Kronstadt, 1921: o princípio do fim da Revolução Russa


00kronstadt2

No final de Fevereiro de 1921 eclodiu a revolta dos marinheiros de Kronstadt, cidade portuária onde estava baseada a frota russa do mar Báltico, situada na ilha de Kotler, no Golfo da Finlândia, perto de Petrogrado (Rússia). A revolta foi desencadeada contra o poder dos comissários bolcheviques e contra a falta de alimentos e de outros bens de primeira necessidade. A insustentável situação económica que a Rússia atravessava levou a  levantamentos nos campos (Rebelião de Tambov), assim como a greves nas fábricas das cidades.

No dia 26 de Fevereiro, face aos acontecimentos em Petrogrado, a tripulação dos barcos  Petropavlovsk e Sevastopol reuniram-se de emergência e aceitaram enviar uma delegação à cidade para investigar e informar sobre o movimento grevista. Quando a delegação regressou a 28 de fevereiro e informou sobre as greves, os marinheiros apoiaram os operários e repudiaram a repressão do governo comunista contra os grevistas.

Os marinheiros, que tinham sido os líderes da revolução russa, pronunciaram-se a favor de “Sovietes livres”, totalmente desligados da tutela política dos comissários comunistas, pelo direito à livre expressão e pela total liberdade de acção e de comércio. Desde Janeiro de 1921, 5.000 marinheiros tinham abandonado o Partido Comunista. As suas reivindicações por melhorias nas condições de vida misturaram-se com as fortes aspirações libertárias da maioria.

Depois de fracassarem as suas reivindicações, os marinheiros de Kronstadt levantaram-se contra o governo bolchevique em março de 1921 sendo violentamente reprimidos pelo Exército Vermelho a mando de León Trostky, que terá dito, referindo-se aos marinheiros insurrectos, para pararem os protestos ou “seriam caçados como coelhos”.

Como os marinheiros mantiveram as suas reivindicações, dois dias mais tarde, a 7 de Março, começou a invasão de Kronstadt pelo Exército Vermelho. Protegidos na fortaleza, os amotinados conseguiram defender-se e enviaram a seguinte mensagem a propósito do 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

“Da Kronstadt libertada para todas as operárias do mundo: nós, os de Kronstadt, sob o fogo das armas, sob o rugido das bombas que caem sobre nós (…) dirigimos as nossas saudações fraternas às trabalhadoras de todo o mundo. Saudações da Kronstadt vermelha rebelde, do império da liberdade. Que os nossos inimigos tentem destruir-nos. Somos fortes. Somos invencíveis!”

Uma parte dos amotinados foi executada, outra enviada para prisões afastadas, nas  ilhas Solofki, no Mar Branco, ao norte da atual Federação Russa, enquanto 8 mil insurrectos conseguiram fugir de Kronstadt pelas águas geladas do Mar Báltico.

Era o principio do fim da Revolução Russa que tanta solidariedade, entusiasmo e adesão tinha conquistado entre os trabalhadores e os operários de todo o mundo, mas cuja deriva autoritária rapidamente transformou a Rússia, de novo, num reino de terror e morte, governada por uma oligarquia fanática em que a ditadura do partido se impôs sobre o conjunto da sociedade.

Em 1918, a revolucionária anarquista de origem russa, Emma Goldman estava em Petrogrado e serviu mesmo de intermediária entre os insurrectos de Konstadt e o governo bolchevique, datando também desta altura a sua ruptura com as autoridades bolcheviques e a sua “desilusão” com o rumo da revolução soviética, tendo abandonado a Rússia pouco depois.

relacionado: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/03/01/fev-marco-de-1921-a-revolta-dos-marinheiros-de-kronstadt-contra-o-terror-bolchevique/

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s