Day: Outubro 18, 2021

A manifestação anarquista de 3 de março de 1975 em solidariedade com os trabalhadores espanhóis


A 3 de março de 1975, vários grupos (uns anarquistas e outros afirmando-se apenas internacionalistas) de Lisboa organizaram uma manifestação de solidariedade para com os trabalhadores espanhóis ainda sob o jugo de Franco, aproveitando o aniversário do assassinato de Salvador Puig Antich, que tinha sido garrotado um ano antes, a 2 de março de 1974.

Foram várias centenas os manifestantes que desfilaram Avenida da Liberdade acima, provocando alguns estragos nas montras de companhias espanholas que ali tinham as suas delegações.

O comunicado que convocou a manifestação – para além de outro material publicado na altura – traduz o espírito da convocatória e a solidariedade que todo o movimento libertário português sempre prestou, neste período difícil, aos companheiros espanhóis.

Em baixo está a “notícia” do “insuspeito” Diário de Lisboa, então dominado pelo PCP e pela extrema-esquerda (a maioria hoje a militar em partidos de direita) que, num texto não assinado e demonstrativo daquilo que, na altura e agora, se chama “isenção jornalística”, tenta ironizar com a forma como decorreu o desfile de protesto. Quem lá esteve não se reconhece no tom faccioso e mentiroso da prosa! Mas fica como exemplo desses tempos, em que depois de 16 anos de repressão burguesa na 1ª República e de 48 anos de fascismo, o movimento anarquista ainda sofreu todo o tipo de silêncios, perseguições, mentiras e ocultações após o 25 de abril por parte de quem quis ocupar as primeiras filas de uma democracia de opereta.

(memória libertária) A Federação Portuguesa de Solidariedade para com os Presos e Perseguidos por Questões Sociais


Poema de João Black editado pela organização de defesa dos presos sociais, enaltecendo os valores morais dos que são presos.

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A brutal repressão estatal contra o movimento social de oposição em Portugal levou à necessidade dos libertários criarem uma Federação Portuguesa de Solidariedade para com os Presos e Perseguidos por Questões Sociais, um Conselho Jurídico da Confederação Geral do Trabalho (CGT) encarregado sobretudo da defesa jurídica de militantes levados a tribunal e, enfim, um pelouro para a ‘solidariedade’ nas estruturas clandestinas dos anarquistas, para recolher fundos e ajudar os seus militantes presos. Estes, por sua vez, organizavam-se dentro das prisões, para melhor resistir à condições de detenção a que eram sujeitos, estimular a entreajuda e comunicar organizadamente com o exterior. Neste particular, é de destacar a acção da Organização Libertária Prisional no campo de concentração do Tarrafal (Cabo Verde), nos anos 30 e 40.

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O Brado Libertário: Boletim de Informação e Propaganda Interprisional (Ano I, nº 1, Dezembro de 1934): Folha manuscrita que circulou como jornal de prisão.

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Claridade: folha manuscrita de divulgação doutrinária (nº2, 20 de Junho de 1938) Órgão de cariz essencialmente doutrinário escrito na prisão de Coimbra pelos presos sociais.

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A Dor: o Grito das Prisões (Ano I, nº 1, Junho de 1934) Jornal manuscrito que circulou na prisão de Coimbra na sequência das vagas repressivas de Janeiro de 1934.

aqui: Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA