Da necessidade de uma história do movimento operário e da luta contra o fascismo sem ocultação dos seus protagonistas.


Reunião na sede do jornal “A Batalha”, na Rua Angelina Vidal, nº 17, 2º Eº, em Lisboa, no inverno de 1974-1975, reconhecendo-se Adriano Botelho e Aurélio Quintanilha. (Arquivo Histórico-Social)

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Há dias M. Ricardo Sousa escrevia na Rede Libertária (uma rede de contactos que liga diversos acratas, de tendências diversas), que “já há algum tempo chamo a atenção para um combate oculto que se vem travando em torno da história do movimento operário e social, o caso da história de Peniche é sintomático, em que historiadores comunistas, ex-comunistas e até alguns hoje liberais tentam fazer desaparecer o anarquismo e o anarco-sindicalismo da história contemporânea portuguesa.

Recentemente verifiquei que na página: https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/posts/1321949087914467, na maioria dos casos a condição de anarquista desaparece nas biografias dos militantes libertários que passam a ser apresentados como «trabalhadores» e «anti-fascistas», quando os comunistas são identificados como tais…

Penso que deveríamos denunciar tal situação e forçar as correcções de tais biografias. Trata-se, antes de tudo, de impedir o revisionismo histórico desta esquerda autoritária que mesmo quando não dispõe do poder do Estado tenta impor uma leitura unilateral e manipulada da história social.”

Partilhamos esta opinião e criticamos o facto de quem produz essas páginas – por desconhecimento, ignorância ou má fé – fazer classificações estapafúrdias – ou claras omissões – quando se trata de militantes anarquistas ou anarco-sindicalistas. Em contraponto, quando são do PCP, mesmo sem cargos de relevância, são apresentados de forma real e condigna.

Só para dar alguns exemplos, numa biografia de Emidio Santana, este é apresentado como “Cidadão fundador e militante do anarco-sindicalismo”. Sabe-se lá, fundador do quê…., e no esboço biográfico de Aurélio Quintanilha nem uma referência existe à sua militância e colaboração com o movimento libertário.  São apenas dois exemplos, mas que se repetem de forma sucessiva.

Que o anarquismo sofreu uma forte perda de influência a partir do momento em que se constituiu a URSS, apoiando tudo o que era movimento comunista no mundo, e os anarquistas perderam um dos seus baluartes, com a derrota da guerra e da revolução em Espanha, ninguém nega. Mas que durante décadas houve dezenas e centenas de anarquistas que se organizaram, militaram e lutaram contra a ditadura também é uma verdade que ninguém pode negar. Mas há quem o queira fazer, apoiado numa falsa história, a que há que pôr cobro de uma vez por todas.

One comment

  1. Recomendo que se faça incluir na lista de textos da autoria de De Eduardo Sousa, Virgilio Caletti, António Alvão, Luís Bernardes, Fernando Dias e do comunicado da Alternativa/Federação dos Anarquistas Comunistas, articulados com o protesto contra a omissão, isto em tormo do caso do Museu Nacional Resistencia e Liberdade – Forte de Peniche – o texto de Carlos Gordilho … não é com desastrosas subtilezas ou floreados académicos… publicado na vossa página em 19 de Janeiro de 2020. Tal como se pode pressupor, os participantes nesta contestação teem motivos para esperar que outras pessoas se juntem tanto que possível ao nosso protesto, que contribuem na discussão.

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