Mês: Março 2018

(Porto, 4, 5 e 6 de Maio) Convite à participação no Encontro Anarquista do Livro


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Nos dias 4, 5 e 6 de Maio decorrerá no Porto o Encontro Anarquista do Livro, um momento de intercâmbio de material, experiências e comunicação.

Para além da importância de estreitarmos laços e criarmos redes de cumplicidade entre nós, este encontro pretende ser um espaço de difusão da nossa presença e das nossas ideias.

Para tudo isto, lançamos o convite para que partilhem connosco esses dias com as vossas editoras e distribuidoras e também com as vossas ideias para outras coisas que achem por bem organizar.

A confirmação de presenças de bancas, as propostas de actividades e as necessidades de alojamento devem ser enviadas até ao dia 25 de março para o email encontroanarquistadolivro@riseup.net

Saúde e Anarquia!

Afrin: a guerra mudou para outra etapa


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A Administração Autónoma Democrática do Cantão de Afrin declarou que decidiram evacuar os civis da cidade para evitar massacres, e que a guerra mudou para uma nova etapa.

A Admistração Autonoma Democrática do Cantão de Afrin realizou uma conferência de imprensa em Shehba e anunciou a sua decisão de evacuar os civis da cidade de forma a evitar massacres e um grande desastre humanitário.
Funcionários da admistração do cantão e porta-vozes das YPG e YPJ estiveram presentes na conferência de imprensa onde uma declaração foi lida pelo co-presidente do Concelho Executivo, Osman Şêx İsa.

O texto completo da declaração é o seguinte:

“A heroica resistência de Afrin contra o exército Turco e os seus colaboradores (restos de membros do ISIS e também Jabhat Al-Nusra juntos sobre o mesmo nome de “Free Army”) já vai nos seus 58 dias.
Os ataques contra Afrin começaram a 20 de Janeiro com uma aliança com a Rússia e o silêncio dos poderes regionais. A Rússia deixou o espaço aéreo livre de maneira a que o estado Turco cometesse um massacre contra as nossas pessoas com todas as suas armas, e sacrificou as pessoas pelos seus interesses.

“IMPUSERAM-NOS UMA MIGRAÇÃO FORÇADA E COMETERAM UM MASSACRE”

Estes ataques foram realizados com o silêncio dos poderes internacionais, da aliança anti-ISIS e do Concelho de Segurança das Nações Unidas.
Massacres e migrações forçadas têm vindo a ser impostas em Afrin. Centenas de civis sofreram todo o tipo de ataques. Este facto demonstra que os poderes mencionados não cumpriram com as suas responsabilidades para com o nosso povo e combatentes contra o ISIS e Erdogan que espalham o terror por todo o mundo.
O estado Turco pro-ISIS está usando grupos jihadistas para mudar a demografia em Afrin e establecer estas forças reacionarias e as suas familias no lugar das pessoas. O AKP massacrou centenas de civis que tentavam fugir destes ataques. Estão aplicando políticas genocidas contra o povo.

“DECIDIMOS EVACUAR OS CIVIS DA CIDADE”

Durante 58 dias de ataques, o nosso povo e os nossos combatentes organizaram uma grande resistência contra o segundo maior exército da NATO. O mundo inteiro deveria saber que o nosso povo e combatentes resistiram a esta força selvagem com grande determinação. No entanto, o exército invasor Turco atacou continuamente civis e durante os últimos dois dias, muitas crianças e mulheres foram massacradas, e os edifícios, casas, padarias, escolas, hospitais de Afrin foram demolidos e atacados de maneira planificada. Para evitar um grande desastre humanitário, decidimos evacuar os civis da cidade.

“A GUERRA MUDOU-SE PARA OUTRA ETAPA”

A nossa luta contra a invasão estatal turca e as forças obscuras, utilizando o nome de “Exército Livre Sírio” continua. No entanto, a guerra passou a outra etapa com novas táticas para evitar o massacre de civis e dar um golpe aos gangues. As nossas forças implantam-se por todas as partes de Afrin e infligem um golpe ao exército invasor Turco e aos seus gangues na sua própria base. Uma declaração de vitória de Erdogan e seus sócios não tem nenhum valor aos olhos da Turquia nem da opinião pública mundial. Nossas forças farão em todas as partes um pesadelo para eles. A resistência de Afrin continuará até que cada centímetro se libere e a gente de Afrin volte para os seus lares.

“SAUDAMOS A TODOS OS QUE ABRAÇARAM A RESISTÊNCIA EM AFRIN”

Ademais do povo de Afrin, os povos de todo o norte da Síria e Curdistão defendem a região de Afrin. Além disso, as forças democráticas de todo o mundo não deixaram Afrin só. Em nome do nosso povo, saudamos a todos os que abraçaram a resistência de Afrin. Pedimos-lhes que continuem apoiando o nosso povo contra as políticas genocidas e pressionem para que o nosso povo regresse para casa e que as forças de invasão Turca saiam de Afrin.

“A ONU DEVE TERMINAR COM A SUA HIPOCRISIA”

Por último, pedimos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que não permaneça em silêncio e que pressione o estado Turco para que termine a guerra de genocídio físico, cultural e político contra a nossa sociedade. A ONU deveria terminar com a sua hipocrisia e tomar as decisões necessárias com respeito ao derramamento de sangue em Afrin e Ghouta Oriental.

“500 CIVIS E 820 COMBATENTES FORAM ASSASSINADOS”

Desde o começo dos ataques, 500 civis, incluídos crianças, mulheres e idosos, foram assassinados pelo estado fascista Turco e mais de 1.030 resultaram feridos. Aparte disso, 820 combatentes das SDF [Forças Democráticas Sírias] caíram mártires.

Prometemos à nossa gente, aos nossos mártires e aos feridos que os vingaremos. A nossa causa é a causa da resistência e da luta baseada na lealdade aos nossos mártires, e o nosso objectivo é a vitória”.

aqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/45801

original: https://anfenglish.com/rojava/afrin-administration-the-war-has-moved-to-another-stage-25570

Olh’à Batalha nº 277/278


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Já está nas bancas e na casa dos assinantes o número duplo 277/278 de “A Batalha”, o jornal de expressão anarquista que já foi jornal diário e órgão da CGT, a confederação anarco-sindicalista dos trabalhadores portugueses.

Notando-se cada vez mais o projecto de renovação em curso,  esta edição de “A Batalha tem 32 páginas com destaques diversos, entre os quais, dois breves artigos sobre José Hipólito dos Santos, falecido no ano passado, da responsabilidade de João Freire e Manuel Villaverde Cabral, que com ele conviveram de perto; um artigo sobre a Assembleia de Ocupação de Lisboa e a casa okupada (e depois desokupada às ordens da CML); uma crónica, de conteúdo social, de Miguel Sampaio, que já andou pelas hostes do BE, mas retorna agora ao espaço libertário; um conto de Ursula K. Legun, a escritora libertária recentemente desaparecida; um longo artigo sobre o RBI – Rendimento Básico Incondicional; mais um artigo de Francisca Bicho sobre os cinquenta anos da morte de Gonçalves Correia; uma entrevista ao grupo dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS; um artigo sobre Carlo e Anita Aldegheri, de Mário Rui Pinto, e muito mais, entre artigos, ilustrações, opinião…

Um jornal que está a melhorar número a número e a congregar cada vez mais colaborações e que acaba de mudar de contacto. Qualquer correspondência deve ser enviada para: CEL/A BATALHA, Apartado 4037, 1501-001 Lisboa, Portugal. O email mantém-se: jornalabatalha@gmail.com.

“A Batalha” também está a procurar colaboradores pelo país. Caso haja companheiros que o queiram fazer podem entrar em contacto com a redacção.

Boas leituras!

Quem não é assinante que o faça para o email jornalabatalha@gmail.com . 12 números rondam os 13 euros. Apoiar a imprensa libertária é uma obrigação de todos os anti-autoritários.

“A Batalha” (2014): um projecto musical com origem em Guimarães


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A Batalha – “A Batalha” (7″ EP, Estrela Negra, 2014) 
 
Vindos de Guimarães, uma cidade que não estamos habituados a ouvir nestes meandros Underground e muito menos no Oi!, A Batalha é uma nova banda Oi! composta por quatro Skinheads Anarco-Sindicalistas. Como o próprio nome indica, a designação da banda foi influenciada pelo jornal com o mesmo título de índole anarquista e libertário que surgiu no inicio do séc. XX, como órgão oficial da Confederação Geral dos Trabalhadores. 
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O EP gravado e produzido em 2014 mas distribuído, a sério, em 2015 é ele mesmo um autêntico manifesto da Classe Operária, com banda sonora também ela working class, ou seja Streetpunk/ Oi! puro e duro. Mas engane-se quem julga que A Batalha cai em clichês e é apenas mais uma banda de 3 acordes e gritos de ordem. Os temas são bem estruturados e notam-se várias influências do mundo Punk, não só o Britânico mas também de outras paragens, nomeadamente das bandas italianas dos anos 80 e do streetpunk americano do inicio dos 90. O EP começa com o tema “A Batalha” com um feeling muito Oi! do inicio dos 80s; Menace ou Infa Riot vêm-nos à cabeça, mas com um solo final de guitarra mais “moderno”. O segundo tema é “Tarrafal”, com um início onde o baixo e a bateria num registo quase  post-punk suportam um sampler de um testemunho de quem sobreviveu ao referido cárcere. Refrão forte, bateria arrastada e mais um belo trabalho da guitarra solo.
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O lado B abre com “A Guerra Foi Declarada” que tem um registo mais UK82, riff a rasgar com um andamento na linha de Defiance na fase “No Future No Hope”. A fechar em beleza uma versão de “A Cantiga É Uma Arma” de José Mário Branco, numa adaptação Streetpunk muito bem conseguida pela A Batalha. Rattus 2015.
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BATALHA

Cabeça rapada mente consciente,
Antifascismo da linha da frente.
Luta libertária como ideal,
na nossa batalha internacional

Oi Grito de guerra, Orgulho operário
Sempre presente no combate diário.
Orgulho de classe, com ódio ao patrão
Seremos obreiros em auto gestão.

Biqueira de aço, arma de rua,
União libertaria a nossa luta
Skinhead Oi, Multicultural,
Lutamos no nosso bairro até à
revolução social

 

 

TARRAFAL

Quase meio século de historia,
a ditadura foi uma noite escura,
audazes antifascistas ,
conheciam uma realidade dura,
A classe trabalhadora,
Era enviada para o degredo,
para uma ilha isolada,
onde só a morte não era segredo,

Tarrafal,
campo da morte lenta,
Bravos lutadores,
resistiram à tormenta
Tarrafal,
campo da morte lenta
No meio da escuridão,
a chama ficou acesa

os bravos lutadores fiéis
aos ideais,
lutaram pelo povo,
vivendo no purgatório

sobreviveram a um crime
friamente meditado, executado,
ou morreram em interrogatório
O clima, a água, as doenças
a falta de condições
faziam o trabalho dos carcereiros
Os trabalhos forçados,
os espancamentos,
a frigideira,
60 graus durante dias inteiros

 

 

GUERRA

A besta perdeu o medo,
tira a mascara, mostra o rosto,
O inimigo sedento de sangue,
está raivoso e furioso,
Predador selvagem, tudo quer caçar,
procura no povo fraco,
a presa para matar,

A guerra foi nos declarada,
(O medo mantem)
a consciência bloqueada
Está na altura acordar
E a guerra aceitar!

O povo com fome,
desamparado, desempregado,
O assalariado recebe migalhas,
é escravizado,
O direito à habitação
passou de direito a privilégio
Exigir os nossos direitos,
a nossa vida, é um sacrilégio!

 

 

A CANTIGA É UMA ARMA

(J. Mário Branco)

Eduardo Colombo (1929-2018). Um grande lutador anarquista que nos deixa


eduardo colombo

Hoje, terça-feira, 13 de Março, a triste notícia do falecimento de Eduardo Colombo dói-nos de forma dolorosa. Com Eduardo não só desaparece um querido e fraternal companheiro, mas também um pensador de primeiríssimo plano e um militante anarquista de convicções inabaláveis.

Corriam os anos quarenta quando o jovem estudante Eduardo Colombo se envolveu intensamente no movimento anarquista da sua Argentina natal participando nas lutas anarco-sindicalistas da FORA (Federação Obrera da Región Argentina), colaborando e assumindo responsabilidades de direcção no seu importante periódico “La Protesta”. Passou desde então um extenso período de mais de setenta anos durante o qual Eduardo Colombo não abandonou nem um só minuto o seu precoce e intenso compromisso com “a ideia” e com a causa dessa ansiada Revolução Social pela qual lutou toda a sua vida com inesgotável entusiasmo.

Médico e psicanalista, também foi professor de psicologia social na Universidade de Buenos Aires até que o golpe militar de 1966 o expulsou das suas tarefas docentes e o obrigou, poucos anos mais tarde, a procurar asilo em Paris onde chegou com sua companheira Heloisa Castellanos em 1970. Ali, pese as dificuldades para se reposicionar profissional e socialmente, não hesitou em envolver-se de imediato nas actividades do movimento anarquista em França, ao mesmo tempo que estreitava laços com a luta antifranquista do exílio libertário.

A sua vontade de interligar permanentemente pensamento e acção levou-o a situar-se como um dos teóricos mais importantes do anarquismo contemporâneo, ao mesmo tempo em que participava em dezenas de eventos no plano internacional. Mencionemos como simples exemplo dessa incansável actividade internacional a sua participação, como conferencista, nas jornadas libertárias de Barcelona em 1977, a sua contribuição para a organização do extraordinário encontro anarquista internacional de Veneza em 1984 ou suas intervenções no encontro anarquista internacional de Saint-Imier em 2012.

Os seus numerosos livros e artigos contribuíram para que fosse permanentemente solicitado para fazer conferência, sobretudo em Itália, Grécia, Espanha, Argentina e diversos países latino americanos, tendo sido também um dos fundadores em 1997 da revista anarquista de língua francesa “Réfractions” e um dos seus principais animadores durante duas décadas.

Haverá tempo para detalhar mais em pormenor a  sua inesquecível figura e as suas valiosas colaborações intelectuais que vão além do âmbito meramente anarquista e cobrem também o campo da psicanálise e da filosofia, mas não podemos fechar esta breve resenha de urgência sem sublinhar novamente que quem nos deixou hoje foi um militante anarquista de incomparável inteireza e grandeza, para além de ser uma belíssima e querida pessoa.

Tomás Ibáñez

Barcelona, 13 de Março de 2018

http://rojoynegro.info/articulo/memoria/eduardo-colombo-1929-2018-un-gran-luchador-anarquista-nos-deja

Sobre Haukur Hilmarsson, o anarquista islandês morto em Afrin: “era um companheiro terno e sensível. Foi consequente até ao fim”


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O Batalhão Internacional da Liberdade (IFB) que combate em Rojava lado a lado com o YPG pela libertação do povo curdo e a implementação do municipalismo de base libertária anunciou recentemente a morte de mais um combatente internacionalista o anarquista islandês, Haukur Hilmarsson, de 32 anos. Segundo o comunicado do International Freedom Battalion:

“O nosso camarada Haukur Hilmarsson (nome de guerra Sahin Hosseini) tornou-se imortal. Era um militante anarquista dedicado,que respondeu ao apelo antifascista do YPG e do Batalhão Internacional da Liberdade e que viajou imediatamente para se juntar à luta em Manbij. Impossibilitado de alcançar Rojava e deportado do Iraque para a Islândia natal, ele não desistiu. Voltou rapidamente à região e ganhou honra e respeito nas sangrentas batalhas de Raqqa, integrando como comandante de equipe a IFB. Ele era popular e todos os camaradas confiavam nele, por isso foi escolhido como representante no comitê da unidade. Pronto para partir depois da derrota do ISIS em Raqqa, voltou mais uma vez à luta para enfrentar as forças fascistas coloniais invasoras daTurquia e dos seus aliados jihadistas. Foi nessa luta que ele se tornou um mártir, em Afrin. Ao morrer, dizemos que ele se tornou imortal, pois nunca esqueceremos o seu combate, o seu nome e o seu exemplo – e nunca vamos desistir da luta. Os mártires são imortais!” (aqui)

José Diogo, um companheiro português residente na Islândia privou de perto com Haukur Hilmarsson e sobre ele deixa-nos, a pedido do Portal Anarquista, este depoimento:

“Que posso dizer?… Acima de tudo era um homem combativo, anarquista, pela acção directa. Conheci-o depois do colapso financeiro islandês de 2008. Lembro-me bem do seu activismo, do seu enorme entusiasmo em defesa dos requerentes de asilo e ultimamente dos refugiados. Depois da curta euforia revolucionária de 2008, os nossos encontros foram rareando. Ele, como muitos de nós por aqui, estava extremamente desiludido com a política na Islânda. E começou a ausentar-se, a viajar. O nosso último encontro ocorreu há 7 ou 8 meses atrás. Disse-me que tinha estado na Grécia com os companheiros anarquistas mas que, por diversas razōes, esses encontros não o satisfizeram. Depois nada mais soube dele… até ao dia de ontem: o dia em que chegou a triste notícia da sua morte em defesa de Afrin. Era um sonhador que sonhava acordado. Viveu como sempre quis: juntando o pensamento à acção. Foi consequente até ao fim. Era um homem terno e sensível e deixou-me uma grande dor no coração… E mais não sei dizer, companheiros.”

Novo site e arquivo da revista “A Ideia”


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Arquivo: https://aideia.blog/arquivo-2/i-serie/

Suplementos: https://aideia.blog/suplementos/

Site: https://aideia.blog/

A revista “A Ideia” foi o primeiro órgão de imprensa anarquista a ver a luz do dia após o 25 de Abril de 1974 em Portugal. A revista já estava a ser preparada em França quando se deu o 25 de Abril. Foi-lhe introduzido um texto referente ao golpe militar e distribuída durante o mês de Maio de 1974 (data, aliás, que figura no cabeçalho).

A revista na sua primeira série aborda temas relacionados com o anarquismo militante, dando a conhecer a biografia de muitos deles, a maior parte caídos no esquecimento ou desconhecidos dos militantes mais novos.

Mais tarde, a revista abordará temas mais teóricos, ligados ao ambiente, à ecologia social, ao municipalismo libertário, assumindo-se posteriormente como uma revista cultural, embora situada ainda no espaço libertário.

Apesar de todas estas variantes é uma das publicações libertárias (a par com a Batalha) de maior longevidade no território português.

PCP: o que fazer com esta palavra comunismo?


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“Liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade.” 

Bakunin

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Historicamente, o PCP foi fundado exactamente há 97 anos, no dia 6 de Março de 1921, numa reunião em Lisboa, quatro anos depois, e sob o impacto ainda, da Revolução russa.

Dizem as notícias da época que a reunião terminou com vivas ao PCP e à CGT, a central sindical da altura, anarcosindicalista e hegemónica no meio dos trabalhadores em Portugal.

Ao contrário de outros países, os anarquistas não tiveram qualquer papel na criação do PCP, que foi obra de antigos marxistas e sindicalistas sem qualquer marca ideológica que, muito depressa, começaram a combater os anarquistas nos sindicatos e a criar um movimento sindical paralelo, à margem da CGT, sempre que podiam.

Após o golpe militar de 28 de Maio de 1926, e com a acentuada repressão sobre a CGT e o movimento operário de índole anarquista, o PCP vive um período relativamente calmo, só interrompido pela jornada de 18 de Janeiro de 1934 contra a fascização dos sindicatos. Por proposta da CGT e do movimento libertário, os comunistas e os socialistas decidem participar numa jornada de protesto contra a tentativa do governo fascista de controlar totalmente as estruturas sindicais, cujas direcções teriam que, a partir de então, ser aprovadas pelo poder político e sujeitas a estatutos uniformes elaborados pelo governo.

Esta ingerência era inadmissível para o movimento operário organizado na CGT, que decretou uma greve geral à margem do “status quo” salazarista. A greve mobilizou milhares de trabalhadores nos locais onde a CGT tinha uma forte influência: margem sul (Almada, Barreiro, Alentejo, Silves…), enquanto que nos locais onde o PCP era mais influente redundou em fogachos de poucas horas (Marinha Grande, por exemplo) ou até em acções meramente provocatórias – a explosão de uma bomba na véspera do início do movimento na Póvoa de Santa Iria, pondo a polícia de sobreaviso. (Fátima Patriarca: Sindicatos contra Salazar)

Anos depois, Bento Gonçalves (secretário-geral do PCP) diria que o movimento foi uma “anarqueirada”, eventualmente referindo-se às acções que os seus camaradas na altura levaram a cabo…

Presos às centenas os anarquistas, conhecidos por estarem na direcção dos sindicatos e por serem os elementos políticos mais activos e combativos, as suas organizações são desmanteladas e os seus líderes exilados (muitos irão, pouco depois, abrir o Campo de Concentração do Tarrafal).

Alguns comunistas são presos nesta ocasião, mas com uma actividade mais limitada e sem uma verdadeira inserção no movimento operário, algumas das suas estruturas são deixadas incólumes (nomeadamente as Juventudes) e, mais tarde, sob a ajuda directa da União Soviética, e dos seus apoios económicos, reconstruidas em termos de equipamentos e funcionários. (Milhazes: Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril)

Ao mesmo tempo que os sindicatos dirigidos pelos anarquistas eram fechados por não aceitarem a tutela governamental, diversos comunistas aceitavam participar nos sindicatos fascistas, assumindo um colaboracionismo que os anarquistas nunca aceitaram.

Com a União Soviética em plena época expansionista – em que a palavra de ordem era dar força aos partidos comunistas nacionais para servirem de retaguarda e de forças avançadas da “pátria do socialismo” – , com a derrota anarquista na revolução espanhola, com os seus militantes mais esclarecidos e determinados presos, o que aconteceu em Portugal (e também na generalidade dos países da Europa e do continente americano) era previsível: a pouco e pouco os anarquistas foram cedendo o espaço e o palco aos comunistas, num mundo bipolarizado entre a União Soviética e o “Ocidente”.

Apesar desta profunda separação ideológica, os que lutavam na trincheira de revolução social – anarquistas e comunistas – pouco se diferenciavam em termos sociais: operários, trabalhadores agrícolas, povo explorado a lutar por melhores condições de vida e por uma sociedade mais justa, sem explorados nem exploradores, sem opressores nem oprimidos. Muitos, de um e de outro lado, sofreram na prisão, outros com a morte, o desejo de um mundo novo.

Os que os diferenciava e diferencia é a postura ideológica, os princípios que estão na base da construção dos ideais com que cada um conforma a sua visão da realidade. E que teve claras consequência práticas, como a história hoje nos demonstra.

O pensamento marxista-leninista, ainda hoje reivindicado pelo PCP, assenta numa visão autoritária da sociedade, hierárquica e modelada por um estado-maior que tudo dirige e controla. Aspira a conquistar o poder e , a partir do Estado, “mudar” a sociedade. Em seu nome cometeram-se os maiores crimes da humanidade no século XX, só comparáveis com os crimes do nazi-fascismo.

Ditaduras imensas, para os povos que as sofreram, de Stalin a Pol Pot, dos ditadores africanos à Coreia do Norte há muito para escolher, mas com um mesmo denominador: regimes sanguinários que fizeram com que palavras como socialismo ou comunismo, antes sinónimos de igualdade e liberdade, sejam hoje sinónimos de barbárie e despotismo.

O marxismo, como antes já Bakunin sublinhara, ao fazer tábua rasa da liberdade e da autonomia individual e colectiva, serviu de alimento teórico às ditaduras que, em nome do proletariado e do povo, no último século destruíram por completo o legado socialista e revolucionário dos precursores do movimento operário, que propugnava um mundo novo, igualitário e fraterno,  para o género humano

O PCP é cúmplice destes crimes contra a humanidade. Não por ter exercido o poder (se o tivesse exercido teria sido, teoria oblige!, tão miserável como aqueles de cuja história se reivindica e que usaram e abusaram do poder – URSS, democracias de leste, etc.), mas por ter sido cúmplice de muitas décadas de espezinhamento dos direitos mais elementares em várias partes do mundo e se ter aproveitado do apoio económico e logístico desses regimes em troca do seu silêncio e aplauso. (Milhazes: Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril )

Hoje, 100 anos depois da revolução russa, palavras como socialismo ou comunismo, que mobilizaram, exaltaram, deram esperança e alento a milhões de trabalhadores, de pobres e de excluídos por todo o mundo, transformaram-se em sinónimo de opressão, morte e exploração. O autoritarismo marxista, que está na base das propostas políticas do PCP, a isso conduziu. Como conduziu, mais abruptamente, o leninismo. O stalinismo e os outros regimes despóticos saídos do socialismo real foram apenas a consequência lógica de uma ideologia que refuta a liberdade e a autonomia individuais e colectivas, dando primazia a um grupo de “escolhidos” ou eleitos (sabe-se lá por que deuses) para gerirem a sociedade no seu todo.

Pela data que hoje se assinala, o PCP está de parabéns. Mas, apesar de ter tido um papel importante na luta contra o fascismo em Portugal, nada o diferencia dos regimes que sempre apoiou – e que representam regimes bárbaros, autocráticos e violadores dos valores mais elementares de liberdade e igualdade que, no século XX, só tiveram paralelo com os regimes fascistas e totalitários da extrema-direita.

São a cara e a coroa da mesma moeda.

Merecerá que alguém lhe dê os parabéns?

A.Nunes (recebido por email)

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http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/components/com_library/texts/29_BNP_AHS2376.pdf

 

Revista ‘Erva Rebelde’ nº 2 totalmente dedicada à Revolução Russa.


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erva rebelde nº 2

«Passados cem anos, grande parte dos mitos do comunismo da Rússia soviética foram derrubados e as suas atrocidades desvendadas. Mas reduzir o que aconteceu na Rússia, no início do século vinte, a uma data em particular, a alguns nomes conhecidos e algumas decisões políticas descarta o importante legado da experiência de um movimento popular, da natureza da sua organização e práticas, do impacto que teve nos meios anarquistas e do consecutivo debate que se iniciou entre plataformistas e sintetistas, entre método insurreccionalista e método sindicalista. Talvez possa parecer anacrónico ou nostálgico, quiçá até será! Mas pouco importa ao desafio que se fez o colectivo Gera, porque lhe permitiu remexer na História para falar do pequeno povo, das suas lutas e mortes, revisitar um importante movimento popular e fazer uma recolha histórica dando relevo às anarquistas e aos anarquistas da Rússia desde 1880.

Entendemos a revolução russa como uma mudança profunda que se construiu no seio da sociedade e que se desenvolveu a partir do final do século dezanove. Foi um movimento popular de descontentamento e sofrimento com aspirações à liberdade e dignidade que levou ao movimento insurreccional contra o poder do Czar em 1905 e à sublevação popular que antecipava alterações profundas nas estruturas sociais, políticas e económicas em Fevereiro de 1917.

Assim, este número da Erva Rebelde dedica-­se exclusivamente ao tema da revolução russa, não para trazer novamente os grandes nomes da História, mas para visitar os outros nomes destas histórias da História. Aquelas pessoas que se envolveram nas actividades anarquistas de 1903 a 1917, aquelas que morreram em 1905, as que foram fuziladas, assassinadas, deportadas, exiladas, as que voltaram com a miragem de uma possibilidade em 1917, as que morreram na Grande Guerra 1914-­1918 ou na guerra civil de 1917-­1921, todas as que pereceram ou sofreram por acreditar num ideal anarquista.

Este número da Erva Rebelde apresenta textos de reflexão, traduções, notas de leituras, mas também uma separata composta apenas por mulheres que empreenderam um trabalho de investigação e escrita criativa sobre anarquistas russas, intitulada “O Manuscrito encontrado na Utopia”. Contém, além disso, um DVD com documentos (uma cronologia, uma bibliografia, um índice biográfico e outros textos), várias pastas de imagens (fotografias, gravuras, mapas, pinturas, retratos), vídeos e ficheiros de som.»

Separata da Erva Rebelde nº2: O Manuscrito Encontrado na Utopia: https://archive.org/details/VisualGlobalManuscritoEncontradoNaUtopia

número anterior: https://archive.org/details/ErvaRebeldeN0

https://ervarebelde.noblogs.org/

Espanha, o fascismo que vem da “transição”


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A “transição” espanhola não foi mais do que a passagem do poder franquista para os seus acólitos “democratas” e “socialistas” com medo duma ruptura e dum levantamento militar como o que aconteceu em Portugal. Em Espanha, mais do que em Portugal, o fascismo sempre ficou enquistado em todos os sectores do poder. Ao todo-poderoso Franco, carrasco da guerra civil, sucedeu o bobo monárquico Juan Carlos.

A Espanha de hoje, pró-fascista, reaccionária com presos políticos, rappers e marionetistas condenados por delitos de opinião, anarcosindicalistas acusados, operações policiais montadas contra anarquistas e ecologistas mostram bem o regime policial, pró-fascista em que o Estado espanhol, mais uma vez se transformou, como exemplo de repressão, intolerância e autoritarismo.

No dia em que passam 44 anos do assassinato do anarquista Salvador Puig Antich, às mãos de Franco e do garrote vil, a condenação do rapper Pablo Hasél a dois anos e um dia de prisão por “enaltecimento do terrorismo e injúrias à Coroa, às forças e aos corpos de segurança do Estado” não pode passar em branco.

Daqui reiteramos a nossa solidariedade com todos os que no Estado Espanhol são vítimas de perseguição, repressão e intolerância por parte dos que, pela força do Estado e da Justiça, detêm o poder desde a carnificina que foi a vitória fascista na Guerra Civil!

Viva a liberdade! Viva a liberdade de expressão e de opinião!

http://www.publico.es/actualidad/pablo-hasel-condena-pasare-5-anos-preso-delitos-opinion-jamas-claudicare-fascistas-mierda.html

http://www.cnt.es/noticias/cnt-contra-la-censura-y-los-ataques-la-libertad-de-expresi%C3%B3n