Month: Março 2021

Os 100 anos da morte de Kropotkin no número 291 de A Batalha


Acaba de sair A Batalha #291, com 48 páginas!

Os assinantes vão começar a receber na próxima semana. 

Amanhã, A Batalha começa já a circular por pontos de venda em todo o país.
A BATALHA #291 – dez-abr 2021
Capa de Mattias Elftorp

 A Abrir: Rateia-me, irmão.
[Russo + Dois Vês]
 Duas Cartas da Rússia: Sobre os protestos de 23 de Janeiro
 Não é possível circular entre conselhos
[Gonçalo Duarte + Ana Baliza]
 A eutanásia num país de suicidas
[M. Ricardo de Sousa + André Coelho]
 Ihor: um nome
[António da Cruz + Mattias Elftorp]
 XÁRÁPANPLEIYÓRGHITÁR
[MM]
 Vanguardismo e Rostidade
[Oriano + Marcos Farrajota]
 Não podes descolonizar o voto
[Indigenous Action]
 A maior greve da história: a revolta dos agricultores na Índia
[Oriano + Matilde Feitor]
 Motins, extrema-direita e uma previsível história de amor
[P.M. + André Pereira]
 Sobre o impacto de género do confinamento covid-19
[Hollie Mollie]
 Anarquismo e feminismo: em direcção a um casamento feliz?
[Chiara Bottici]
 Grupo anarca-feminista de Amesterdão responde à inaguração de Biden
[Grupo anarca-feminista de Amesterdão + Alexandra Saldanha]
 Sobre a criação da União Libertária
[Colectivo da União Libertária]
 Mãos das massas: construir o anarquismo revolucionário em Portugal
[Colectivo Pró-Organização Anarquista em Portugal]
 Entrevista a Ricard de Vargas Golarons a propósito do livro Salvador Puig Antich e a Luta Armada Anticapitalista na Catalunha nos Últimos Anos do Franquismo
[Pedro Morais e Fernando Silva]
 Piotr Kropotkin: recordações e críticas de um velho amigo
[Errico Malatesta]
 Na encruzilhada: Kropotkin etc. e tal
[José Tavares]
 Joguem ferozmente! As nossas vidas estão em risco! A prática anarquista como jogo de subversão
[Wolfi Landstreicher]
 Hitler do Terceiro Mundo
[Manuel Figueiredo]
 Dois poemas de Paul Goodman
[trad. André Tavares Marçal]
 Retratos à la minuta: Oskar Kokoschka, Auto-retrato
[Emanuel Cameira]
 O meu próximo livro de bd trata de surtos
[Marcos Farrajota]
 Se queremos salvar o mundo, temos de deixar de trabalhar
[David Graeber + Bruno Borges]
 Epitáfio (atrasado) a Aragorn!
[Pedro Morais]
 Editar
[Aragorn!]
 Na volta do correio: Condenado a um poço de silêncio. Escravatura no séc. XXI
[Francisco Coutinho]
 Na volta do correio: Paradigma civilizacional e colonialismo
[José Augusto]
 Há um século: a criação do PCP
[João Freire]
 À lupa
[recensões a A Ideia #87-88-89; L’Éclaireur; La Espiral; La Ville; Muses Land; Not-Human, Not-Fly; O Silêncio; Pão e Dignidade #4; Pão e Dignidade #5; Paying the Land]
 Milli Violini
[Walt Thisney]
 Centro Anarquista Internacional de Artes Modestas
[Marcos Farrajota]

Condições de assinatura de A Batalha:
Portugal: 6 nºs: 9,00€ / 12 nºs: 17,00€
Europa: 6 nºs: 16,00€ / 12 nºs: 31,00€
Extra-Europa: 6 nºs: 17,00€ / 12 nºs: 33,00€
O pagamento poderá ser efectuado para o NIB do CEL:
0033 0000 0001 0595 5845 9.
email: jornalabatalha@gmail.com

(REDE_LIBERTÁRIA) A crise reforçou as tendências estatistas da direita e da esquerda


M. Ricardo Sousa

Há cerca de um ano, no começo da pandemia, especulei nesta lista sobre os vários cenários que estavam a definir-se face a uma crise sanitária, económica e social sem precedentes para as gerações nascidas depois da II Guerra Mundial.

Escrevi então:

“Apesar de ainda estarmos na fase inicial desta pandemia, trágica e imprevista, predominam as incertezas e dúvidas sobre as suas consequências sanitárias, económicas e sociais. Mas atrevo-me a apresentar dois, ou talvez três, cenários, possíveis: A pandemia vai parar a economia de grande parte dos países por mais de um trimestre – já se fala um ano -, provocando, no melhor cenário, dezenas de milhares de mortos, encerrando milhares de empresas, gerando milhões de desempregados e introduzindo por muito tempo medo entre os consumidores, e capitalistas, o que vai travar investimentos, consumo, viagens etc. Uma crise só com paralelo nos anos 20 do século passado, com a Grande Depressão.

1- As instituições multilaterais, BM, FMI, BCE, Reserva Federal Americana e governos do G7, acertam um programa mundial, tipo New Deal, Plano Marshall em grande escala, para salvar e relançar a economia capitalista, consolidando-se os mecanismos de governo global, mas assente ainda em governos regionais e nacionais fortalecidos e com maior poder sobre as sociedades. Neste caso as pessoas, atemorizadas, vão tornar-se ainda mais dependentes do Estado, conformistas, criando-se assim condições para um sistema mais regulado, mais uniformizado e estabilizado, mantendo, no entanto, um referencial formal de democracia representativa, mas com mecanismos de controle tecnológico que até hoje nunca existiram (supercomputação, grandes bases de dados, GPS, reconhecimento biométrico, meios de desinformação de massas etc. etc.). Se quiserem podem usar o conceito do João Bernardo, de democracia totalitária (…)”

Ao que podemos constatar agora este cenário descrito é o dominante. Tudo leva a crer que o “neo-liberalismo”, que vinha numa ofensiva vitoriosa desde os anos 80, não pode oferecer soluções ao Sistema neste momento. Saindo assim reforçadas as tendências estatistas da direita e da esquerda. Não só em sectores básicos da saúde, educação e segurança social, mas na economia em geral onde o Estado está a intervir por todo o lado para salvar o capitalismo de uma crise sem precedentes.

Por essa razão a crise social e económica que previa não se concretizou integralmente pois foi adiada com todas as medidas económicas adoptadas para sustentar empresas e empregos. Falta saber se o prolongamento desta crise, que ainda está aí para durar, vai continuar a ser amortecida pela sistemática injecção de recursos por parte dos Estados de forma a relançar a economia em força logo que a crise sanitária esteja controlada. Se assim for a crise económica e os conflitos sociais previsíveis poderão não se agravar de forma perigosa para o Sistema, apesar da destruição de muitas pequenas empresas e de um aumento substancial do desemprego.

Também é certo que a estratégia global vai ser de acelerar as transformações da economia numa direcção da sua digitalização e da chamada transição energética que pode representar um novo fôlego para o capitalismo ultrapassando de vez o modelo da velha revolução industrial.

A meu ver uma coisa é certa: a esperança de um agravamento dos conflitos sociais e da clivagem profunda entre a sociedade e o Estado não se deu, a cultura dominante de uma dependência das pessoas face ao Estado só se agravou, pelo que continuamos num grave impasse em relação a uma transformação profunda da sociedade capitalista. Como dizia Marcuse “a revolução necessária é a mais improvável”.

O combate dos anarquistas, a minoria das minorias nesta sociedade de massas e de rebanhos, é, mais que nunca, o combate pela difusão de uma cultura libertária, entendida num sentido amplo, na nossa sociedade, pois sem essa cultura a sociedade fica indefesa face ao capitalismo e ao Estado. E não há transformação social radical, ou revolução social possível, sem que a absoluta maioria das pessoas, a começar pelas classes e grupos subalternos destituídos de poder e riqueza, a desejem.

Saúde e liberdade

(Outros artigos em Rede Libertária sobre a Covid-19)