Dia: Janeiro 20, 2019

As 8 horas de trabalho: a canalhice do PCP e o seu revisionismo histórico


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O movimento operário em Portugal começou por ser influenciado pelas ideias marxistas, logo a partir dos primeiros anos de 1870. Paul Lafargue, o genro de Marx, esteve em Portugal e o primitivo Partido Socialista português, assim como o movimento associativo da altura, teve uma forte influência das ideias marxistas.

No final do século XIX, no entanto, irrompem em Portugal, como alternativa ao reformismo e à politiquice socialistas, as ideias libertárias, onde predomina a influência de Kropotkin e de outros anarquistas. O movimento libertário nasce, em Portugal, no seio do operariado e rapidamente se criam jornais e estruturas associativas que lutam pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores, mas nunca esquecendo a transformação social que para todos é imperiosa e urgente.

A sua influência é determinante na fundação da União Operária Nacional, em 1914, e – mais ainda – na criação da Confederação Geral do Trabalho, em 1919, que agrupa a quase totalidade dos trabalhadores organizados, na altura, em Portugal.

A influência anarquista, anarco-sindicalista e sindicalista revolucionária na nova central sindical é quase total, embora os ecos da revolução russa – então ainda entendida como uma revolução dos sovietes e dos trabalhadores – já tivessem chegado a Portugal e ganhado adeptos no meio dos trabalhadores.

Essa influência, no entanto, sempre foi minoritária e, mesmo em 1934, quando o movimento sindical autónomo é ilegalizado e grande parte dos seus activistas presos e deportados, na sequência da greve insurreccional de 18 de janeiro, o peso do PCP (constituído em 1921) é muito pequeno.

A influência do PCP só cresce depois da segunda guerra mundial quando, decapitado o movimento anarquista e destruída a revolução espanhola, os comunistas ganham um novo ânimo e renovados apoios a partir da União Soviética – também uma das vencedoras da II Guerra -, que vê o seu império e o seu poder de influência alargarem-se substancialmente.

Mas isto só acontece a partir de finais dos anos 40/inicio dos anos 50, quando a militância anarquista fica reduzida ao mínimo, sem apoios e encurralada entre a propaganda fascista e a propaganda comunista.

Antes, a força do movimento operário era claramente inspirada no modelo libertário e é aos anarquistas em Portugal, como em Espanha, por exemplo, que se deve a instauração das 8 horas de trabalho na indústria e no comércio. Em Portugal, a partir de 1919, teoricamente, as 8 horas passam a vigorar nestes sectores. Mas foram precisas greves e provas de força para ganhar este objectivo.

Nos campos, essa conquista só se efectivou nos anos 60, quando já tinha começado a sangria da emigração. Nesta altura, a intervenção do PCP, foi relevante, num momento em que o movimento libertário estava já exangue de mais de duas décadas de repressão salazarista.

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(Julho de 2019) Chamada à apresentação de trabalhos sobre anarquismo para o 30º Simpósio Nacional da Associação de História do Brasil



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Anarquismo em questão: conceitos, práticas, circulação e trajetórias.

De 15 a 19 de julho de 2019, em Recife – Pernambuco, ocorrerá o 30º Simpósio Nacional da Associação Nacional de História (Brasil) e convidamos à inscrição de trabalhos no Simpósio 013. Anarquismo em Questão: conceitos, práticas, circulação e trajetórias.

013. Anarquismo em questão: conceitos, práticas, circulação e trajetórias.
Coordenadores:
Angela Maria Roberti Martins (UERJ / UNIGRANRIO), José Damiro de Moraes (UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO / UNIRIO)

Resumo: Este Simpósio Temático (ST) pretende reunir estudiosos e pesquisadores de diferentes áreas, níveis e perspectivas, cujas pesquisas, trabalhos e demais formas de produção estejam concentradas nas discussões de ordem teórico-conceitual, metodológica e política do anarquismo. Em nossa compreensão, referendada por extensa bibliografia, o anarquismo influenciou o movimento operário brasileiro no século XX, mas não cessa de acontecer, comprovando sua relevância para a atualidade. Nessa perspectiva, o ST é uma oportunidade acadêmica para a socialização e interação de projetos individuais e/ou coletivos que se desenvolvam em torno do Anarquismo em suas mais variadas dimensões, compreensões e recortes espaço-temporais.

Mais informações no site do evento:

https://www.snh2019.anpuh.org/apresentacao

(Estado Espanhol) Povoadores de Fraguas condenados a ano e meio de prisão


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O mundo rural está a reconfigurar-se. Hoje assistimos a um fluxo migratório desigual que está levando as aldeias de Espanha a um preocupante despovoamento e abandono. Isto não é novo, nem nos surpreende. Está a acontecer há mais de 70 anos. Contudo, é de admirar que também exista, ainda que minoritário, o processo migratório contrário e que haja pessoas que, cansadas da cidade e das relações sociais e de consumo que nela existem, optem por abandoná-la e habitar o campo.

Desta singularidade nasceu Fraguas – Documental, um trabalho audiovisual que podemos encontrar no Youtube (ver acima). Nesta reportagem-documentário entramos na aldeia okupada e reconstruida de Fraguas através do olhar dos personagens que a integram. Ao largo da narrativa da sua história, conheceremos o dramatismo da situação legal que estão a viver,  mas também as suas aspirações, sonhos e projectos. Veremos, pela mão dos seus protagonistas, o interessante processo demográfico da neoruralidade, a sua carga política e os conflitos a que se sujeitam aqueles que se expõem a construir um projecto  à margem do Estado.

Fraguas saltou para a agenda mediática após os seus novos povoadores enfrentarem um julgamento no qual a Junta de Castilla la Mancha pedia para eles uma pena de quatro anos de prisão. Estes grandes meios, que se fizeram eco da notícia, não aprofundaram acerca do que era Fraguas para além de uma aldeia ameaçada pela Junta. Em Fraguas – Documental, procura-se contar uma história mais profunda, que fale das expropriações do estado nos anos 60, da recuperação da terra, da autonomia, da autoorganziação, da ecologia, da construção de redes, da criação de uma comunidade e da resistência.

aqui: https://www.todoporhacer.org/documental-fraguas/

fraguas

FRAGUAS

A localidade de Fraguas e o seu termo, com uma extensão de 1134 hectares, foram expropriados pelo governo franquista em 1968 como um espaço de utilidade pública, forçando assim ao seu despovoamento. Posteriormente foi transferida para a Junta de Comunidades Castilla-La Mancha e em 2011 passou a fazer parte do Parque Natural da serra Norte de Guadalajara

Em 2013 estabeleceu-se na antiga aldeia um grupo de povoadores, o que abriu um litígio judicial com a  Junta depois de serem acusados de delito de usurpação do espaço, contra a ordenação do território e por danos ao meio ambiente.

A sentença em primeira instância do Tribunal Penal Nº 1 de Gudalajara condenou em Junho de 2018 os seis povoadores a um ano e seis meses de prisão, a uma sanção de 16 380 euros por delitos de usurpação do espaço público e a pagar a demolição das habitações. Em Agosto do mesmo ano os povoadores interpuseram um recurso que foi recusado pela Audiência provincial de Guadalajara já em Janeiro de 2019.

(ver https://es.wikipedia.org/wiki/Fraguas)