a busca de conquistas sociais. A razão e a ciência devem nos auxiliar na construção de um mundo mais fraterno.
3.2 – Defendemos a ajuda a quem necessita e a construção da ajuda mútua entre os seres humanos, a solidariedade internacional na construção de um mundo justo. A cooperação é a base de toda sociedade saudável.
3.3 – Defendemos o respeito ao planeta e às causas ecológicas, pois entendemos que o bem geral depende de uma casa em ordem e saudável. A sustentabilidade e a negação da destruição ambiental são os fundamentos do que buscamos erguer.
 

(Brasil) Revista académica publica dossiê sobre Anarquismo


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A Revista académica brasileira “Espaço Acadêmico”publica na sua última edição,  n. 196 de  setembro de 2017 um DOSSIÊ sobre Anarquismo: educação, gênero e movimentos sociais, com colaboração de diversos autores.

Rogério Cunha de Castro
Imagem para capa
Joaquim António Sousa Pintassilgo
01-13
Imagem para capa
Mariana Affonso Penna
14-27
Imagem para capa
Rafael Viana da Silva
28-40
Imagem para capa
Leonardo Leonidas Brito, Rogério Cunha de Castro
41-53

ecologia

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Guilherme Nunes Pires, Maria Beatriz Oliveira da Silva
54-65

filosofia

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Daniel Nery da Cruz
66-80

geografia

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Kena Azevedo Chaves
81-93

literatura brasileira

Imagem para capa
Eduardo Navarrete
94-106
Imagem para capa
Pedro Filipe de Lima
107-118

políticas públicas

Imagem para capa
Luciana V. M. Bernardo, Maycon Jorge Ulisses Saraiva Farinha
119-132

psicologia

Imagem para capa
Paulo Roberto de Carvalho
133-144

universidade em debate

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Renato Nunes Bittencourt
145-154

resenhas & livros

Imagem para capa
Marquessuel Dantas de Souza
155-157
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MANIERI, Maria Rosaria. Fraternidade: releitura civil de uma ideia que pode mudar o mundo. Tradução: Luiz Sérgio Henriques. Brasília: Fundação Astrojildo Pereira; Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2017, 144 p.

aqui: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/view/1328