Coletes amarelos : Quem semeia miséria, colhe cólera


police_battue-98151

Um pouco por toda a França, a mesma cólera, a mesma determinação e o mesmo desejo de não se deixar enganar. Em toda a parte, manifestações selvagens que desafiam a vigilância policial. Por toda a parte, manifestantes que expressam a sua raiva pela repressão.

Em Puy-en-Velay (43), a violência policial enfureceu uma multidão de vários milhares de pessoas que acabaram a atacar a prefeitura.

Em Paris, a polícia isolou os Champs-Élysées e causou a dispersão dos coletes amarelos por todos os bairros burgueses da capital que foram literalmente tomados de assalto.

As forças de repressão acharam por bem utilizar os grandes meios  (barreiras de gás lacrimogéneo, canhões de água, granadas), enquanto os trabalhadores  e trabalhadoras em cólera mostraram que a rua lhes pertencia: no boulevard Haussmann, nas Tuileries, na Rua do Rivoli, na Praça Vendôme, os coletes amarelos invadiam as ruas, provocavam a polícia e às vezes atacavam símbolos de poder e riqueza. Assim, as montras das grandes lojas de luxo foram partidas enquanto alguns grupos tentavam atacar a Bolsa.

Em Martigues (13) e em Vichy (03), coletes amarelos e sindicalistas desfilaram  juntos numa agradável solidariedade de classe, mas em muitas cidades, é lamentável que os sindicatos combativos ainda não tenham sido visíveis e não tenham, sobretudo, estendido a mão aos coletes amarelos.

No entanto, este é uma das etapas essenciais para a vitória: é necessário que os sindicatos combativos, que organizam verdadeiramente a resistência face aos patrões nas empresas, se juntem aos coletes amarelos e façam frente a um governo desprezível, que multiplica as benesses para os mais ricos e deixa o resto da população afundar-se na miséria. É preciso que os sábados de cólera se transformem em segundas-feiras de greve, terças-feiras de greve, quartas-feiras de greve.

Face a um governo que continua  surdo, face a  patrões que lucram cada vez maisdos empregados/as, devemos continuar a pressionar e isso passa por uma paragem completa da produção.

O governo e os patrões apenas percebem a lei do dinheiro? Por isso, vamos mexer-lhes na carteira: bloquear os transportes, bloquear as empresas, bloquear os serviços públicos. Nós somos quem faz a economia funcionar, eles não são nada sem nós.

Retomar o que os capitalistas nos roubaram

A cólera existe. É preciso agora que nos organizemos para permitir que ela dure e para construir uma relação de forças que nos permita ganhar. Mas ganhar o quê? O principal slogan que foi  repetido de Paris a Marselha e de Rennes a Toulouse é  ” Macron demission”. Porque Macron simboliza todo o desprezo da burguesia em relação aos trabalhadores, porque é ele quem dirige os ataques contra os assalariados/as. Mas não é fazendo saltar Macron ou o governo que se fará realmente mudar as coisas.

O que é preciso meter à cabeça são reivindicações concretas, que tornem possível sair da espiral infernal (em que nos encontramos) para retomar tudo o que os capitalistas nos roubaram e conquistar novos direitos.

Para isso, devemo-nos organizar na base, construir assembleias que nos permitam discutir as nossas  reivindicações, não deixando que outros as apresentem em nosso nome. Não  iremos encontrar as soluções que pretendemos nas promessas de políticos e de políticas que já estão a querer recuperar a mobilização. Nós só encontraremos as soluções que queremos através do intercâmbio, do debate e da coordenação para todos juntos sermos mais fortes.

Macron está com medo e tem razão para ter medo. Cinquenta anos depois de maio de 68, sopra uma aragem vermelha.

Alternative libertaire, le 3 décembre 2018

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s