Month: Novembro 2020

(IFA) Bielorússia: contra o capitalismo e a ditadura, pela solidariedade internacionalista


A Comissão de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA) manifesta o seu apoio e a sua solidariedade internacionalista à luta popular na Bielorússia contra a ditadura de Alexandre Lukashenko, um movimento de massas em que participam os nossos companheiros anarquistas. A situação na Bielorrússia prende-se com a existência de uma ditadura autocrática que já dura há 26 anos, e com as crises atuais que afetam a economia, a saúde e os serviços públicos. Uma onda de protestos encheu as praças do país para exigir a demissão do ditador. Como anarquistas, não nos interessa muito saber se as últimas  eleições presidenciais foram justas ou não. Para nós é bastante claro que as pessoas na Bielorússia estão a dizer “basta”: não querem estar sob um governo que as mata à  fome, reprime e oprime.

Estamos solidários com os presos políticos bielorrussos e exigimos a sua libertação imediata. Também exigimos a reintegração de todos os trabalhadores que perderam os empregos por participarem em greves ou protestos e o fim imediato da repressão. Denunciamos a violência e os abusos da polícias política e  das forças militares ou paramilitares do regime, que prendem, espancam e torturam de forma arbitrária os seus adversários políticos. Exigimos o fim do poder autoritário na Bielorússia, que é uma triste memória do totalitarismo da ex-União Soviética e que ainda serve como um instrumento para a estratégia militar da Rússia de Putin, que utiliza o país vizinho como um ponto de apoio militar.

Contudo, da mesma forma que nos opomos ao militarismo russo na Bielorússia, também nos opomos ao militarismo das forças do Atlântico (NATO) nas repúblicas bálticas, tal como a todos os exércitos e a todas as guerras que são desencadeadas pelos Estados contra os povos. De igual forma, não aceitamos a atual retórica da “liberdade” ocidental, nem de um possível papel de mediação da União Europeia. A única função da UE é gerir os interesses do capitalismo europeu e, portanto, como internacionalistas, opomo-nos a esta instituição.

Por isso, apelamos à solidariedade internacional de todos os trabalhadores e oprimidos e de todos os movimentos sociais, seja a Leste ou a Oeste, comprometidos com o sindicalismo e os direitos dos trabalhadores, com o direito à habitação, com as mobilizações feministas e LGBTQ, com a defesa da terra e do ambiente face aos especuladores, com a solidariedade e com a ajuda mútua, com a ocupação de espaços, com a produção de culturas alternativas e com a luta contra a exploração e o autoritarismo – para citar apenas alguns dos eixos preferenciais da nossa intervenção social.

Só a participação direta das pessoas nas lutas de baixo pode fazer a diferença e criar um movimento que vá além da substituição de um governo por outro, mais ou menos corrupto, mais ou menos autoritário. Entre todos os outros desafios que a humanidade está a enfrentar, a pandemia atual confirmou que Estado e o capitalismo não funcionam quando é necessária a  solidariedade. É toda a sociedade que deve mudar no sentido da igualdade e da liberdade, e o anarquismo é hoje, mais do que nunca, a melhor opção que temos para o conseguir.

A Comissão de Relações da INTERNACIONAL DE  FEDERAÇÕES ANARQUISTAS (IAF / IFA)

aqui: https://i-f-a.org/

https://abc-belarus.org/?lang=en

(memória libertária) Anarquistas de Lisboa com bandeira da CGT anarcosindicalista na manifestação do 1º de Maio de 1974


Os anarquistas e membros da antiga CGT anarco-sindicalista, José Francisco e Acácio Tomás Aquino, na manifestação do 1º de Maio de 1974, na Avenida Almirante Reis, transportando a bandeira do Sindicato Único das Classes Metalúrgicas de Lisboa (a que também pertenceu Emídio Santana), aderente à CGT, e que Aquino conservou e guardou durante várias dezenas de anos, apesar da fúria repressiva das forças policiais do Estado fascista que apreendeu o mais diverso material dos sindicatos anarquistas, para além do roubo das suas sedes e da prisão dos seus principais dirigentes e militantes.

(foto através de Bediqui Bedi Bediquix)

(solidariedade) Actualização sobre a situação de Gabriel Pombo da Silva


A todxs xs companheirxs solidárixs

Com estas linhas queremos actualizar de forma breve a situação do nosso companheiro Gabriel Pombo da Silva.

Desde que está na prisão de León, pela primeira vez enquanto preso, pode-se dizer que em geral não sofre provocações declaradas e que o estão a deixar “em paz”. No entanto, há algumas semanas começaram a não lhe entregar os livros enviados por correio com a desculpa já velha de que não têm depósito legal (alguns têm e outros não) e parece que a entrega de correspondência está a tornar-se mais demorada, o que até agora, apesar da intervenção nas comunicações, estava a funcionar bastante bem.

Dado que, num envio específico, a retenção de livros termina  numa notificação emitida por um juiz de Vigilância Penitenciária, solicitamos a todos os nossos companheiros que nunca enviem, por correio, livros ou publicações de nenhum tipo, mas apenas carta e postais.

A situação jurídica do Gabriel continua a ser complicada e, dado o grande trabalho que ainda é preciso fazer, não podemos permitir que percamos tempo e dinheiro a recorrer deste tipo de notificações (o que evidentemente há que fazer)

Quem quiser enviar livros ao nosso companheiro, pode fazê-lo à seguinte direcção, especificando que os livros são para o Gabriel:

SOV Toledo CNT / AIT

Calle Río Valdeyernos, 4

45007 Toledo

España

Só as publicações com depósito legal enviadas a esta direcção serão incluídas nos embrulhos que lhe são levados em dias de visita.

O nosso companheiro goza de boa saúde, de bom humor e envia abraços fortes cheiso de determinação aos companheirxs solidárixs e dignxs de todos os lugares do mundo

Deixamos aqui, de novo, a direcção para quem quiser escrever a Gabriel.

Gabriel Pombo da Silva

C.P. Mansilla de las Mulas

Place Villahierro

24210 – Mansilla de las Mulas (León)

España

(via email)