Mês: Março 2020

(rede_libertária) Cenários para o pós Covid 19


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M. Ricardo de Sousa

Apesar de ainda estarmos na fase inicial desta pandemia, trágica e imprevista, predominam as incertezas e dúvidas sobre as suas consequências sanitárias, económicas e sociais. Até porque só agora está chegando aos EUA, Brasil, Índia e África. Podemos prever que a pandemia vai parar a economia de grande parte dos países por mais de um trimestre – já se fala um ano -, provocando, no melhor cenário, dezenas de milhares de mortos, encerrando milhares de empresas, gerando milhões de desempregados e introduzindo por muito tempo medo entre os cidadãos, consumidores, e capitalistas, o que vai travar investimentos, consumo, viagens etc. Uma crise só com paralelo nos anos 20 do século passado, com a Grande Depressão. Atrevo-me a apresentar dois, ou talvez três, cenários, possíveis:

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Actualização sobre Gabriel Pombo da Silva, preso anarquista: tribunal decide a favor da sua extradição para Espanha


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Lembramos que o nosso companheiro anarquista Gabriel foi detido em Portugal no passado dia 25 de Janeiro depois de ano e meio de clandestinidade. Durante o seu tempo de prisão no Estabelecimento Prisional da Polícia Judiciária do Porto, a defesa trabalhou em prol da sua libertação imediata segundo o que está previsto no «direito». Mas, como sabemos, o direito é inversamente proporcional ao poder, e as autoridades portuguesas demonstraram amplamente a sua submissão ao poder do Estado espanhol, que quer destruir completamente o nosso companheiro. Mas se não o conseguiu depois de 32 anos de prisão, isolamento, torturas e humilhações, que o levará a pensar que o conseguirá fazer agora?

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(entrevista) Carlos Taibo: “Estamos numa crise que se situa na antecâmara do colapso”


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Carlos Taibo, autor, entre muitos outros, do livro “Colapso. Capitalismo Terminal. Transição Ecosocial. Ecofascismo”, professor universitário e anarquista, reside no Estado Espanhol, onde tem vivido, de perto, toda a crise provocada pelo COVID19. Ontem, 27 de março,  foi entrevistado pelo sitio alternativo La Haine, passando em revista a situação de pandemia que se vive hoje na Europa e em grande parte do mundo, mas referindo-se também  ao movimento, que ele já antecipara no seu livro sobre o Colapso, no sentido do ecofascismo que se está a generalizar em muitas regiões do globo, trazendo, de novo, os fantasmas do autoritarismo e do militarismo, agora sob uma capa “ecologista”. 

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(Correspondência de Itália) CORONAVIRUS E EMERGÊNCIA: não esquecemos de que lado da barricada estamos


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Frente a esta crise, o estado e o capital estão a mostrar, de uma forma mais evidente como nunca, todos os seus limites e a sua incapacidade estrutural de levar em consideração as necessidades e a saúde das pessoas.

Na Itália, as escolhas políticas dos governos têm vindo a efetuar cortes constantes na saúde pública (mais que pública, estatal). Parte dos poucos recursos foi desviada para a saúde privada, mesmo durante a atua emergência sanitária . A “regionalização” contemporânea, segundo um modelo capitalista-corporativo, colocou os serviços de saúde, que em teoria deveriam ser de natureza universal, diferenciando-os significativamente entre regiões e, sobretudo, entre regiões ricas e pobres.

Os doentes tornaram-se clientes e os serviços de assistência são pagos dentro de uma estrutura geral de concorrência e de lucro.

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(texto de análise de Raoul Vaneigem sobre o Coronavírus) A insurreição da vida quotidiana


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Coronavírus

Questionar o perigo do coronavírus é certamente absurdo. Por outro lado, não é igualmente absurdo que uma interrupção daquilo que é o curso usual das doenças seja objeto de tal exploração emocional e traga de volta a incompetência arrogante que uma vez atirou a nuvem de Chernobyl para fora de França? Certamente, sabemos com que facilidade o espectro do apocalipse sai da sua caixa para se aproveitar do primeiro cataclismo que se produza, fazer renascer as imagens do dilúvio universal e fazer mergulhar o sentimento de culpa no solo estéril de Sodoma e Gomorra.

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(COVID 19) Anarquistas de Turim tomam posição: “Epidemia? Massacre do Estado!”


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(Recebemos este texto no Portal Anarquista com o pedido de difusão. Traduzimo-lo e publicamo-lo. É um documento valioso sobre o momento que se vive em Itália e que, dentro em breve, se o número de contaminações em Portugal seguir a curva ascendente de Itália, se poderá replicar no território português, onde a declaração do estado de emergência abre caminho a qualquer deriva autoritária, como a que revelam os companheiros italianos da Federação Anarquista de Turim. A coberto da contenção do Covid 19 o poder tenta cercear as liberdades e, mesmo que não seja esse o seu objectivo primeiro, faz com que o medo e o pavor incutidos nas populações favoreçam o aparecimento de soluções autoritárias)

Os carros funerários estão alinhados frente ao cemitério de Bérgamo. Esta imagem, mais do que muitas outras, mostra-nos a realidade em toda a sua crueldade. Nem sequer se lhes pode colocar uma flor. Nem sequer puderam acompanhá-los até à última morada. Morreram sozinhos, lúcidos, sufocando lentamente.

Das janelas, a horas marcadas, as pessoas cantam, gritam, batem panelas e reúnem-se num espírito nacionalista enaltecido pelos políticos e pelos meios de comunicação. “Tudo vai ficar bem. Conseguiremos”.

O governo com decretos publicados a um ritmo frenético suspendeu o debate, incluso a débil confrontação democrática e os rituais esgotados da democracia representativa e alistou-nos a todos. Quem não obedece é um infetante, um criminoso, um louco.

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COVID 19: não deitar fora o bebé com a água do banho


EuropaPress

Luís Bernardes 

Sem querer minimizar os riscos evidentes da actual pandemia do Covid 19 – que, como outras pandemias anteriores na história da humanidade, percorre o globo num rasto de pânico e incerteza -, nem entrando nas mais que suspeitas teorias conspirativas em que estes momentos são férteis, considero que a forma como esta doença está a ser abordada na generalidade dos países terá consequências, ainda difíceis de analisar, mas que nos conduzirão a sociedades mais concentracionárias e ditatoriais.

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