(opinião) A criminosa invasão da Ucrânia reforçou a NATO, o militarismo e a extrema-direita


A criminosa invasão da Ucrânia por parte do exército russo às ordens de Putin, para além de ter violado todas as regras do direito internacional e da convivência entre os povos (em que qualquer agressão, mas, sobretudo, uma invasão territorial deverá ser firmemente combatida), veio alterar o xadrez internacional numa cada vez maior polarização entre blocos político-militares.

Para já, a pretexto da proclamada “desnazificação” putiana da Ucrânia, o que se viu foi:

– Um reforço inesperado da NATO, que agonizava à falta de um pretexto para existir;

– Uma credibilização da União Europeia e do euro, que estavam, depois da saída da Grã-Bretanha do espaço europeu,  com dificuldades de afirmação;

– O reforços dos investimentos militares na União Europeia e nos Estados Unidos e a presença militar, cada vez mais reforçada, dos Estados Unidos na Europa;

– O rearmamento da Alemanha, o que acontece pela primeira vez depois da II Guerra Mundial.

E, por último, exatamente ao contrário do que Putin afirmou para justificar a invasão, nunca em momento algum na história da Europa pós-nazi se tinha visto um tal ressurgimento da extrema-direita e dos seus valores, perfeitamente integrados nas sociedades ocidentais, ainda marcadas pela experiência negativa e dolorosa das décadas de poder comunista nas chamadas democracias populares do leste europeu.

Mesmo uma milícia como o Batalhão Azov, que começou como uma milícia da extrema-direita nazi (embora ao longo dos anos tenha integrado milhares de elementos das mais variadas origens, sob o lema do nacionalismo, sem que a marca de extrema-direita fosse obrigatória) tem visto a sua imagem ser “adocicada” e, no fim desta guerra, depois da resistência em Mariupol, aconteça o que acontecer aos resistentes na Azovstal, persistirá como símbolo da resistência à invasão russa para muitos milhões de ucranianos e de outros povos no mundo.

Se Putin queria efetivamente acabar com o nazismo às suas portas – os resultados são bem diferentes.

A Europa militarizou-se; a NATO reforçou-se; a extrema-direita cresceu e o papel da Rússia no mundo reduziu-se ao de um estado pária e com um peso diminuto, deixando praticamente de contar no grande braço-de-ferro que se prepara – esse sim, qual Tratado de Tordesilhas –, num futuro próximo, na divisão do mundo entre os Estados Unidos, os seus aliados e a China.

j.m. (recebido por email com pedido de publicação)

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