Hoje em Coimbra: apresentação da reedição de livro do professor libertário Aurélio Quintanilha sobre a Universidade Livre


CEL 43(na foto, ao centro, Aurélio Quintanilha aquando da visita à sede de A Batalha, em Lisboa, no inverno de 1974/1975)

DIA: 12 de Outubro 2017 (18,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro, 64);
ORADOR: Carlos Fiolhais.

Trata-se da reedição do raro opúsculo do cientista, investigador, professor, pedagogo, libertário e maçon, Aurélio Quintanilha (1892-1987) e que transcreve o discurso por si pronunciado na sessão inaugural da Universidade Livre de Coimbra, a 5 de Fevereiro de 1925, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Aurélio Quintanilha nasceu em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, no ano de 1892 e faleceu em Lisboa em 1987. Chegou a Coimbra para se matricular na Universidade e estudar medicina no ano lectivo de 1910/1911. Participou na Juventude sindicalista e no Congresso do Livre Pensamento, em Lisboa (1913). A sua companheira, Suzana, fez a distribuição de um manifesto assinado pelos presos sindicalistas denunciando aos Congressistas as violências policiais do Governo Afonso Costa.

Nessa época, Neno Vasco regia em casa de Quintanilha um curso de italiano, pelo método Berlitz, a que assistia também Adriano Botelho. Os alunos eram Maria Amélia Caldas, Suzana Quintanilha, Sobral de Campos, Aurélio Quintanilha e António Ma­naças .

Foi nesta oportunidade que Adriano Botelho, por insistência de Quintanilha, principiou a escrever e conheceu Aurora Moscoso, cunhada de Neno Vasco, com quem veio a casar.

Pouco depois Aurélio Quintanilha foi preso em Viana do Castelo. Esta prisão fora ordenada pelo escritor Bourbon e Meneses, polícia a soldo dos democratas e mais tarde socialista. No ano seguinte, (1915), Aurélio Quintanilha representou as Juventudes Sindi­calistas no Congresso do Ferrol, que a polícia espanhola dispersou, prendendo e colo­cando na fronteira os Congressistas.

Faziam parte dos seus amigos os anarquistas António José de Ávila, Neno Vasco, Miguel Córdoba, Pinto Quartin, e os jovens sindicalistas Manuel de Figueiredo, Álvaro Franco, Esteves Tavares, Queiroz, Virgílio Valverde, Magalhães, Abel Lemos e outros, alguns dos quais tomaram rumos diferentes dos seus, mais tarde.

Colaborou em A Batalha e noutros jornais libertários.

Esteve exilado por questões ideológicas, em França, e mais tarde formou-se em ciências onde se distinguiu e nasceu o sábio.

Distinguido com o Prémio Artur Malheiro em 1943 por trabalho sobre ciências naturais; em 1958, o jornal República classificou Aurélio Quintanilha como “Cientista eminente” um dos maiores sábios portugueses com projecção inter­nacional”, foi, nesse mesmo ano, obrigado pelo regime de Salazar a um “exílio interno”, em Moçambique, onde esteve até depois da independência.

Em 1958, no Congresso Internacional de Genética de Montreal, “expôs minucio­samente as suas críticas às discutidas teorias do Genecista soviético Lysenko”.

Em 1975, em passagem por Lisboa, participou de uma reunião anarquista na sede do Movimento Libertário Português, onde reviveu a mocidade e encontrou velhos companheiros.

Aos 87 anos de idade retoma o seu lugar de professor na Universidade de Lourenço Marques, (Maputo), a partir de 1975.

Ver também: http://arepublicano.blogspot.pt/2017/10/a-universidade-livre-de-coimbra_11.html

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