[#rede_libertaria] Equações práticas com teoria à mistura


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Foto do Encontro Libertário de Évora, 28 e 29 de Maio de 2016

Viriato Porto

Aproveitando as deixas anteriores, e sem nunca  ter a pretensão pessoal de dar respostas definitivas, levantam-se hoje em dia questões e problemáticas que influenciam o pensamento e a acção social de quem se reclama do ideário anarquista e libertário. As abordagens, e muito menos as respostas, a estas questões nunca poderão ser estanques nem fixas, pois as situações sociológicas e culturais são diferenciadas nos vários contextos locais e regionais, o que significa que o circunstancialismo espácio-temporal exigirá  formas cambiantes  de análise.

De resto, constata-se vezes sem conta que facilmente as teorizações se convertem em crenças pretensamente irrefutáveis e até irrevogáveis. A verdade é que  no debate e na circulação de ideias  em geral, as teorias, os conceitos,  os ensaios  não são mais que caixas de ferramentas de que nos servimos para desencadear curto-circuitos à engrenagem num processo dialético  inconclusivo e sempre revisível.

O desconhecimento da História ou a dificuldade em aprender com os erros e as lições do passado são outras tantas barreiras que impedem a análise e a compreensão do presente.

Algumas questões a título de sugestão para reflexão e debate:

a) A luta de classes continua a ser o motor da História, isto é,  os conflitos sociais classistas devem ser vistos como o principal conflito social das nossas sociedades, ou essa luta classista  não é senão  um conflito social, entre outros, nas sociedades  atuais, cuja conflitualidade se multiplicou com o advento da industrialização e da modernização ao longo dos últimos dois séculos.

Nota: os mais variados conflitos classistas podem ser das classes superiores contra as classes inferiores ou vice-versa; das classes médias contra as classes superiores ou inferiores; ou de cada  classe social contra todas a outras –  ou seja, trata-se  de uma conflitualidade objectiva e histórica que se traduz por interesses divergentes ou, até mesmo, opostos, e que assume modalidades distintas em várias conjunturas  e épocas históricas. Recorde-se que o marketing comercial, melhor do que ninguém, conhece essa realidade sociológica e direcciona as suas campanhas de sedução em função dos  grupos sociais que pretende conquistar, tendo em conta a sua ideologia/imaginário/linguagem específica.

b) As diversas  lutas sociais,  e os respetivos agentes, devem manter-se   em sintonia, no seio  e em conjunto com a população ( perspectiva imanentista) ou poderão constituir-se como lutas sociais avançadas ( perspectiva vanguardista). No 1º caso, a opção poderia levar  à constituição de centros sociais nos bairros; enquanto no 2º caso a preferência seria dada, por exemplo, à criação de squats e espaços autónomos.

c) A diversidade e a multiplicidade das correntes anarquistas constituem paradoxalmente a sua fraqueza mas também a sua principal força. Será que podemos agrupá-las em 3 principais perspectivas, segundo 2 eixos pensamento/acção e  sociedade/comunidade ?

  • anarquismo filosófico e ontológico  (fala-se aqui  de  anarquia)
  • anarquismo social e revolucionário (Bakunine; anarco-sindicalismo, ecologia social)
  • anarquismo individualista e comunalista (acção individualista, formação de comunidades).

Viriato Porto

14/4/2020

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