Month: Novembro 2021

(Barcelona) Anarquistas catalães presos há seis meses em ações de solidariedade com Pablo Hazel libertados sob fiança (PT/EN/CAS)


Os companheiros presos na sequência dos incidentes do 27-F estão em liberdade sob fiança.

Os seis companheiros anarquistas que estiveram nos últimos 8 meses presos preventivamente perto de Barcelona (C.P.Brians 1) foram libertados com a obrigação de pagarem uma fiança de 40.000 euros cada um! Foram acusados de associação ilícita e de actuar de forma coordenada com acções violentas, como queimar uma carrinha da policia nas Ramblas durante os 10 dias de distúrbios de fevereiro passado em Barcelona a fim de exigir a libertação do raper político Pablo Hazel.

No seu último comunicado, o juiz refere que a acusação de “tentativa de assassinato” (do polícia que estava dentro da carrinha) já não tem sustentação porque alguns especialistas dos bombeiros consideraram que o perigo de uma explosão fora da carrinha era muito pequeno para o polícia que estava no interior.

O partido de “esquerda radical” CUP, que organizou a manifestação de 27 de fevereiro, não fez qualquer pressão sobre o actual governo catalão (de que forma parte) para libertar os seis companheiros, nem sequer fizeram um apelo à solidariedade para com eles.

(INGLÊS)

27-F compas free on bail (10th Nov.2021)

The six anarchist comrades who stayed the last 8 month in preventive prison near Barcelona were liberated under obligation to pay 40.000€ bail each one! Accused of criminal association, and to act coordinated with violent actions i.e. burning a police-van at the Rambla during the 10-days-disturbs last February in Barcelona for the liberation of the political rapper Pablo Hazel.

The last communication of the Magistrary says that the former accusation ‘intent to kill’ (the cop inside the van) isn´t anymore actual because some fireman-experts found out that the danger of the burning liquid outside the van for the cop inside were very small.

The leftwing party CUP who had organized the demonstration on 27 February didn’t any pressure to the actual catalan gouvernment (which they form part) to liberate the six comrades,
not even did any solidarity act from them!

(CASTELHANO)

Los compas del 27-F en libertad bajo fianza (10 Nov.2021)

Los seis compañeros anarquistas que permanecieron los últimos 8 meses en prisión preventiva cerca de Barcelona (C.P.Brians 1) fueron liberados bajo la obligación de pagar 40.000€  fianza cada unx! Acusadxs de asociación ilícita, y de actuar de forma coordinada con acciones violentas, como quemar un furgón policial en la Rambla durante los 10 días de los disturbios de febrero en Barcelona para la liberación del rapero político Pablo Hazel.

El último comunicado del magistrado dice que la antigua acusación de ‘intento de asesinato’ (el policía dentro de la furgoneta) ya no es en realidad porque algunos bomberos-expertos descubrieron que el peligro del líquido ardiente fuera de la furgoneta para el policía dentro era muy pequeño.

El partido de ‘izquierda-radical’ CUP, que organizó la manifestación del 27 de febrero, no presionaron al actual gobierno catalán (del que forman parte) para liberar a lxs seis compañerxs, ni siquiera hicieron un llamamiento de solidaridad por su parte.

(informação enviada por email)

Gabriel Morato (1940-2005)


João Gabriel de Oliveira Morato Pereira (1940-2005) foi um activista e militante anti-fascista e anti-capitalista muito activo a partir do início dos anos 60 do século passado e até à sua morte. Filiado no PCP desde muito novo, foi preso em 1965 durante 15 meses (21/1/1965-16/4/66) “por actividades contra a segurança do Estado” . Passou pelas cadeias do Aljube, Caxias e Peniche (1), tendo sido torturado durante a fase dos interrogatórios e obrigado a manter-se na “posição de estátua” durante horas a fio, alternando com a tortura do sono durante onze dias. À medida que o interrogavam, os agentes da PIDE troçavam dele por ser coxo e se meter em altas cavalarias. E quando, no último dia de tortura, desfaleceu e caiu na quase total inconsciência, foi rodeado pelos esbirros que se “divertiam” a atirá-lo de uns para os outros.

Aquando da prisão, era estudante do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF) e integrava o cargo de secretário-geral da Reunião Inter-Associações (RIA) de Lisboa. Saiu em liberdade já em 1966 tendo-se, pouco depois, desvinculado do PCP e aproximado de outros grupos de estudantes dissidentes, na sua maioria maoistas, que surgiram em força, depois da cisão sino-soviética, nas universidades portuguesas. Informado no final da década de que a polícia o procurava e que tinha contra si um mandado de captura, exila-se em Paris onde conhece e contacta com as ideias e a militância anarquista.

Regressa a Portugal logo a seguir ao 25 de abril de 1974 e, com alguns companheiros que também tinham estado exilados em Paris, como António Mota e Júlio Carrapato, estreita relações com os grupos libertários existentes em torno dos jornais A Batalha e Voz Anarquista. Está intimamente ligado à criação da Associação de Grupos Autónomos Anarquistas, ao grupo “Os Revoltados” e à revista Acção Directa. Participa em inúmeras convocatórias para acções de rua (manifestação e comicio de solidariedade com os trabalhadores espanhóis a 3 de março e 19 de julho de 1975, manifestação do 1º de maio de 1977, na Praça da Figueira, etc.), múltiplos encontros anarquistas e nas mais variadas acções de divulgação dos ideais libertários. Manterá sempre fortes contactos internacionais com o movimento anarquista sobretudo em Espanha e em França. Participa em reuniões da Internacional de Federações Anarquistas (IFA) e da Federação Anarquista Ibérica (FAI) e é um dos fundadores da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Trabalhadores (AIT-SP) em finais dos anos 90.

Morre em Lisboa, devido a problemas de saúde, a 19 de Julho de 2005, a escassos dias de completar os 65 anos.

(1) Gabriel Morato esteve preso em Peniche apenas na fase final da pena e por pouco mais de um mês – entre 11/3/66 e a sua libertação a 16/4/66, como refere a lista de presos da Fortaleza de Peniche (http://www.urap.pt/attachments/article/530/ListaPresosPoliticosFortalezaPeniche_16MAR2014.pdf). Estranhamente o nome que figura no Memorial aos Presos de Peniche é o de João Morato Pereira, ocultando o nome porque sempre foi conhecido: Gabriel (conf. http://www.museunacionalresistencialiberdade-peniche.gov.pt/pt/memorial-4/)

* Maioria dos dados extraídos da biografia de Gabriel Morato escrita por Júlio Carrapato:  https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/06/23/sejamos-optimistas-deixemos-o-pessimismo-para-melhores-tempos-texto-de-julio-carrapato-sobre-gabriel-morato/

(fotos cedidas pela Sofia, filha do Gabriel.)

No Museu do Aljube
À mesa de trabalho
Numa manifestação de rua com companheiros
Proposta assinada pelo Gabriel para a constituição da Associação Acção Directa que pretendia alargar o espaço organizativo em torno da revista, que até ali era editada pelo Grupo “Os Revoltados” (1977? Documento do Arquivo de Portal Anarquista)