Month: Março 2022

(CACILHAS) ESTA SEXTA-FEIRA NO CCL – SOLIDARIEDADE ANARQUISTA CONTRA A AGRESSÃO DO ESTADO RUSSO


NÃO ÀS FRONTEIRAS!

NÃO À GUERRA!

Solidariedade anarquista contra a agressão do Estado russo

Dia 1 de Abril
no Centro de Cultura Libertária

19h00 – Conversa com  activistas sobre a situação da Ucrânia

20h30 – Jantar solidário com a resistência anarquista à agressão do Estado russo

(França) Libre Flot, antigo combatente contra o Daesh em Raqqa, está em greve de fome há um mês


Há um mês em greve de fome, o francês Libre Flot, que tem estado detido na prisão de Bois d’Arcy e em isolamento, foi transferido na quinta-feira, 24 de março, para o hospital, devido ao seu estado débil.

Libre Flot foi preso com outras seis pessoas – todas as outras já em liberdade provisória – durante uma operação da policia em Dezembro de 2020 e acusados de “associação criminosa terrorista”. Uma acusação que todos desmentem e que a investigação parece não provar, uma vez que não refere qualquer elaboração concreta de atentado – nem sequer um esboço – mas apenas uma vaga “intenção de atacar as forças da ordem”.

Num momento em que se verificava uma forte contestação à atuação musculada da polícia, a maioria das organizações libertárias ou de “ultraesquerda” em França consideram que esta investigação foi sobretudo motivada pela presença, entre os acusados, de Libre Flot que lutou em Rojava ao lado do YPG, com outros militantes internacionalistas, na batalha de Raqqa contra o Daesh, em 2017. Vigiado pela Direcção Geral da Segurança Interna (DGSI) desde o seu regresso, que suspeita da constituição de um grupo de luta armada em torno de si. As provas, no entanto, nunca apareceram, embora Libre Flot continue detido e em isolamento.

Agora em greve de fome, ter-lhe-á sido dito que nunca será libertado antes das eleições presidenciais, cuja 1ª volta está marcada para o dia 10 de Abril.

*

Eis aqui o texto integral do comunicado onde a 27 de fevereiro Libre Flot anunciava o inicio da greve de fome:

“Já passaram mais de 14 meses que refuto essa acusação infame e difamatória de associação criminosa terrorista.

Já passaram mais de 14 meses desde que a DGSI me explicou que não fui preso pelo que eles queriam que eu acreditasse, ou seja, o meu envolvimento com as forças curdas contra o Daesh em Rojava.

Já faz mais de 14 meses que nada valida a tese elaborada pela DGSI, ainda que durante pelo menos 10 meses eu tenha sido seguido, investigado, escutado 24 horas por dia no meu carro, na minha casa, espiado até na minha cama .

Há mais de 14 meses que compreendi que são as minhas opiniões políticas e a minha participação nas forças curdas do YPG na luta contra o Daesh que estão a tentar criminalizar.

Há mais de 14 meses, acusam de associação criminosa 7 pessoas, das quais nem todas se conhecem entre si.

São mais de 14 meses a responder às perguntas de um juiz de instrução que utiliza as mesmas técnicas sinuosas da DGSI: manipulação, descontextualização, omissão e invenção de palavras e factos na tentativa de influenciar as respostas.

Há mais de 14 meses que sou sujeito às provocações deste mesmo juiz de instrução que, enquanto eu definho nas prisões da República, se permite dizer-me que este caso está a fazê-lo perder tempo na luta contra o terrorismo. Pior ainda, ele permite-se ao mais inaceitável dos insultos quando se refere aos bárbaros do Estado Islâmico como os meus “amigos do Daesh”. Embora seja de forma verbal, continua a ser um acto de enorme violência. É inadmissível que este juiz se conceda o direito de me insultar no mais alto grau, tentando-me difamar e, assim, ofenda a memória dos meus amigos e camaradas curdos, árabes, sírios, turcos, armenios e internacionais que caíram na luta contra esta organização. Ainda hoje estou escandalizado com isto.

Foram mais de 14 meses de uma investigação parcial onde, contrariamente ao seu papel, o juiz de instrução apenas instrui contra e nunca a favor. Não leva em consideração nada que saia cenário pré-estabelecido e serve apenas para validar uma falsa personalidade moldada de A a Z pela DGSI, que longe de me representar apenas reflete as fantasias paranóicas desta polícia política. Assim, sou constantemente apresentado como um “líder carismático”, ainda que qualquer modo de funcionamento não horizontal seja contrário aos meus valores igualitários.

Já se passaram mais de 14 meses desde que, sem julgamento, me foi imposta a prisão dita provisória que sofro nas condições mais terríveis possíveis: o regime de isolamento (ver as cartas de março de 2021 e junho de 2021), considerado como “tortura branca” e tratamento desumano ou degradante por várias organizações de direitos humanos.

Há mais de 14 meses que estou enterrado vivo numa solidão infernal e permanente sem ter com quem conversar, apenas podendo observar a deterioração das minhas capacidades intelectuais e da minha condição física, sem ter acesso a qualquer acompanhamento. psicológico.

+

Depois de ter, sob uma aparência falsamente neutra, fornecido à administração penitenciária argumentos falaciosos para garantir que eu fosse mantido em isolamento, o juiz de instrução pediu o indeferimento do meu pedido de libertação, assim como a procuradoria nacional antiterrorista. Para fazê-lo, eles praticamente copiaram e colaram o relatório DGSI de 7 de fevereiro de 2020, que está na base de todo este caso, cujas informações não sabemos de onde vieram e cuja veracidade não foi demonstrada. Temos o direito de perguntar para que serviram as escutas, a vigilância, os sistemas de escuta e estes dois anos de investigação e de instrução judicial, uma vez que são ocultados os factos que demonstram a construção mentirosa da DGSI.

A Procuradoria Nacional Antiterrorista e o Juiz de Instrução estão constantemente a tentar instalar a confusão e a criar ligações com os terroristas islâmicos, mesmo sabendo muito bem que lutei contra o Estado Islâmico, particularmente durante a libertação de Raqqa, onde foram planeados os ataques de 13 de novembro .

O juiz de instrução alega temer que eu informe pessoas imaginárias da minha situação, quando ela é pública, principalmente porque a própria DGSI ou o PNAT deixaram fugir essa informação desde o primeiro dia. Diz pretender ainda evitar qualquer pressão sobre as testemunhas, as vítimas e as suas famílias, mesmo quando não há qualquer testemunha, nem vítima, uma vez que não houve nenhum facto. É ubuesco. Também é mencionado o seu medo de uma concertação entre co-acusados ​​e cúmplices mesmo que todos os co-acusados ​​tenham sido libertados, que ele não interrogou ninguém, para além de mim,  desde outubro de 2021, e que esperei pacientemente que ele acabasse de me interrogar para fazer o pedido para ser libertado.

Noutras circunstâncias poderia ser cómico constatar a utilização de factos anódinos para servir de acusação:  usufruir do meu direito de circular livremente em França e na Europa, do meu modo de vida, das minhas opiniões políticas, das minhas práticas desportivas, dos meus gostos pelo rap comprometido ou pela música curda.

O juiz de instrução relativamente à minha mãe  considera-a como não sendo uma garantia válida pela simples razão de que ela não impediu o  filho, à época com 33 anos, de se juntar às forças curdas do YPG na luta contra o Daesh. Mais uma vez, é a minha participação neste conflito que está a ser criminalizada. Ele critica-a também por usar aplicações encriptadas (WhatsApp, Signal, Telegram, etc.) como milhões de pessoas fazem em toda a França. Por fim, desvaloriza todas as outras opções de garantias (trabalho, alojamento…) sem ter nada a opor,  ainda que o pessoal dos serviços penitenciários de integração e liberdade condicional (SPIP), a quem compete pronunciarem-se, tenham dado parecer favorável.

Por isso, como entender que, depois de ter determinado essas investigações acerca da possibilidade de me libertar com uma pulseira eletrônica, o juiz das liberdades e da detenção, apesar das conclusões, se recusa a fazê-lo? Somos muitos e muitas a constatarem que em todo este caso a “justiça”  viola as suas próprias leis e está sujeita à agenda política da DGSI.

Soube recentemente pela própria boca do diretor de detenções do centro da prisão de Yvelines (Bois d’Arcy), a quem agradeço a sua franqueza, que a minha ida e a minha permanência em isolamento foram decididas desde o primeiro dia por pessoas altamente colocadas e o que eu diga ou o que ele próprio diga ou faça, não importa nada, que isso o ultrapassa, que o dossier nem será aberto e eu vou ficar na ala de isolamento e que, de qualquer forma, nada pode mudar antes das eleições presidenciais .

+

– Já que se procura criminalizar os militantes e as militantes que lutaram com os curdos contra o Daesh,

– Uma vez que a chamada prisão preventiva é usada para punir opiniões políticas,

– Uma vez que este caso só existe para fins de manipulação política,

– Uma vez que não me deixam outra perspectiva senão a lenta destruição do meu ser.

Declaro-me em greve de fome desde domingo, 27 de fevereiro de 2022, às 18h, não  reivindicando a minha libertação senão para demonstrar o lado calunioso desta acusação vergonhosa.

Libre Flot.

fontes:

https://soutienauxinculpeesdu8decembre.noblogs.org/

Texto de um anarquista bielorrusso na frente de combate


Boa noite a todos, menos aos soldados de Putin.

Yaugén Zhuráuski *

Depois de todas as deslocações para ações claramente fracassadas e perigosas, a fuga da Bielorrússia, e o que vivi durante os meus 29 anos, não foi assim tão difícil viajar para a Ucrânia devastada pela guerra, embora fosse assustador.

Não estava totalmente claro para onde eu ia, o que me esperava, se me seria permitido passar na fronteira. Não tinha a certeza se chegaria ao meu destino, pois o meu passaporte atraía a atenção nos postos de controlo e havia também um ataque de aviões inimigos.

Mais o medo de que a primeira batalha fosse também a minha última. Mas o maior medo era desiludir os meus camaradas de armas.

Apesar de todos os meus receios, tinha um forte desejo de estar no centro dos acontecimentos e de participar na luta contra o próprio sistema ditatorial que, no Outono de 2020, me expulsou da minha casa, aprisionou mais de mil pessoas, incluindo os meus amigos e conhecidos, e transformou a minha cidade natal na base a partir da qual os bastardos de Putin bombardeavam Kiev e outras cidades.

Estou convencido de que os acontecimentos que hoje ocorrem na Ucrânia estão a decidir o destino não só da própria Ucrânia, mas de toda a Europa.

A democracia europeia é horrível, mas o que é muito mais horrível é o que o chamado “mundo russo” está a trazer do Leste. Os resquícios de liberdades e direitos que a classe trabalhadora conseguiu na Europa, depois de uma longa luta, serão completamente destruídos pela distopia russa, transformando tudo em redor num campo de concentração, como já fizeram na Bielorrússia, na Rússia e, em parte, no Cazaquistão.

Mikhail Bakunin na sua obra “Federalismo, Socialismo e Antiteologia” escreveu o seguinte: “Estamos firmemente convencidos de que a república mais imperfeita é mil vezes melhor do que a monarquia mais esclarecida, pois numa república há momentos em que o povo, embora eternamente explorado, pelo menos não é oprimido, enquanto nas monarquias é constantemente oprimido”.

 Assim, a Rússia de hoje é essa monarquia insanamente agressiva.

Leio frequentemente que esta é uma guerra imperialista, embora não seja claro qual é o segundo império – e que não há nada que os anarquistas possam lá fazer.

Que os nazis, que lutam em qualquer exército, estão a lutar pela Ucrânia. Que os soldados de ambos os lados devem virar as suas armas contra os governos, etc., mas ainda não ouvi dizer que isso também acontece do lado das tropas dos “libertadores”.

E existem muitas outras críticas, com algumas das quais posso até concordar, mas o problema é que ficar à margem e  assumir uma posição de classe correta significa tornar-se uma testemunha silenciosa dos bombardeamentos de Kiev, Kharkiv, Chernigov e Mariupol. E a minha consciência não me permite simplesmente ficar à margem.

Por isso, estou hoje na Ucrânia, que vai enfrentar todas estas dificuldades e tornar-se finalmente livre da influência de Moscovo, e com ela a Bielorrússia tornar-se-á livre, e esperemos que, depois disso, a própria Rússia se torne finalmente uma verdadeira federação de nações livres.

https://t.me/ekstremistby

*anarquista bielorrusso, refugiado na Polónia, agora combatente voluntário na Ucrânia

(através de P. M. para a #redelibertaria)

(Rússia) Estudantes contra a guerra: Reitores, retirem a vossa assinatura!


No dia 4 de março, a “União Russa de Reitores” emitiu um apelo a apoiar a guerra contra a Ucrânia. Justificando a invasão, os autores da carta reproduziram todos os clichês da propaganda, desde “desnazificação” e “solução sofrida” (como dizem os nazis russos, “a solução final para a questão ucraniana”) até palavras altissonantes sobre como garantir a “segurança” da Rússia. Para se manterem alegadamente no contexto científico, os reitores apelaram ao “poder da razão”, que, presume-se, os leva a juntarem-se ao presidente.

Provavelmente, numa nova Rússia, que não esta, será interessante descobrir exatamente como foram obtidas as assinaturas dos eruditos e das suas esposas, que meios para os influenciar foram usados, como é que foi construído este sistema de fidelidade que transforma o reitor de uma universidade num criado do poder político. No entanto, não importa agora discutir como e porquê essas pessoas abdicaram, elas próprias, do seu direito a terem uma posição. O importante é que essas assinaturas envolvem-nos, a alunos e professores, nos crimes que estão a ser cometidos pelo Estado russo. Os signatários não pediram a nossa opinião, para nós bastava-nos terem-se mantido em silêncio.

As assinaturas têm valor. Podiam não ter existido. Os reitores poderiam ter respondido, referindo-se aos estatutos de suas universidades, que a universidade está fora da política. Se decidissem quebrar a neutralidade poderiam ter organizado um debate aberto e discutido as várias posições possíveis relativamente à “operação especial”.

Mas não fizeram nada disso. Disseram sim à guerra. “Sim” às ações de repressão no nosso país. “Sim” – às demissões de professores dissidentes e à expulsão de estudantes. Eles não nos perguntaram nada, embora os frutos da sua decisão nos atinjam – através do isolamento da educação na Rússia e da crescente arcaização da sociedade russa, onde a ciência livre – e não há outra ciência – , em breve,  será impossível. Mas nós próprios iremos tomar a palavra.

Numa altura em que a expressão “não à guerra” se tornou num crime,  são extremamente escassos os meios para expressar qualquer discordância. Mas eles existem.

Acreditamos que hoje a principal forma de resistência legal dentro das universidades só pode ser uma ampla campanha anti-reitor, exigindo que os reitores retirem a sua assinatura da carta pró-guerra. A Universidade Estatal de Moscovo e a Universidade Humanitária Estatal Russa já lançaram campanhas nas suas universidades. Apelamos a que sejam feitas idênticas exigências nas vossas universidades, que recolham o maior número possível de assinaturas e, que com o apoio dos professores que estão contra, sejam entregues diretamente aos reitores. Eles não poderão continuar a fingir que não existimos.

Não há nenhuma necessidade de escrever sobre “a agressão militar da Rússia”. É preciso insistir em que a decisão dos reitores desacreditam as universidades e atiram-nas para a politização que tanto temem. Que essas assinaturas são um estigma vergonhoso no ensino superior russo. Devemos exigir discussões abertas e a responsabilização dos reitores para com os funcionários e estudantes universitários. Acreditamos que esta é uma forma de resistência segura e eficaz.

Estudantes contra a guerra

aqui

(traduzido tendo como base o google tradutor)

(CRIFA) Contra a guerra, pela solidariedade mundial


O Comité de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA), reunido em Marselha nos dias 19 e 20 de Março, aprovou o comunicado que se segue:

Condenamos a criminosa agressão à Ucrânia promovida pelo governo russo, em conjunto com todos os militarismos, e solidarizamo-nos com os povos oprimidos de ambos os lados da fronteira, promovendo o apoio ativo às vitimas do conflito, aos refugiadxs, desertorxs e prisioneirxs dos dois bandos desta guerra e da sua potencial expansão. Nos contextos em que agem as nossas diferentes federações, devemos denunciar e opormo-nos ao papel da NATO, dos Estados Unidos e da UE na criação, também, das condições prévias que permitiram ao Estado russo atacar o seu vizinho mais débil com a cumplicidade da sua marionete, a Bielorússia. Denunciamos o crescimento do autoritarismo em todo o mundo nos últimos anos, em que se viu o papel crescente dos exércitos nas políticas públicas. Com a situação atual, destacamos especialmente a crescente militarização da sociedade, no contexto do aumento do rearmamento em toda a UE, entre apelos generalizados para a criação de um Exército Europeu em detrimento das despesas sociais.

Xs pobres e xs oprimidxs do mundo são sempre xs perdedorxs em todas as guerras. Convertem-se em carne para canhão e são tiradxs à força das suas casas, e deparam-se com a pobreza e a doença em consequência desta guerra. Ao mesmo tempo, os patrões globais continuam a movimentar-se para controlarem os recursos do planeta. Nós opomo-nos ao capitalismo global e ao nacionalismo que são as causas da guerra. Ao contrário, temos que promover a guerra de classes, contrariando a indústria bélica e a despesa pública na guerra, e toda a lógica da guerra, desenvolvendo mobilizações horizontais mais amplas por parte dxs trabalhadores e das coletividades.

Deste modo, insistimos no perigo de se cometer o erro de defendermos a “nossa” nação ou o “nosso” país, fazendo ressaltar as nossas posições anti-nacionalistas e de negação/recusa, já que o nosso inimigo está no “nosso” país e o estado nacional ou a burguesia nacional são “nossos”. Pelo contrário, pretendemos construir a solidariedade entre todxs xs proletarixs e destacar o carácter global dos estados capitalistas.

Confirmando os nossos valores históricos de internacionalismo, solidariedade e parentesco global, para além das fronteiras, reafirmamos a nossa oposição a todos os crimes e massacres perpetrados pelo capital e pelo Estado, desde o genocídio dos povos negros e indígenas que hoje continua no Brasil, na América Latina e em todo o Sul Global, até à destruição do meio-ambiente provocada pela lógica dos Estados, a ganância e os mercados que ameaçam a própria existência de vida no nosso planeta.

Comité de Relações da Internacional de Federações Anarquistas (CRIFA)

Marselha, 20 de Março de 2022

Em castelhano aqui

(Donetsk) A vida na república quase-monárquica: uma entrevista com um anarquista de Gorlovka


Até agora o grupo de mídia anarquista assembly.org.ua, sedeado na linha da frente em Kharkiv, está a cobrir a guerra na Ucrânia a partir de territórios controlados pelo governo. Hoje vamos dar uma vista de olhos ao que tem estado a acontecer, por estes dias, no lado oposto da frente, por exemplo, numa das maiores cidades do Donbass, controlada pelos separatistas russos de extrema-direita da chamada “República Popular de Donetsk”, desde a primavera de 2014. Um funcionário de uma das empresas da cidade chamado Maxim deu-nos conta disso. A foto com símbolo redecorado do militarismo Putler* é dos camaradas siberianos.

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Dossier de textos publicados no Portal Anarquista sobre a invasão russa da Ucrânia entre 20/2 e 21/3


Solidarity with armor protection, clothing, medical supply, cars … for 120.000 Euro. YOU ARE AWESOME. Keep spreading the word! https://abcdd.org/en/2022/03/02/donation-page-for-solidarity-with-anarchist-and-anti-authoritarian-activist-from-ukraine/… #operationsolidarity #Ukraine

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1 – A INVASÃO DA UCRÂNIA: AS INTERVENÇÕES ANARQUISTAS E AS MUDANÇAS GEOPOLÍTICAS, por Peter Gelderloos  https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/21/a-invasao-da-ucrania-as-intervencoes-anarquistas-e-as-mudancas-geopoliticas/

2 – UCRÂNIA: CONHECIDA A PRIMEIRA MORTE DE UM ANARQUISTA NOS CONFRONTOS COM O EXÉRCITO RUSSO EM KHARKIV https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/18/ucrania-conhecida-a-primeira-morte-de-um-anarquista-nos-confrontos-com-o-exercito-russo-em-kharkov/

3 – CONTRA A INVASÃO RUSSA E A GUERRA! SOLIDARIEDADE COM O POVO UCRANIANO! – Posição de um grupo alargado de anarquistas e libertários portugueses https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/14/contra-a-invasao-russa-e-a-guerra-solidariedade-com-o-povo-ucraniano/

4 – (LISBOA) MANIFESTAÇÃO CONTRA A GUERRA NA UCRÂNIA. NEM PUTIN, NEM NATO. Manifesto da Plataforma Contra a Guerra (extrema-esquerda) https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/13/lisboa-manifestacao-contra-a-guerra-na-ucrania-nem-putin-nem-nato/

5 – (CRIMETHINK) ANARQUISTAS CONTRA A INVASÃO DA UCRÂNIA https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/12/crimethink-anarquistas-contra-a-invasao-da-ucrania/

6 – DOIS TEXTOS SOBRE O POSICIONAMENTO DOS ANARQUISTAS NA UCRÂNIA E NA RÚSSIA PUBLICADOS RECENTEMENTE NO SITE ANARQUISTA RUSSO AVTONOM.ORG https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/10/dois-textos-sobre-o-posicionamento-dos-anarquistas-na-ucrania-e-na-russia-publicados-recentemente-no-site-anarquista-russo-avtonom-org/

7 – (RÚSSIA) A PRIMAVERA ESTÁ A CHEGAR: SAI À RUA CONTRA A GUERRA – Este apelo à ação apareceu originalmente em russo no avtonom.org, a plataforma que surgiu da rede anarquista russa Acção Autónoma https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/05/russia-a-primavera-esta-a-chegar-sai-a-rua-contra-a-guerra/

8 – NOAM CHOMSKY: “ESTAMOS NUM MOMENTO CRUCIAL DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. NÃO SE PODE NEGAR. NÃO SE PODE IGNORAR.” https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/04/noam-chomsky-estamos-num-momento-crucial-da-historia-da-humanidade-nao-se-pode-negar-nao-se-pode-ignorar/

9 – CONTRA O ABRAÇO DE FERRO À UCRÂNIA. PORQUE É QUE OS ANARQUISTAS LUTARAM CONTRA O MARXISMO-LENINISMO E AGORA CONTRA O INVASOR RUSSO. https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/03/03/contra-o-abraco-de-ferro-a-ucrania-porque-e-que-os-anarquista-lutaram-contra-o-marxismo-leninismo-e-agora-contra-o-invasor-russo/

10 – NÃO À GUERRA, NÃO AOS IMPÉRIOS., por Carlos Taibo https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/26/nao-a-guerra-nao-aos-imperios/

11 – DECLARAÇÃO ANARQUISTA INTERNACIONAL: CONTRA O MILITARISMO E A GUERRA. PELA LUTA AUTO-ORGANIZADA E A REVOLUÇÃO SOCIAL! https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/26/declaracao-anarquista-internacional-contra-o-militarismo-e-a-guerra-pela-luta-auto-organizada-e-a-revolucao-social/

12 – FOLHETOS ANTI-GUERRA DOS ANARQUISTAS RUSSOS PARA IMPRESSÃO E DISTRIBUIÇÃO https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/26/folhetos-anti-guerra-dos-anarquistas-russos-para-impressao-e-distribuicao/

13 – (UCRÂNIA) COMUNICADO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA FRANCÓFONA https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/25/ucrania-comunicado-da-federacao-anarquista-francofona/

14 – COMUNICADO DA KRAS – SECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE TRABALHADORES (AIT) DA REGIÃO DA RÚSSIA https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/25/comunicado-da-kras-seccao-da-associacao-internacional-de-trabalhadores-ait-da-regiao-da-russia/

15 – OS LIBERTÁRIOS E A INVASÃO DA UCRÂNIA, por M. Ricardo de Sousa https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/25/os-libertarios-e-a-invasao-da-ucrania/

16 – (FAI) FACE À ESCALADA MILITAR, A TENSÃO E O POSSÍVEL CONFLITO BÉLICO NA UCRÂNIA https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2022/02/20/fai-face-a-escalada-militar-a-tensao-e-o-possivel-conflito-belico-na-ucrania/

A invasão da Ucrânia: as intervenções anarquistas e as mudanças geopolíticas


Peter Gelderloos

15/3/2022

A atual guerra na Ucrânia é difícil de abordar e não apenas para aqueles de nós que têm lá amigos e companheiros, a lutar ou a tentar sobreviver, ou que já fugiram e agora se encontram sem casa, muitos deles pela segunda vez, como é o caso dos muitos refugiados que ali tinham procurado abrigo ao longo destes últimos anos.

Também é difícil saber como nos devemos posicionar, dado que este parece ser sobretudo um conflito com apenas dois lados, e ambos os lados – a NATO e a Rússia – têm estado sistematicamente envolvidas em casos de tortura, assassinato, repressão, exploração, racismo e ecocídio, seja internamente, seja por todo o mundo.

Contudo, como anarquistas, quando olhamos para o mundo ao nosso redor temos que estar conscientes das campanhas levadas a cabo pelos estados e pelas estruturas do capitalismo, mas também temos que criar sempre espaço nas nossas análises para as necessidades e para os actos de outras pessoas que estão à margem e contra essas forças.

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Qualquer tempestade começa por uma única gota de chuva


Em memória de dois companheiros mortos em Rojava

Este artigo homenageia as vidas de Lorenzo Orsetti e Ahmed Hebeb, que foram mortos durante os últimos dias da luta contra o Estado Islâmico em março de 2019. Para mais informações sobre o conflito, leia este artigo e esta entrevista com Tekoşîna Anarşîst.

Lorenzo Orsetti e Ahmed Hebeb nas proximidades de Baghuz em março de 2019; a última fotografia conhecida de qualquer um deles.
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Ucrânia: conhecida a primeira morte de um anarquista nos confrontos com o exército russo em Kharkiv


O anarquista ucraniano Igor Volokhov morreu a combater os invasores russos

Recentemente foi conhecida a notícia da morte do primeiro antiautoritário (decorrente da invasão russa à Ucrânia) . Em 2 de março, após um ataque com mísseis no centro de Kharkiv, morreu o nosso velho camarada Igor.

Natural da Crimeia, sonhava com a libertação de sua terra natal e foi coerente com esse objetivo. Logo nos primeiros dias da invasão das tropas russas alistou-se como voluntário no destacamento de defesa territorial, recebeu armas e lutou contra os invasores.

Era uma pessoa culta, profundamente determinada e até teimosa, com quem era interessante discutir – é assim que nos lembramos de Igor. Entre os seus contributos: ter participado no desenvolvimento do movimento sindical, ter participado no Maidan, em Kharkiv , ter iniciado a okupa “Autonomy”, ter tido uma participação ativa nos acontecimentos dos últimos dias.

Igor era um anarquista consistente do ponto de vista ideológico. Ele apoiou os seus amigos que estavam ou estão presos na Federação Russa – Alexander Kolchenko e Evgeny Karakashev. Participou na União de Estudantes quando esteve em direito. Sonhava organizar uma rede de cooperativas em toda a Ucrânia. Era uma pessoa brilhante, alegre e culta. Foi uma inspiração para muitos.

Mais sobre Igor pode ser encontrado aqui, aqui ou aqui.

O anarquista de Kharkiv Igor Volokhov, agora falecido, era uma pessoa diferente. Ativo, corrosivo, intransigente. Um excelente organizador e ávido conversador. Nunca teve medo de conflitos e até gostava deles.

Mas todas as disputas e conflitos da sua vida são pouca coisa face ao facto de Igor se ter tornado um herói. Um verdadeiro herói, sobre o qual se escreverá primeiro em publicações anarquistas e depois na literatura acadêmica.

Concertos serão realizados em sua memória. Canções serão escritas sobre ele, talvez até em diferentes idiomas. Pontos de encontro certamente terão o seu nome e talvez as ruas em que estarão localizados. Provavelmente, algum grupo de insurretos dedicar-lhe à o incêndio da embaixada russa, e até os críticos mais inveterados da insurreição os aplaudirão por isso.

Podemos ter atitudes diferentes em relação à religião, mas Igor Volokhov encontrou a vida eterna mesmo em categorias puramente materialistas.

E as entidades sem rosto que o mataram não receberão nenhuma vida após a morte, nem túmulo nem qualquer epitáfio.

O teu sacrifício não será esquecido, dá-nos raiva e força para continuar a luta, camarada!

Comité de Resistência

aqui: https://avtonom.org/news/anarhist-igor-volohov-pogib-v-boyu-s-rossiyskimi-okkupantami

(traduzido com o google tradutor)