Day: Julho 4, 2021

(COVID19) Perplexidades: desce o numero de mortos e internamentos, mas as medidas de exceção continuam.


Há pouco mais de um ano, quando foi instaurado o primeiro estado de emergência, o argumento é de que era necessário “preservar e defender” o SNS que corria o risco de rutura com o aumento de casos de contágio e de hospitalizações. Criaram-se hospitais e unidades de campanha, tendo a maioria sido desmontados, meses depois, sem terem sido utilizados. A primeira vaga estendeu-se por todo o verão e, nos primeiros meses, o medo e o confinamento rigorosos contiveram a doença, apesar de alguns casos excecionais, sobretudo a norte e na zona de Lisboa, e tendo, quase sempre os lares de idosos, como centros nevrálgicos das infeções mais graves e que, muitas vezes, conduziram a mortes.

A segunda vaga começou, lentamente, em finais de Novembro e atingiu o seu pico em Janeiro/Fevereiro com milhares de contágios por dia e ultrapassando, nalguns casos, as 300 mortes diárias. O SNS entrou, nalguns casos e em quase todas as regiões, em rutura, com os números de internamentos e de cuidados intensivos muito perto do máximo. No entanto, este máximo, nunca foi atingido no dizer dos próprios responsáveis.

Agora, pelos vistos, estamos a braços com mais uma vaga. Se a segunda estava ligada à variante inglesa, esta agora está relacionada com a variante indiana, ou delta, que já é dominante no país. Apesar disso, as mortes não ultrapassam um digito por dia (ontem não morreu ninguém devido á COVID19), os internamentos também estão baixos, o mesmo acontecendo com os cuidados intensivos, que permitiriam acomodar, em caso de necessidade, muitos mais doentes.

A verdade é que a situação se alterou. Apesar desta ser uma variante de maior contágio, a vacinação dos grupos de risco e o elevado número de infetados recuperados fazem com que uma parte da população ou esteja já imunizada ou desenvolva quadro de doença menos graves. É, por isso, natural que os mais novos, que não estão vacinados, sejam os mais facilmente vitimas de contágio – o que não é muito grave (e daí o baixo número de mortos e de internamentos) dado serem estes os grupos de menor risco no desenvolvimento de doença grave ou mortal.

As medidas de exceção que estão a ser tomadas são, por isso, cada vez mais desnecessárias e mesmo muitas autoridades de saúde por esse mundo fora estão a começar a dizer o óbvio: a imunização total à doença é um mito, ela nunca será erradicada, vai-se tornar crónica e, como tal,  – tendo a vacinação como arma – é preciso habituarmo-nos a viver com ela sem estados de emergência ou exceção.

Dado os números (onde os contágios pouco querem dizer) referentes a internamentos e a mortes serem neste momento – e a partir da vacinação em massa – muito pequenos nada justifica a paralisação da vida, da economia e das liberdades de reunião e movimentos que se mantêm na maioria dos países ocidentais, Portugal incluído.

Só a pulsão autoritária e de limitação das liberdades e dos direitos individuais e coletivos pode justificar as restrições atualmente em vigor em grande parte do país, gerando maior miséria, desemprego e atuações descabidas e desproporcionadas por parte da policia junto dos cidadãos, como tem sido o caso de Lisboa e de várias zonas do Algarve, com exibições musculadas de força, sem que nada o justifique, visando criar um clima de medo e respeito pela autoridade que faz lembrar os velhos tempos do fascismo.