A greve geral de 18 de novembro de 1918 na imprensa burguesa


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Apesar de ter sido rapidamente controlada e os seus objectivos não terem sido atingidos, a greve geral de 18 de novembro de 1918, convocada pela União Operária Nacional em pleno auge do sidonismo, e poucos dias depois de ter sido assinado o armísticio que pôs fim à I Guerra a 11 de novembro e em plena epidemia da “pneumónica”, teve uma profunda repercussão em termos repressivos e também na imprensa burguesa, uma vez que dada a ditadura de Sidónio Pais muita imprensa anarquista e operária tinha sido impedida de circular.

Só três meses depois, em Fevereiro de 1919 apareceria o diário operário “A Batalha” que iria romper o gheto informativo com que, quase sempre, as lutas operárias se debatem. A Capital, diário republicano da noite, apenas sai para as bancas no dia 20 de novembro, dois dias depois da greve geral, devido à paralisação dos tipógrafos, segundo uma curta nota inserida nessa mesma edição.

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E a notícia da Capital dá conta do ambiente que se vivia por esses dias: o medo dos sovietes aterrorizava a burguesia e os senhores do poder!

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Num outra revista de âmbito nacional, a Ilustração Portuguesa de 2 de Dezembro, a greve ocupa apenas uma página onde é posto em destaque a sabotagem verificada na linha do sul e do sueste – a greve teve um forte impacto no sector ferroviário. Para a Ilustração Portuguesa a greve tinha sido “obra nefasta de inimigos do nosso país”, iguais aos “bárbaros que os aliados acabam de vencer e de dominar”…

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Também o semanário “O Algarve”de Faro, na sua edição de 24 de novembro de 1918 se referiu à greve geral – reprimida na região pelas forças do exército, que fizeram em Portimão uma dezena de mortos – optando por uma visão anti-operária e conservadora. Refere a prisão do professor José Buizel, conduzido para Faro numa embarcação do grupo empresarial Judice Fialho.

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Segundo a noticia do Algarve:Capturar5

A Greve

Logo que na segunda feira passada constou que o pessoal das maquinas e oficinas da estação dos caminhos de ferro desta cidade se tinha declarado em greve, por solidariedade com a U.O.N., um grupo de operários saído dos trabalhos que o  sr. Judice Fialho traz na horta do Alto (?) percorreu várias oficinas e fabricas, pedindo a uns e forçando outros a abandonarem o trabalho.

Uma força de cavalaria 5 aqui destacada há dias patrulhou logo a cidade evitando conflitos que se podiam dar.

Parte dos operários retomaram o trabalho nesse mesmo dia, o que provava que a greve não tinha o apoio de todos.

No dia imediato, logo de manhã constou que nova comissão se tinha organizado para pedri novamente o encerramento das oficinas, mas a força dispersou-os prendendo a policia alguns indigitados agitadores.

De então para cá os operários têm-se conservado ordeiramente, trabalhando nas suas oficinas.

Em Portimão os grevistas quiseram assaltar algumas casas comerciais, tendo sido morto um soldado de infantaria 33, tendo por isso a força ali destacada feito uma descarga que ocasionou dez mortes e muitos feridos.

NO rebocador Galgo, da casa Fialho, veio preso daquela vila para esta cidade na sexta-feira o sr. José Negrão Buizel, conhecido propagandista do movimento operário daquela vila.

Na sexta-feira de manhã chegou a esta cidade um comboio de passageiros, vindo de Beja. Era rebocado por uma das grandes máquinas que os caminhos de ferro têm em serviço e dirigida pelo aspirante Barbas, de infantaria 17 e soldados de engenharia.

Lisboa, 20 – Sossego completo. Nada ultimamente tem sucedido de anormal. Já circulam jornais e comboios. A Companhia Portuguesa tem o serviço regularizado. Esta manhã seguiu comboio de Setúbal; trabalham fábricas particulares e obras do Estado.

Foram presos alguns russos; um estava hospedado no Avenida Palace, como joalheiro. (Jornal Algarve, 24 de Novembro de 1918, grafia actual)”

 

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