Mês: Novembro 2019

(Internacional de Federações Anarquistas) Apelo à solidariedade internacional com o movimento anarquista, os espaços autogeridos, os refugiados e imigrados, e a resistência social e de classe na Grécia


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COMUNICADO DO CRIFA (Comité de Relações da Internacional de Federações Anarquistas) que se realizou recentemente em Marselha:

Apelo à solidariedade internacional com o movimento anarquista, os espaços autogeridos, os refugiados e imigrados, e a resistência social e de classe na Grécia.

Desde o verão passado, após as eleições de 7 de julho e a mudança na administração política,  está em curso uma campanha repressiva do estado na Grécia, que desde o início, tem como alvo os que lutam e, em especial, o movimento anarquista, os espaços e estruturas autogestionadas do movimento, os refugiados e imigrados, e a resistência social e de classe em geral.

Uma das primeiras etapas do novo governo da direita foi a abolição do asilo universitário, a ocupação policial do bairro de Exarchia – um bairro com um passado e um presente de luta bastante rico -, a expulsão de espaços ocupados por refugiados e o transporte de centenas de refugiados e de imigrados para os campos de concentração, aplicando assim a política anti-imigração da União Europeia, voltada para o totalitarismo moderno.

Esta campanha de repressão ainda está em curso, ao mesmo tempo que existe o perigo de outras expulsões de espaços autogeridos aparece e quando, através de uma série de leis, o direito de greve está em risco de ser simplesmente abolido, a privatização das redes sociais encorajada e a pilhagem dos recursos naturais pelas multinacionais em todo o país totalmente autorizada.

Do outro lado, os coletivos sociais, de classe e políticos tentam construir as primeiras barreiras contra os planos anti-sociais do estado e dos patrões. A manifestação massiva de 14 de setembro de 2019, que foi organizada pela assembleia “NO PASARAN” foi uma primeira resposta dinâmica contra os planos do Estado, levada a cabo por milhares de pessoas em luta desfilando pelas ruas, mostrando claramente que o movimento não vai recuar face à repressão do estado. Ele vai continuar a bater-se em todas as frentes nas quais os ataques do Estado e do Capital se verificam.

Contra o ataque repressivo do estado grego e a sua escalada iminente nos tempos que vêm, somos solidários com o movimento anarquista, os espaços autogeridos de cariz político e os espaços para imigrantes e refugiados, as estruturas viradas para a luta – os espaços Mundo Novo e Libertaria, praticamente reconstruídos na totalidade, em Théssalonica, ou os 31 anos do espaço Lelas Karagianni 37, em Atenas, – e com todas as lutas sociais e de classe na Grécia.

As promissoras revoltas popular no Equador e no Chile, a resistência empenhada na revolucionária Rojava, as mobilizações contínuas na Grécia, França, Turquia, Palestina, os pequenos e grandes actos de resistência em todo o mundo, dão-nos esperança e força e mostram que o inimigo pode ser forte, mas não é invulnerável. Intensifiquemos e divulguemos a luta combativa e organizada pela Revolução social, pela Anarquia!

NO PASSARÁN! A SOLIDARIEDADE VENCERÁ!

https://www.monde-libertaire.fr/?article=Communique_transmis_par_le_secretariat_aux_relations_internationales

Balanço da manifestação de solidariedade com Rojava e o povo curdo


SOBRE A MANIFESTAÇÃO CONTRA A INVASÃO TURCA NA SÍRIA – sábado 16 de Novembro, da Praça Camões ao Largo do Intendente (Lisboa)

No passado Sábado, dia 16 de Novembro, cerca de 200 pessoas protestaram em Lisboa contra a invasão do Nordeste da Síria por parte do exército da Turquia e suas milícias jihadistas.

Num percurso que se iniciou no Largo Camões e que terminou no Largo do Intendente, esta manifestação foi, em si mesma, um reflexo da solidariedade entre povos que nos chega de Rojava: Portugueses, Curdos, Sírios, Turcos, Italianos, Brasileiros, Japoneses, Israelitas, Palestinianos, Arménios, Suíços, Britânicos, Alemães, Imazighen (Berbéres), Iraquianos, Finlandeses e Suecos, entre outros, deixaram claro nas ruas de Lisboa que não aceitamos a linguagem bélica do fascismo de Erdogan e que ouvimos e reproduzimos os gritos de dor e dignidade que nos chegam de Rojava.

Recordámos Mário Nunes, o jovem Português que não olhou para trás e se juntou às Unidades de Defesa Popular (YPG) na luta contra o Estado Islâmico. Morreu em Til Temir no ano de 2016, zona de maioria cristã que se encontra, neste momento, sitiada pelas forças Turcas e jihadistas.

Recordámos Hevrin Khalaf, secretária-geral do Partido do Futuro da Síria, assassinada às mãos dos jihadistas no início da actual invasão. A sua luta foi tão digna e bela, como a sua morte foi brutal e sem sentido.

Expressámos a nossa frustração e surpresa pelo facto do voto de condenação à invasão Turca da Síria, apresentado pelo BE na Assembleia da República na sexta feira, dia 15 de Novembro, ter sido rejeitado, com os votos contra do PSD, CDS, Chega e IL, e as abstenções do PS, PCP e Verdes.

Apontámos o dedo à ONU, em especial ao seu secretário-geral e nosso compatriota António Guterres, pela sua conivência com o genocídio em curso, na infamemente apelidada “zona de segurança”.

Houve, ao longo do percurso, muita gente curiosa, muitas perguntas que nos foram dirigidas, muitas conversas que foram iniciadas. No final, reunidas no Largo do Intendente, dançámos halay, dança tradicional da região da Mesopotâmia.

Estranhámos que, apesar do aviso antecipado, da nossa insistência e até mesmo após terem confirmado a sua presença, não tenham estado os principais órgãos de comunicação social Portuguesa, que não se têm inibido de reproduzir notícias falsas e de óbvia propaganda do regime Turco, ao mesmo tempo que ignoram uma operação de genocídio e limpeza étnica documentada em imagens e vídeos em pleno séc. XXI.

Estranhámos também a falta de solidariedade profissional com os jornalistas Curdos, Sírios e Turcos que enfrentam a censura e ataques do regime de Erdogan, líder mundial no ataque à liberdade de informação e na prisão de jornalistas apenas por fazerem jornalismo.

Denunciámos também o avanço do Fascismo de Erdogan e do partido AKP que, só nas últimas semanas, substituiu pela força três autarcas recentemente eleitos pelo partido HDP, como tem sido prática nos últimos quatro anos.

Se os apelos políticos não têm surtido efeito em algumas orelhas moucas, talvez os suicídios colectivos que ocorreram recentemente na Turquia possam gritar aos ouvidos do mundo o desespero que se sente nesta região.

As pessoas, colectivos, grupos e partidos presentes e representados na marcha de dia 16, (Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão, RELL- Resistência Estudantil Luta e Liberdade, Young Kurds, Comité de Solidariedade Entre os Povos, ICOR- Coordenação Internacional das Organizações Revolucionárias, Assembleia Feminista de Lisboa, Bloco de Esquerda, Partido Livre, Tamera, HUBB Humans Before Borders, Ritmos de Resistência, Disgraça, VOE – Veganismo de Oposição à Exploração, Assembleia de Solidariedade Estudantil de Coimbra, Frente Unitária Antifascista, entre outros) expressaram de forma inequívoca a rejeição desta agressão por parte da Turquia aos povos do norte da Síria, o seu apoio e solidariedade ao projecto confederalista, democrático, ecológico e feminista de Rojava e da Administração Autónoma do Norte e Este da Síria, bem como a rejeição das várias agressões autoritárias aos povos de todo o mundo que, neste momento, se levantam pela sua liberdade, autonomia e dignidade.

Lisboa, 17 de Novembro de 2019

Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão