Mês: Maio 2019

(1905-1937) O estivador anarquista Pedro Matos Filipe foi o primeiro antifascista a morrer no Tarrafal


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Pedro de Matos Filipe, o primeiro preso a morrer no Tarrafal

Anarco-Sindicalista, estivador, foi a primeira vítima do Campo de Concentração do Tarrafal, falecendo aos 32 anos, um ano após a sua chegada. Vítima de biliose, sem qualquer assistência médica.

Pedro de Matos Filipe, filho de Margarida Rosa e de José de Matos Filipe, nasceu em Almada em 19 de Junho de 1905. Era carregador/estivador de porto e sindicalista. Presidia à assembleia geral da Associação “Terra e Mar”, de Almada. Residia, então, na Quinta da Regaleira, Cova da Piedade.

Participou no movimento de 18 de Janeiro de 1934, em Almada, tendo promovido a greve na fábrica Parry & Son.

Preso em 30 de Janeiro de 1934, acusado de posse de explosivos e bombas, que não chegou a utilizar, foi condenado pelo Tribunal Militar Especial a 12 anos de degredo e multa de 20.000$00.

Enviado, em 8 de Setembro de 1934, para a fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo.

Seguiu para o Tarrafal em 23 de Outubro de 1936, vindo a falecer em 20 de Setembro de 1937, de biliosa, sem qualquer assistência médica ou farmacêutica (1).

Segundo Acácio Tomás de Aquino (2), Pedro de Matos Filipe, que “era um dos rapazes mais fortes do Acampamento”, quando morreu “estava reduzido a pele e osso”. No último encontro com o amigo, este disse que estava “com uma diarreia de sangue há bastante tempo, e o médico nada me fez até à data!” [O Segredo das Prisões Atlânticas, A Regra do Jogo, 1978, p. 94].

O seu nome está assinalado numa rua da Cova da Piedade, Almada.

Notas:

(1) No mesmo dia, também morreu o marinheiro Francisco José Pereira, de 28 anos. Foram as duas primeiras vítimas do Campo de Concentração do Tarrafal.

(2) Acácio Tomás de Aquino (1899 — 1998) foi um militante destacado da Confederação Geral do Trabalho, anarco-sindicalista, organizador da greve geral de 18 de Janeiro de 1934 e então condenado a 12 anos de degredo em prisão. Com Pedro de Matos Filipe (e outros antifascistas), seguiu para Angra do Heroísmo a 8 de Setembro, sendo transferidos para o Tarrafal, a 23 de Outubro de 1936. Regressou a Portugal a 10 de Novembro de 1949. Todavia, só alcançou a liberdade total, a 22 de Novembro de 1952.

Biografia de João Esteves com colaboração de Helena Pato

Ficha da Policia / Registo Geral de Presos (RGP)

aqui: https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/posts/1008979245878121/

também aqui:

https://mindelosempre.blogspot.com/2016/07/2270-um-anarquista-o-campo-de-morte-do.html

http://www.estelnegre.org/documents/matos/matos.html

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Placa toponímica na parte mais alta da rua

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Placa toponímica na parte mais baixa da rua

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Europeias: a abstenção cada vez conta mais e é um enorme trunfo para os descontentes


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É confrangedor ouvir algumas “análises” sobre a abstenção nas eleições europeias que ontem em Portugal quase chegou aos 70 por cento. A maioria dos analistas continua a considerar que 7 milhões de portugueses não foram votar porque se estão nas tintas, preferiram ir à praia ou que acham que isso da Europa não lhes diz respeito ou porque não são “democratas” nem respeitam a “democracia”. São análises duma arrogância a toda a prova, como se só eles, os ditos analistas, soubessem cumprir direitos e deveres e que os restantes 70 por cento se estivessem completamente borrifando para o seu futuro, ou o dos seus filhos, ou para as condições de vida adversas que todos os dias enfrentam.

Curiosamente, é exactamente porque estão atentos e preocupados, que a maioria dos não votantes decidiu não ir às urnas. É claro que as motivações para o não voto são muitas e múltiplas, tal como o são para o voto, mas, em termos gerais, uma abstenção desta ordem significa um profundo descontentamento sobre o sistema politico e social em Portugal, em que abundam os casos de completa fusão entre o mundo da politica, dos partidos e dos negócios, com sucessivos casos de corrupção e gestão fraudulenta a serem conhecidos, mas nunca suficientemente escalpelizados nem as suas consequências tiradas na totalidade.

A ideia que os portugueses em geral têm, e que os levou a absterem-se em massa, é que a classe política é totalmente corrupta, coloca os interesses pessoais e partidários por cima dos interesses colectivos; que os impostos, tão elevados como nos países mais desenvolvidos,  são-lhes sugados sem quaisquer contrapartidas: os serviços públicos estão pelas ruas da amargura; a saúde cada vez é mais só para os ricos; o ensino mediocrizou-se; pagamos a electricidade mais cara da Europa, tal como os combustíveis,  e os portugueses, em geral, cada vez têm menos acesso às contrapartidas públicas, reservadas a uma verdadeira casta que ocupa os lugares de topo da administração pública e privada ou então, apenas, a sectores profissionais com elevada capacidade reivindicativa.

Este sentimento de repulsa generalizado face a uma classe política apenas preocupada com os seus espaços partidários, que mantêm opacos, quais bunkers e casa fortes, onde tudo se joga em torno das redes de poder e de influência entre comparsas, leva a que os abstencionistas portugueses tenham dito, duma forma tão assertiva como a daqueles que foram votar, à sua maneira, que é preciso pôr um termo a tudo isto.

Claro que os partidos e a classe política, os analistas e os académicos, assobiam e passam ao lado. Seja com 20 ou 70 por cento de abstenção têm as suas benesses, regalias  e tachos assegurados. É o que, apesar dos choradinhos à abstenção e à necessidade de mudar as campanhas eleitorais (!) e a comunicação (!) – como se fosse esse o problema –, acontece: assobiam como se não fosse nada com eles, garantido que têm de novo o poder por mais uns pares de anos.

No entanto, a erosão que a falta de uma continuada legitimidade eleitoral vai cavando, o distanciamento cada vez maior entre grande parte da população e os seus “soi-disant” representantes, a falta de vasos comunicantes entre os que militam, se agitam e tratam da coisa pública como se fosse algo apenas seu, para usufruto do seu espaço partidário, e os que se recusam a entrar nesse barco onde se jogam influências, poderes e empregos a troco de favores e alinhamentos espúrios, faz com que os números, cada vez maiores, da abstenção tenham que ter consequências.

Um dessas consequências – embora grande parte do que será o futuro  ainda não seja visível ou compreensível – é que a insatisfação que reina entre a população, e manifestada na abstenção de quase 70 por cento, já não é canalizada pelos partidos políticos, nem pelos seus agendamentos mediáticos. Não é que tenha deixado de existir: procura sim outras formas de se materializar.

Outra consequência, que se anuncia, é o cada vez menor alinhamento entre o discurso partidário e os anseios populares. Distantes uns dos outros, autónomos entre si, o peso dos partidos vai diminuindo progressivamente na sociedade e abrindo janelas de auto-organização e espontaneidade que até agora têm aprisionado as lutas e as movimentações por uma vida diferente.

Para os que diziam que não votar não vale nada, não tem qualquer valor ou sentido político, a realidade demonstra o contrário. Po certo o dado mais saliente destas eleições, e que  é preciso reter, é, de facto, o da abstenção, e não o da pequena subida ou descida, deste ou daquele partido, num sistema de vasos comunicantes, onde cada vez circula menos energia, imaginação e criatividade.

(Última Barricada) Ainda os 100 anos de ‘A Batalha’


[Evento Histórico – Centenário 🎂]
No dia 23 de fevereiro celebramos o centenário da publicação do primeiro número do jornal A Batalha  órgão da União Operária Nacional (UON) 🤝 e, posteriormente, órgão da Confederação Geral do Trabalho.

Um marco na história da classe trabalhadora portuguesa que não deve ser esquecido.

Longa vida a quem luta! 🚩🏴🚩🏴

Fontes:
Jacinto, Batista, “Surgindo Vem ao Longe a Nova Aurora”, 1977.
Pereira, Joana Dias, “Sindicalismo Revolucionário: A história de uma idéa”, 2009.
Sousa, Manuel Joaquim, “Últimos Tempos de Acção Sindical Livre e do Anarquismo Militante”, 1989.
Arquivo Municipal de Lisboa
Projecto MOSCA

Música:
Carlos Paredes – “Danças portuguesas nº 2”.

Autor: Colectivo Última Barricada

Hino de ” A Batalha”

Se estiverem interessados em ouvir o hino deste jornal, o camarada JG tratou de reescrever a música para formato digital (in Última Barricada)

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https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2018/01/22/recordando-o-hino-revolucionario-de-a-batalha/comment-page-1/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2019/02/22/a-batalha-100-anos-de-luta-por-um-mundo-novo-sem-explorados-nem-exploradores-sem-oprimidos-nem-opressores/#more-22902

Video sobre A Batalha e o anarcosindicalismo em Portugal (1886-1975):

https://archive.org/details/MemriaSubversivaAnarquismoESindicalismoEmPortugal1886-1975

Trailer do documentário “O  QUE VAI ACONTECER AQUI?”sobre os despejos e a luta pela habitação em Lisboa.


TRAILER | O que vai acontecer aqui? from Left Hand Rotation on Vimeo.

Olá amigxs do Portal Anarquista,

enviamos o trailer do documentario “O  QUE VAI ACONTECER AQUI?” sobre os despejos e a luta pela habitação em  Lisboa.

Um documentário sobre os movimentos sociais que defendem o direito a  habitar na cidade de Lisboa, num momento de intensificação das lutas  pelo espaço urbano provocada pela expansão do capitalismo financeiro,  que concentra riqueza em mãos de uns poucos, e aumenta a desigualdade  social.

Um documentário sobre aqueles que desafiam a conversão da cidade numa  mercadoria, sobre os que desobedecem à injustiça construindo poder do  lado de quem procura um lugar para viver.

Um documentario do coletivo Left Hand Rotation, em colaboração com Stop Despejos e Habita

Obrigadx

www.lefthandrotation.com
www.museodelosdesplazados.com

(Lisboa) Colóquio Homenagem a Kenneth White, com a sua presença – 21 e 22 de maio


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As linhas da Terra

Percursos geofilosóficos e geopoéticos no Antropoceno

Colóquio
Homenagem a Kenneth White, com a sua presença

Anfiteatro III, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa 

21-22 Maio

A língua filosófica e a língua poética podem falar a partir da Terra sem estabelecerem aí morada fixa. Formuladas a partir dela, formaram variantes e entrelaçamentos da linguagem em movimento, uma língua que percorre a terra e aí vai deixando rastos e alguns sulcos. Mas se formos verificar o modo como foi integrado e cultivado esse verbo planetário, a sua transmissão, a sua retórica, o modelo arquitectónico do seu desenvolvimento e o seu arquivo, encontraremos, frequentemente no caso da filosofia, mas a que a literatura não é estranha, categorias e formas que confundem o discurso sobre o mundo e as vozes que podem ser escutadas por intermédio do mundo. Tudo isto fixa a nossa ideia deste e vem pesar à Terra. 

A língua que passa pelo mundo, traçando nele linhas, é uma língua aberta à polifonia que aí ecoa. É atravessada pela polifonia dos elementos que se movem incessantemente. A polifonia das expressões de milhares de culturas humanas. E a polifonia dos inúmeros seres que vivem connosco. Todas essas vozes – que chegaram a participar da língua aqui evocada – entraram hoje em tumulto enquanto outras foram silenciadas definitivamente. É aquilo a que os humanos chamam o Antropoceno, a Era em que o homem põe fim à diversidade das expressões do mundo teorizando ao mesmo tempo a sua própria supremacia. 

Este encontro é também uma homenagem ao poeta, escritor e pensador Kenneth White, criador da Geopoética, propondo um exercício de escuta e expressão em comum com uma variante possível desta língua, a Geofilosofia. Nem o filósofo está liberto do que de poético lhe trazem as vozes intratáveis da Terra, nem o poeta se encontra dispensado dos saberes inteligíveis ou da reflexão epistémica que o seu ofício contém.

The Earth’s Lines

Geophilosophical and Geopoetic Pathways in the Anthropocene

Colloquium

A tribute to Kenneth White, in his presence

Philosophical and poetical speech can both give voice to the language of the Earth. In order to do that, no fixed address needs to be established for that to happen, as they form constant variants and webs whereby language wanders through the Earth. Grooves and tracks are thus formed. However, if we consider the way human speech has been developed and integrated into our terrestrial existence, its transmission, its rhetoric, its architectonic model and its archive, we frequently find categories and forms that confound human and historical worldviews with the voices of the Earth. All this can become a part of the Earth’s burden.

Throughout human existence, the Earth’s polyphony has been heard, the product of elements, living beings and thousands of human cultures. Today, a great uproar is rising. It is called the Anthropocene, a geological age wherein human supremacy is both theorized and imposed.

This academic encounter is also an occasion for a tribute to the poet, writer and thinker Kenneth White, the modern creator of Geopoetics. As he writes, «practically everything, in “our” age, is against the possibility of a clear and powerful language, able to say a presence and a transparency». Neither is the philosopher oblivious to a poetical listening of the Earth’s voices nor is the poet exempt from the epistemic reflection brought to him by his own craft.

Programa/Program

21 Maio/May

14:30 – Abertura / Opening Words

15:00 – 16:30 

Paulo Borges – O Tempo do Sonho. Poesia Cósmica e Metamorfose nas Culturas Indígenas

Paula Morais – Yoga e os mitos da presença: a dança, a escuta, a transformação

Pedro Cuiça, “Do (a)vistar ao ser (a) Montanha: uma forma de (geo)poética”.

16:30 – 16:45 – Coffee break

16.45 – 17:00 – Apresentação do nº 6 da revista Flauta de Luz, que inclui um dossier «Kenneth White», pelo editor, Júlio Henriques. / Book Launch: Flauta de Luz, no. 6.

17:00 – 17:30 – Jorge Leandro Rosa – «Não com a língua, mas com a vida». Acontecimento e grito.

17:30 – 19:00 – Kenneth White (conferência / keynote lecture) – The Rediscovery of the World / A Redescoberta do Mundo

19:00 – 20:00 – «Eternal Forest» (filme, 40 min.) – apresentação e leitura de poemas pela cineasta e artista Evgenia Emets, / Presentation and poetry recital by artist and filmmaker Evgenia Emets

22 Maio/May

15:00 – 16:30 

Maria José Varandas – A Tragédia dos Comuns e o Último Homem.

Felipe Milanez – Título a indicar / title to be announced

Ilda Castro – “Animalia Vegetalia Mineralia: conexões e movimentos” : uma reflexão sobre os sistemas humanos e os sistemas mais-que-humanos, macro e micro, na Natureza e no Antropoceno_Capitaloceno.

16:30 – 16:45 – Coffee break

16:45 – 17:45 

Alexandra Pinto – Um olhar cinematográfico sobre o Antropoceno

Isabel Alves – My First Summer in the Sierra e The living Mountain: as  linhas e as vozes da montanha. A demanda de uma geopoética da esperança.

18:00 – 19:30 – “Sur les chemins du Nord profond” (52 m) – Filme realizado por François Reichenbach e apresentado por Kenneth White, argumentista e protagonista. De Tokyo a Hokkaïdo,Kenneth White no percurso traçado por Matsuo Basho.

Debate.

Film screening presented by Kenneth White, script writer and protagonist. From Tokyo to Hokkaïdo, Kenneth White on the path drawn by Matsuo Basho.

Debate.

19:30 – Closing session

23 Maio/May

18:00 – Encontro com Kenneth White na Nouvelle Librairie Française

Revista Verve nº 35 (2019) já disponível na web


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Versão completa em pdf. 

Clique aqui

v e r v e 35

SUMÁRIO

O movimento anarquista uruguaio nos tempos de cólera
The Uruguayan Anarchist Movement in the Time of Cholera
Daniel Barret

Ponto para o advogado
Point for the Lawyer
Christian Ferrer

A abundância exuberante de uma abolicionista penal
The Exuberant Abundance of an Abolitionist
Salete Oliveira

Um caso menor
A Minor Case
[página única 1]
Nu-Sol

Entrevista com José Maria Carvalho Ferreira
Interview with José Maria Carvalho Ferreira
José Maria Carvalho Ferreira & Nu-Sol

O ronco do surdo é a batalha
The Sound of Drum is the Fight
[página única 2]
Nu-Sol

Emma Goldman, saúde!
Emma Goldman, Salut!
Eliane Carvalho

Minha vida valeu a pena?
Was My Life Worth Living?
Emma Goldman

Dossiê Sakae Ôsugi
Sakae Ôsugi Dossier
Sakae Ôsugi

resenhas

2013 que urge e ruge
Democracy and its Totalitarian Gaps
Flávia Lucchesi

Um ladrão de livros anarquistas e as histórias que seguirão
A Thief of Anarchist Books and the Stories that Will Follow
Gustavo Simões

Números anteriores: http://www.nu-sol.org/verve/

Sessões com René Berthier hoje e amanhã em Lisboa


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O libertário, anarco-sindicalista e activista social René Berthier está este fim de semana em Lisboa onde realizará duas sessões/conferências sobre o movimento social em França e a sua própria experiência enquanto militante anarco-sindicalista.

Já hoje, sexta-feira, René Berthier vai estar na Sirigaita (Rua dos Anjos, 12-F), às 19 horas, para um debate sobre o movimento dos Coletes Amarelos.

Amanhã, sábado, dia 4, estará pelas 14:30, no CEL (Centro de Estudos Libertários) / Sede do jornal A Batalha, nos Olivais, num encontro com a militância libertária.

Convidamos todos a estarem presentes numa e noutra sessão.

*

Dadas as relações que o companheiro Berthier tem com o anarco-sindicalismo, o qual fez parte da sua formação e trajecto, o CEL / A Batalha tem o prazer de o receber na sua sede.
O encontro com Berthier andará à volta dos seguintes temas:
• O itinerário biográfico de Berthier na sua formação com Gaston Leval (anarco-sindicalismo, humanismo, socialismo libertário, pacifismo);
• O itinerário biográfico de Berthier com Portugal e o movimento libertário em Portugal.

Alguns dados biográficos de René Berthier:

A sua formação libertária deve-se principalmente a Gaston Leval, à influência do movimento anarco-sindicalista espanhol, e à experiência no campo sindical, mais concretamente na CGT francesa.
É membro do grupo Gaston Leval, da Federação Anarquista Francesa, e militante sindical. Dedica-se também a escrever trabalhos téoricos e históricos. No campo da teoria tenta mostrar que o movimento libertário deve parar de se apegar a conceitos ultrapassados, estratégias de outros tempos, caso contrário permanecerá indefinidamente como um movimento confidencial.
Palestrante e autor de numerosos textos, Berthier é um dos especialistas contemporâneos da obra de Bakunin, a qual aborda a partir de uma prática militante.
Segundo Hugues Lenoir no Dicionário dos Anarquistas: “René Berthier não se define como anarquista, mas como anarco-sindicalista. O anarquismo francês não teve influência decisiva sobre ele. A sua proximidade com Gaston Leval faz com que uma das suas grandes influências seja o movimento anarco-sindicalista espanhol. O teórico do movimento libertário, no qual ele mais se reconhece, é Bakunin. Foi a influência de Gaston Leval que o levou à consciência da necessidade de os militantes terem uma boa formação histórica e teórica.”
O CEL (Centro de Estudos Libertários) fica localizado nos Olivais, na Azinhaga da Alagueza, Lt. X – Cv. Esq.

*

Sobre o movimento dos coletes amarelos

O movimento dos Coletes Amarelos desceu pela primeira vez às ruas de França a 17 de Novembro de 2018, manifestando-se contra o aumento dos preços dos carburantes. Em Portugal, foi encarado no início com uma certa desconfiança por causa de uma eventual participação da extrema-direita. No entanto, rapidamente se tornou num fenómeno de participação popular alheio a partidos políticos e que escapa às análises tradicionais de jornalistas e analistas, mais habituadxs a modelos de protesto formatados e hierarquizados.

Após cinco meses de mobilização, milhares de “coletes amarelos” continuam a sair às ruas todos os sábados, em protestos que há muito ultrapassaram a mera reivindicação pela descida dos preços dos carburantes, protestos estes marcados por confrontos com as forças policiais de que já resultaram mais de 200 prisões e inúmeros feridos graves. A polícia tem atacado sistematicamente os manifestantes com granadas de dispersão, gás lacrimogéneo e balas de borracha, exprimindo toda a sua tradicional violência.

Mas, na realidade o que esteve na origem deste movimento? E, sobretudo, que futuro terá? Como irá acabar? Um novo Maio 68 ou uma deriva reformista de mais um movimento político candidato a eleições?

René Berthier, activista social, responderá a estas e a outras perguntas durante a apresentação / debate sobre este movimento que se realizará na Sirigaita, no dia 3 de Maio, às 19h.

https://www.facebook.com/events/1315525748603447/

Textos de René Berthier em português: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/tag/rene-berthier/