(#rede_libertaria)Desemprego, doenças crónicas sem acompanhamento clínico, violência doméstica, fome: o mapa de um governo sem linha de rumo.


guiolhotina

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Um mês depois das medidas tomadas pelo governo de fechar as escolas, os cafés, restaurantes e um sem número de actividades e ter imposto o confinamento obrigatório começam a ver-se os seus efeitos. Estes efeitos reflectem-se, positivamente, por exemplo, no número relativamente baixo de casos graves atribuídos ao Covid19 nesta primeira fase e num SNS que passou, mais ao menos, incólume a esta primeira vaga.

No entanto, os efeitos sociais acumulam-se e por cada dia que passa são muitos os trabalhadores arrastados para o desemprego e para a maior miséria. Num país onde grande parte dos empregos (agricultura, turismo, restauração, construção civil, serviços) é precário e raramente ultrapassa o valor do salário mínimo, qualquer corte (seja de 1/3, seja de outro valor) nos rendimentos do trabalho afecta radicalmente a vida de muitas pessoas. Por outro lado, tendo a economia informal também um grande peso, os trabalhadores que dela vivem, neste momento, não têm qualquer tipo de alternativa .Não há biscates, nem outras formas alternativas de se ganhar a vida.

A actuação do governo nestes dias, prometendo mundos e fundos, mas com a máquina burocrática e administrativa quase parada e com os apoios prometidos a não chegarem à economia, parece ser a de um improviso total.

A ideia que passa é que, ainda com a memória fresca das mortes causadas pela incúria nos incêndios de há três anos, António Costa o que pretendeu com as medidas tomadas foi apenas impedir um elevado número de mortos a curto prazo e tentar que um SNS anémico e depauperado de profissionais e meios materiais não colapsasse num primeiro momento.

Este imediatismo, sem qualquer estudo a médio e longo prazo, e tomado a maior parte das vezes apenas como uma opção política, sem ser escudado pela opinião técnica de epidemiologistas e virologistas, poderá ter evitado algumas mortes e a ruptura do SNS nesta primeira vaga, mas trouxe um acumular de problemas e de questões ligadas ao desemprego e à falta de recursos que poderá, num saldo final, revelar que as medidas tomadas, o confinamento e o estado de emergência foram, pelo contrário, nefastas e que só vieram agravar os problemas.

Nesta fase, e mais uma vez, o governo parece não saber para onde vai, nem o que fazer. Mantém o estado de emergência, enquanto esboça tímidas tentativas de reabrir a economia. Só que a situação que se vive de medo, de pânico, e a situação criada a largos sectores da população que foram arrastados para a miséria de um momento para o outro, os casos de doenças graves que não têm sido tratados nem acompanhados, a depressão e os suicídios, bem como a violência doméstica, que têm crescido muito e se espera possam crescer ainda mais enquanto durar o estado de emergência, aliado à violação constante dos direitos e liberdades individuais, levam a crer que todo o esforço que o povo português fez neste último mês poderá ter sido em vão. O saldo final desta pandemia poderá não ser muito melhor do que o de outros países que tiveram outras posturas e preservaram melhor o seu tecido social.

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