França, 1 de Dezembro: a luta saiu à rua


Sábado, 1 de Dezembro, o dia foi de ferro e fogo em muitas cidades de França, sobretudo em Paris.

Confrontos violentos opuseram manifestantes do movimento dos coletes amarelos com a polícia. Houve mais de uma centena de feridos e cerca de 400 detidos só em Paris.

O movimento, de origem popular, reúne gente muito díspar, notando-se em muitos casos a presença de elementos de extrema-direita, anti-Macron, nas manifestações.

No entanto, o fundo popular deste movimento tem feito que muitos sectores do movimento anarquista o acompanhem e tentem radicalizá-lo dirigindo-o para uma luta não apenas anti-governamental, mas sobretudo antisistema. Os ataques a bancos foram um exemplo dessa mudança de perspectiva.

Ainda que muito em cima do acontecimento, um grupo de anarquistas que esteve nas manifestações de sábado elaborou, a quente, um testemunho do que aconteceu no sábado em Paris e em que participaram activamente. A reportagem pode ser lida aqui (francês) e aqui (espanhol).

A conclusão que estes companheiros tiram, para já, é a seguinte:

“É difícil fazer o balanço de um dia tão louco, especialmente porque apenas presenciámos uma pequena parte do que aconteceu. No entanto, vários elementos podem guiar-nos para os próximos dias: 

  • O clima é verdadeiramente insurreccional. As pessoas querem realmente a pele do governo e não têm medo de a verem cair. Obviamente não é uma insurreição no sentido comunista e revolucionário do termo, mas as pessoas não têm medo de saltarem para o vazio… Para ver o que nos pode trazer o vazio.
  • A polícia não controla os tumultos. Não pode. As forças são demasiado díspares, dispersas e decididas.
  • A presença da esquerda e especialmente da esquerda revolucionária transformou a frente da manifestação. Os ataques contra os bancos são, por exemplo, o fruto do trabalho político realizado num sentido ascendente. Os nossos lemas foram parcialmente assumidos e a iniciativa do colectivo Adama foi muito efectiva. Em resumo, agora existimos politicamente no movimento.
  • Apesar disto devemos permanecer cautelosos sobre as perspectivas emancipadoras deste movimento em que a extrema-direita está realmente presente. Este elemento deve ser tomado sempre em linha de conta e devemos lutar contra esta presença.
  • Os distúrbios e os actos de revolta não se concentraram apenas em Paris. Houve distúrbios em toda a França, tanto em cidades grandes como em outras mais pequenas, como por exemplo a prefeitura que foi incendiada em Puy-en-Velay ou atacada em Dijon, distúrbios em Charleville-Mezieres ou em Toulouse. A repressão também foi muito feroz, com muitas lesões graves, a maioria provocadas por granadas GLI-F4 (como em Tours) e muitas detenções.

Uns anarquistas”

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