Day: Maio 11, 2022

(Cruz Negra Anarquista de Dresden) A nossa posição sobre a solidariedade com os anarquistas ucranianos


Poucos dias antes do início da guerra de agressão, trocámos opiniões com camaradas da Ucrânia, entre outros. O que fazer em caso de guerra? Para nós era claro que iríamos responder ao pedido de ajuda dos companheiros. Vimos que tínhamos possibilidades de o fazer, de forma muito concreta, ao iniciarmos uma campanha de angariação de fundos para apoiar a Operação Solidariedade, diretamente na Ucrânia, e às pessoas em fuga no exterior. Ficou claro para nós que já havia ativistas que planeavam ficar e lutar na Ucrânia. Desta forma, posicionámo-nos claramente e fomos também criticados por isso. Por conseguinte, no texto a seguir, gostaríamos de explicar brevemente porque é que estamos a fazer o que estamos a fazer.

1) Como é que vocês, enquanto anarquistas, podem apoiar a guerra?

Posicionamo-nos claramente contra esta guerra. O gatilho desta guerra é a fome de poder, o imperialismo e o fascismo do regime de Putin. Ele e os seus apoiantes querem esta guerra, não as pessoas que vivem na Ucrânia.

Portanto, se somos contra esta guerra, a questão é: como parar a guerra? Um ponto de vista anti-militarista sugere que as forças armadas ucranianas poderiam render-se e submeter-se ao regime russo. Na nossa opinião, contudo, isto não conduziria ao fim da guerra, mas encorajaria a Rússia a expandir-se ainda mais (por exemplo, para a Moldávia ou Polónia). Como não podemos esperar atualmente uma mudança de poder na Rússia, a única saída, em nossa opinião, é uma derrota da Rússia. Isto pode parecer uma coisa diferente, mas em qualquer caso subentende que as pessoas na Ucrânia se possam defender militarmente contra a Rússia da melhor maneira possível.

Portanto, queremos apoiar o povo da Ucrânia a defender-se para pôr fim a esta guerra o mais depressa possível.

Também não queremos ter a pretensão de sermos nós a decidir se é correto alguém defender-se contra os invasores pela força das armas. Se uma pessoa luta ou foge a escolha é sua. É importante para nós que tanto as pessoas que lutam como as que fogem tenham o nosso apoio. Na nossa opinião, estas duas formas de agir não devem ser postas uma contra a outra!

2) Como é que vocês, enquanto anarquistas, apoiam o Estado ucraniano/Exército ucraniano?

Nós não apoiamos diretamente o Estado ou o exército da Ucrânia. O nosso objetivo é apoiar as pessoas a defenderem-se a si mesmas e às suas casas contra uma guerra de invasão. Contudo, é verdade que muitas pessoas decidiram juntar-se ao Exército Ucraniano ou às Unidades de Defesa Territorial porque atualmente não existem alternativas sob a forma de unidades independentes.

Em 2014, havia grupos independentes a lutar em Donbass que eram principalmente de direita. Por esta razão, entre outras, o Estado ucraniano tem-se concentrado nos últimos meses em impedir a criação de grupos independentes ou tentou integrá-los no exército.

Para os libertários e anti-autoritários, a situação atual não é simples nem livre de contradições. Ou se mantêm fiéis aos seus princípios políticos e não lutam, ou comprometem-se e aderem à defesa militar. A questão de saber se é correto fazer certos compromissos a fim de alcançar objetivos maiores é algo que encontramos repetidamente na nossa organização política. Neste caso, podemos compreender bem as pessoas que se querem defender, de armas na mão,  da possibilidade de terem que viver sob o regime de Putin. Se a entrada no exército ucraniano for a única opção durante a luta, também entendemos isso. Contudo, continua a ser importante e inevitável para nós continuarmos a observar criticamente o estado ucraniano e, portanto, também o seu exército, e não os “apoiar” de forma irrefletida, apenas porque neste momento são “os bons da fita”.

Traduzido com a ajuda da versão gratuita do tradutor – http://www.DeepL.com/Translator

aqui: https://abcdd.org/en/2022/05/10/position-on-our-solidarity-work-in-ukraine/

(opinião) A criminosa invasão da Ucrânia reforçou a NATO, o militarismo e a extrema-direita


A criminosa invasão da Ucrânia por parte do exército russo às ordens de Putin, para além de ter violado todas as regras do direito internacional e da convivência entre os povos (em que qualquer agressão, mas, sobretudo, uma invasão territorial deverá ser firmemente combatida), veio alterar o xadrez internacional numa cada vez maior polarização entre blocos político-militares.

Para já, a pretexto da proclamada “desnazificação” putiana da Ucrânia, o que se viu foi:

– Um reforço inesperado da NATO, que agonizava à falta de um pretexto para existir;

– Uma credibilização da União Europeia e do euro, que estavam, depois da saída da Grã-Bretanha do espaço europeu,  com dificuldades de afirmação;

– O reforços dos investimentos militares na União Europeia e nos Estados Unidos e a presença militar, cada vez mais reforçada, dos Estados Unidos na Europa;

– O rearmamento da Alemanha, o que acontece pela primeira vez depois da II Guerra Mundial.

E, por último, exatamente ao contrário do que Putin afirmou para justificar a invasão, nunca em momento algum na história da Europa pós-nazi se tinha visto um tal ressurgimento da extrema-direita e dos seus valores, perfeitamente integrados nas sociedades ocidentais, ainda marcadas pela experiência negativa e dolorosa das décadas de poder comunista nas chamadas democracias populares do leste europeu.

Mesmo uma milícia como o Batalhão Azov, que começou como uma milícia da extrema-direita nazi (embora ao longo dos anos tenha integrado milhares de elementos das mais variadas origens, sob o lema do nacionalismo, sem que a marca de extrema-direita fosse obrigatória) tem visto a sua imagem ser “adocicada” e, no fim desta guerra, depois da resistência em Mariupol, aconteça o que acontecer aos resistentes na Azovstal, persistirá como símbolo da resistência à invasão russa para muitos milhões de ucranianos e de outros povos no mundo.

Se Putin queria efetivamente acabar com o nazismo às suas portas – os resultados são bem diferentes.

A Europa militarizou-se; a NATO reforçou-se; a extrema-direita cresceu e o papel da Rússia no mundo reduziu-se ao de um estado pária e com um peso diminuto, deixando praticamente de contar no grande braço-de-ferro que se prepara – esse sim, qual Tratado de Tordesilhas –, num futuro próximo, na divisão do mundo entre os Estados Unidos, os seus aliados e a China.

j.m. (recebido por email com pedido de publicação)