Day: Abril 18, 2020

Foi triste ver a colagem da PSP de Magina ao trabalho dos profissionais de saúde


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Desde que foi decretado o estado de emergência, a pedido de Marcelo e com o apoio da Assembleia da República – uma medida considerada desnecessária em muitos países vitimas da pandemia, onde as medidas de contenção foram também respeitadas – , se há força policial cuja direção não tem hesitado em pôr em prática todos meios de marketing e relações públicas para se “colar” à situação de emergência sanitária e ao momento delicado do ponto de vista social que atravessamos, essa força é a PSP.

Dirigida desde o início do ano por Manuel Magina, um oficial cujas conhecidas posições autoritárias se aliam ao profundo conhecimento das matérias ligadas à informação e às relações públicas, tendo antes desempenhado funções no Grupo de Trabalho Técnico para Grandes Eventos e Informação relacionada com Terrorismo, de âmbito internacional, a PSP tem ensaiado, por diversas vezes, campanhas de “refrescamento” e renovação da imagem, tentando dar a ideia de que é uma força plenamente integrada na sociedade e defendendo os mais fracos.

A coberto da crise da Covid 19, o novo comandante tem tentado convencer a opinião pública de que a polícia, tal como os profissionais de saúde,  está na linha da frente contra a pandemia, branqueando toda a ação repressiva e de violação dos direitos humanos em que esta força policial tem sido fértil, nomeadamente com a ascensão de sectores da extrema-direita no seu seio.

O último acto desta “operação de charme” foi a organização ontem daquilo a que os próprios chamaram de “homenagem das forças de segurança aos profissionais de saúde”, em que utilizaram abundantes meios e recursos para se concentrarem frente a diversos hospitais por todo o país. Magina lá esteve , bem fotografado e filmado, no centro duma dessas manifestações, com o inenarrável ministro Cabrita ao lado.

“Furando” o estado de emergência e as regras do confinamento social (que obrigam a que os grupos na rua não tenham mais de 5 pessoas e que só se possam deslocar para os fins descritos na lei – compra de alimentação, cuidados médicos, etc.) Magina e “sus muchachos” quiseram dar a ideia – mentirosa – de que policia e profissionais de saúde estão todos no mesmo barco.

Mais uma pura estratégia de marketing que pretende passar a imagem duma polícia “amiga do cidadão”, mas ao mesmo tempo autoritária e de “mão pesada” como já indicava o cartaz daquela polícia divulgado no início da crise e que anunciava que a partir daquela data, com os cidadãos em casa, a rua era da polícia.

Nesta linha, tem sido também a actuação da PSP ao longo desta crise, nomeadamente na montagem de operações meramente mediáticas, para dar a ideia de força e presença musculada na sociedade, como têm sido as operações stop à saída de Lisboa ou de outras cidades em que obrigando, sem qualquer razão, todos os automobilistas a pararem causam filas de quilómetros, criando a falsa ilusão, para alguns, de segurança. Ou a colocação em locais estratégicos de carros da polícia apenas para serem “vistos”, criando a ideia de que a polícia tem mil olhos e está por todo o lado, vigiando os passos de cada cidadão.

A actuação da PSP nesta crise é um dos elementos mais visíveis da construção de um discurso e de uma realidade em que os valores falsamente securitários estão a ser colocados à frente dos valores básicos da liberdade e da autonomia individual e colectiva, tentando afirmar as forças repressivas como elementos estruturantes da sociedade – daí esta colagem aos profissionais de saúde que, esses sim, nesta pandemia estão na linha da frente e correm, com os trabalhadores dos lares e de outros sectores, os maiores riscos.

Para as ditas forças de segurança fica o “espectáculo” encenado por quem as dirige.

António Batalha

(por email)