Month: Outubro 2020

Tensões e conflitos entre os presos anarquistas e comunistas no Tarrafal


Da esquerda para a direita temos na 1ª fila sentados: José Ramos, Bernardo Casaleiro Pratas; Joaquim Duarte Ferreira e Américo Fernandes. Na 2ª fila em pé: Joaquim Pedro; Custódio Costa; José Ventura Paixão: José Ricardo do Vale; António Gato Pinto e Acácio Tomás de Aquino.

O texto que publicamos a seguir é um excerto da tese de doutoramento em sociologia de Antónia Maria Gato Pinto intitulada “Tarrafal: Resistir como promessa – transformar uma experiência de opressão numa história de grandeza” (págs. 184 a 193), que merece uma leitura atenta. O capítulo de que extraímos estas páginas trata das relações, geralmente conflituosas, entre a Organização Libertária dos Presos do Tarrafal (OLPT) e a  Organização Comunista Prisional do Tarrafal (OCPT) que se cinde em finais de 1939. O título e os intertítulos a negrito itálico são da nossa responsabilidade. Os restantes são da responsabilidade da autora. A foto, que integra a tese, não tem referência de autor nem de origem. Tem apenas como título “Fotografia de libertários”.

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(inédito) ‘Mário Castelhano, um esboço biográfico’, escrito no Tarrafal um mês depois da sua morte.


Cartaz a anunciar um colóquio sobre Mário Castelhano em 2010, com Paulo Guimarães e Luís Garcia e Silva, nos 70 anos da sua morte no Tarrafal

Introdução

Este pequeno esboço biográfico de Mário Castelhano, escrito pelo seu amigo e companheiro de lides sindicais e políticas, Manuel Henriques Rijo, é um documento importante, que até hoje nunca tinha sido publicado, embora esteja público, na internet, através do Projecto MOSCA[a].

É um documento importante e notável, em primeiro lugar por trazer à luz do dia uma parte relevante da biografia daquele que foi o último secretário-coordenador da CGT, quando esta já estava na clandestinidade, escrito no Tarrafal poucos dias depois da morte de Mário Castelhano, aos 44 anos, vitima das más condições prisionais e da falta de assistência médica.

No ano em que se assinalam os 80 anos da morte de Mário Castelhano, uma das figuras incontornáveis do anarco-sindicalismo e do anarquismo nas primeiras décadas do século XX, esta edição (acompanhada de fotos, a maioria, do arquivo pessoal de Mário Castelhano, igualmente disponíveis no Projecto MOSCA) é também uma homenagem a um dos homens que esteve na primeira linha na organização da revolta operária do 18 de Janeiro de 1934 contra a fascização dos sindicatos.

Transcrevemos na integra o manuscrito de 30 páginas, ainda que com ligeiras alterações de pontuação e de grafia de algumas palavras. Outras, raras, não conseguimos ler e fazemos referência a esse facto no texto.

No decurso do texto, e no final, acrescentámos algumas notas sobre factos e militantes referidos por Manuel Henriques Rijo.

Esperamos que com esta edição possamos contribuir para um melhor conhecimento de Mário Castelhano e da CGT, cuja acção se desenrolou, em parte, já em tempos de fascismo e de uma violenta repressão que teve, nesses momentos iniciais, o movimento sindical e o anarquismo como principais alvos.

L. B.

20/10/2020

Aqui versão em PDF.

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(edição jornal MAPA) TRANSUMANO MON AMOUR – Notas sobre o movimento H+ – Escritos 2015-2019, de ANDREA MAZZOLA


ANDREA MAZZOLA (autor) + TIDI (ilustrações)

O movimento H+ é, em poucas palavras, uma organização que tem como objectivo ultrapassar, com meios científicos e tecnológicos, os limites da condição biológica do ser humano e, em última análise, almeja alcançar a imortalidade terrena. A adjectivação «terrena» serve para expressar o aspecto aparentemente mundano e laico desta nova figura da mais antiga inquietação humana: do Épico de Gilgameš, do terceiro milénio antes de Cristo, à prática da mumificação dos antigos Egípcios, do pensamento taoista à alquimia esotérica, os defensores das ideias H+ consideram-se os legítimos herdeiros dos esforços históricos da humanidade para ganhar o seu jogo de xadrez com a morte.
 

A nova estratégia, que ganhou forma durante os anos 1990, tende a fundir guerra com intervenções humanitárias e crise sanitária com emergências militares. A guerra H+ não se encontra nas declarações formais entre Estados soberanos, mas na irrupção das chamadas emergências complexas — naturais ou humanas —, desastres caracterizados pela implosão do Estado, pelo colapso das infraestruturas públicas essenciais (saneamento, água, energia e provisões alimentares) e pela prevalência de doenças infecciosas.

Andrea Mazzola licenciou-se em Filosofia na Universidade de Nápoles «Federico II» e actualmente é doutorando no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa com um projecto de pesquisa sobre os fundamentos da mecânica quântica e o pensamento de A. N. Whitehead. Colabora assiduamente no Jornal Mapa, onde assina a rubrica «Transumanismo» com o pseudónimo κοινωνία.

Edição do jornal Mapa // com a colaboração de A Batalha, Ardora, Barricada de Livros, BOESG, Centro de Cultura Libertária, Maldatesta e Tortuga

PVP: 12€ (9,5€ para assinantes do jornal A Batalha)

Pedidos podem ser feitos para o email de “A Batalha”: jornalabatalha@gmail.com ou para geral@jornalmapa.pt

Gonçalves Correia representado na exposição sobre a República inaugurada a 5 de outubro em Castro Verde


Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é goncalves-correia-1.jpg

Imagem do anarquista alentejano Gonçalves Correia (São Marcos da Ataboeira, Castro Verde, 3 de Agosto de 1886 — Lisboa, 20 de Dezembro de 1967) realizada pelo artista plástico Joaquim Rosa para a exposição “Beja Republicana”, inaugurada a 5 de Outubro de 2020 no fórum municipal de Castro Verde.

Sobre Gonçalves Correia:

http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php?option=com_jumi&fileid=12&id=522&fbclid= https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/tag/goncalves-correia/?fbclid