[rede_libertaria] Sobre o capitalismo verde


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M. Ricardo de Sousa

Li com atenção o texto do António Cândido Franco e concordo com ele em grande parte da análise. Mas tenho uma divergência importante que passo a explicar.

O texto em questão dá como um dado adquirido que a estratégia do capitalismo verde é a que as classes, e elites, dominantes pretendem implantar a curto prazo. Esta constatação penso ser precipitada. Nesta conjuntura da crise económica-social que se vai seguir à pandemia, há ainda muitas indefinições, sobre as quais tenho chamado sucessivamente a atenção. Há a possibilidade de diferentes cenários, e estratégias diferentes, por parte das classes dominantes.

Uma é a  meu ver assente na defesa do Estado providência, de uma maior intervenção na economia, de uma acção global concertada e que pode coincidir com uma reestruturação geral do capitalismo e eventualmente desse tal caminho do capitalismo verdes de que dei conta numa notícia do El Pais.

Outra será dos sectores ultra-liberais, nacionalistas e desenvolvimentistas (incluindo países como a China, Índia, Brasil e EUA, Reino Unido), dispostos a deixar morrer pessoas e empresas fracas, que vão tentar fazer recuar acordos ambientais, usar as energias fósseis, e seguir o velho caminho da economia industrial do século XX.

Este conflito está instalado e esta crise só o vai acentuar pois a reconversão capitalista, nesta fase, seria mais um complicador ao retomar rápido do chamado “crescimento económico”.

Se em termos do futuro de médio-longo prazo penso, tal como o António, que o caminho das classes dominantes vai ser numa direcção autoritária de um capitalismo verde, a curto prazo o conflito entre estas estratégias vai se acentuar. O que pode acontecer é que a Europa siga um caminho “futurista” e os EUA, China e parte dos G20, outro caminho mais convencional.

Mas com a profunda crise que vem por aí e os impactos sociais que vai ter, já está a ter, basta ver o que está a acontecer nos EUA, tudo fica ainda mais imprevisível, pois o ultraliberalismo corresponde a apagar fogos com gasolina. Nada que os exércitos e os bombeiros não saibam fazer, mas que exige muita técnica e algumas vezes sorte.

Nesta equação também devem caber o povo, as classes subalternas, os desempregados, assalariados pobres, excluídos e os chateados, que podem sair para as ruas.

Saúde e liberdade.

M. Ricardo de Sousa

24/4/2020

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