(Lisboa) Feira Anarquista do Livro 2021


Feira Anarquista do Livro

Lisboa – 25 e 26 de Setembro 2021

Viva!

Desde este ponto geográfico cada vez mais perto da catástrofe total, fruto do terramoto turístico, do aparato fármaco-securitário e da normalização de tudo, voltamos a convidar-vos a todas e todos para um fim-de-semana de encontro entre resistentes, insubmissos e iconoclastas. Nos dias 25 e 26 de Setembro de 2021, a Feira Anarquista do Livro regressa a Lisboa, na Quintado Ferro, uma “ilha” na cidade gentrificada.  À violência continuada do processo pandémico, que dissolveu laços sociais e hábitos de comunhão, respondemos com uma possibilidade de encontro.

Hoje como ontem, resistimos ao cerco do capital, da autoridade e do conformismo. A maioria resigna-se, nós não!

Saúde e Anarquia!

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SÁBADO, 25 de setembro

11h – Abertura (bancas de livros durante todo o dia)

12h – Viver a Utopia. (ed. Barricada de Livros)

Nesta recente edição, a Barricada de Livros leva-nos a conhecer cinco experiências concretas protagonizadas por anarquistas, viradas para o ‘mundo real’ e que, apesar de serem pequenas ‘ilhas’ rodeadas por um mar imenso e adverso, perduram há muitos anos em lugares distintos: Diony-Coop, uma cooperativa auto-gerida de consumo alimentar em Saint-Denis, Paris; Elèuthera, uma editora com sede em Milão; Paideia, uma escola em Mérida; Soma, uma terapia concebida pelo anarquista brasileiro Roberto Freire; e Uropia, uma comunidade agrícola na Puglia, Itália.

14h – Apresentação do livro Quale internazionale de Alfredo Cospito, traduzido, editado e distribuído por Malacoda.

Alfredo Cospito é um anarquista italiano condenado a quase 11 anos de prisão pelo atentado, em 2012, a Roberto Adinolfi, administrador da Ansaldo Nucleare, empresa responsável pela construção de centrais nucleares em Itália.

16h – Contra o Leviatã, Contra a sua História de Fredy Perlman & O Mito da Razão de Georges Lapierre (ed. Flauta de Luz).

Apresentação das edições Flauta de Luz pelo seu editor.

A Flauta de Luz é uma revista editada por Júlio Henriques desde 2013, que alarga o seu diálogo subversor com o mundo que nos rodeia ao âmbito da edição de livros, com uma seleção cuidada e de ritmo lento, tal como cada número da revista.

Contra o Leviatã, Contra a sua História de Fredy Perlman é o fruto de uma investigação de meia década onde o autor procede a uma revisitação crítica da história da Humanidade, desde as origens sumérias da civilização ocidental até aos nossos dias, pondo em causa os fundamentos canónicos baseados na narrativa estatal. O Leviatã representa o Estado no seu sentido mais profundo e amplo, não só a instituição administrativa de uma sociedade, mas também a construção da própria sociedade, a sua maquinaria, a sua espiritualidade morta, o seu militarismo, as suas relações alienadas e patriarcais, o seu desprezo pela natureza e as suas tecnologias de poder.

Em O Mito da Razão, Georges Lapierre parte de um problema de tradução de um discurso da comandante zapatista Ana María, e inicia uma investigação sobre o tipo de pensamento, a concepção do mundo, que está por detrás de algumas linguagens (Tzeltal, Tojolabal …) em cuja sintaxe não há objeto direto, simplesmente porque não existe a relação sujeito/objeto, característica do pensamento ocidental. E é assim porque nas comunidades indígenas existe apenas uma relação entre iguais, ou seja, nenhuma relação é concebida com o que é externo ao indivíduo – ou entre os indivíduos – que não ocorra num plano de reciprocidade.

18h – Quando Ninguém Podia Ficar. Racismo, habitação e território de Rita Alves (Tigre de papel).

Partindo de uma revisão e análise críticas de (con)textos políticos, académicos e mediáticos, este livro procura compreender como se tem (re)construído historicamente a relação entre periferia, direito à habitação e raça/racismo no Portugal contemporâneo. Nas páginas deste livro encontrar-se-á, de certa forma, o início do fim do Programa Especial de Realojamento (PER), traduzido na dilaceração e na resistência de uma comunidade histórica, à altura maioritariamente negra, na cidade da Amadora: o bairro de Santa Filomena. E, se é verdade que a história de um lugar particular não possibilita narrar na totalidade um programa de âmbito nacional/metropolitano, com especificidades territoriais indiscutíveis, a história que aqui se reconta não deixa de ser paradigmática de como o Estado português tem pensado e gerido populações negras, Roma/ciganas e imigrantes empobrecidas no espaço urbano –, ilustrando racionalidades eurocêntricas que urge repensar.

Apresentação por Rita Alves, Cristina Roldão e Éu Mental

20h Performance: Denise Stolnik [https://vimeo.com/denisestk

*

DOMINGO, 26 de setembro

11h Abertura (bancas de livros durante todo o dia)

12h Coletes pretos Casacos amarelos por Zanzara Athée 

Entrevistas com anarquistas sobre o movimento dos Coletes Amarelos na França Paris e periferias/Toulouse/Dijon/Caen fevereiro-abril 2019,

14h – Salvador Puig Antich e a Luta Armada Anticapitalista na Catalunha nos Últimos Anos do Franquismo (ed. A Batalha). Apresentação com a presença do autor Ricard de Vargas Golarons.

Salvador Puig Antich (1948-1974) foi um lutador libertário catalão, membro do Movimento Ibérico de Libertação – Grupos Autónomos de Combate (MIL-GAC), que ficou na memória colectiva como uma das últimas vítimas do garrote civil em Espanha. Este livro recupera a sua história, 47 anos depois da sua morte. Organizado por Ricard de vargas Golarons, ex-membro do MIL e da Organização de Luta Armada (OLLA), e composto por diferentes textos de companheiros de luta e familiares, por escritos do próprio Puig Antich e por um anexo fotográfico e documental, este livro recupera a história de um revolucionário comprometido com a luta antfranquista e anticapitalista, uma vida que se confunde também com a história da resistência armada à ditadura nos últimos anos do franquismo.

16h Actualidade da situação curda & Apresentação da revista Legerin

18h Cronstadt 1921 de Ida Mett (ed.Letra Livre)

Cronstadt fica sobre a ilha de Kotline, a uma distância de 26,5 km de Petrogrado, a 7 km de Oranienbaum, a 13 km de Lissi Nos e a 21 km de Terioki. A fortaleza foi construída por Pedro, o Grande, em 1710, para a defesa naval de Petrogrado.

A coragem dos marinheiros de Cronstadt na luta contra a autocracia czarista mereceu elogios de Lenine, Trotski e dos bolcheviques em geral. Em 1917, eles tiveram um papel decisivo na aparente conquista do poder pelo proletariado russo.

De 3 a 16 de Março de 1921, o sangue correu nas ruas de Cronstadt, que se havia revoltado contra a usurpação do poder dos sovietes pelo Partido Comunista. Desta vez, Lenine e Trotski pouparam os elogios e concentraram o seu esforço em destruir uma insurreição que ameaçava os novos exploradores do povo russo.

Até hoje, tanto a historiografia corrente no Ocidente como a historiografia oficial soviética, subordinada a interesses estatais e impedida de encetar uma investigação livre, têm sistematicamente mentido ou silenciado os factos relativos a um dos episódios maiores da fase final da Revolução Russa.

É à história desse episódio, esmagamento sangrento do último soviete livre, que este livro serve de introdução insubstituível.

aqui: https://feiranarquistadolivro.noblogs.org/

One comment

  1. O autor Paul Avrich cita Stepan Maximovich Petritchenko, furriel a bordo do Petropavlovsk, como o principal organizador do Comité Revolucionário, encabeçando a revolta dos marinheiros sublevados de Kronstadt, contra o poder ditatorial dos bolcheviques. O jornal anarcosindicalista A Batalha, Lisboa, em Abril de 1975, publicou a brochura “A Verdade Sobre Cronstadt” de S.M. Petritchenko. No entanto, não queremos aqui deixar de observar que as Edições Afrontamento, Porto, sobre o mesmo tema, em 1974, procederam à edição do livro “Kronstadt 1921 – Último Soviete Livre” de Ida Mett, corredactora do programa da dita “Plataforma de Archinov”. Obra recentemente reeditada pela Livraria Letra Livre, em Lisboa. Tal como se pode ter pressuposto, quem pode dizer que nesta situação não há uma abismal diferença?

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