A ESSÊNCIA É MAIS IMPORTANTE DO QUE A BANDEIRA 🏴


Pramen

09.05.2022

Tendo derrotado um adversário mais agressivo e mais forte na Segunda Guerra Mundial, a URSS conseguiu colar a si mesma o rótulo de “anti-fascismo”, permanecendo ao mesmo tempo, na sua essência, um estado fascista. Questões como “quem atacou primeiro?”, “estamos sob a ameaça de sermos agredidos pelo capitalismo imperialista?” e assim por diante ajudaram a propaganda a mascarar, durante muito tempo, esta realidade por detrás do antigo rótulo.

Nem a escravidão dos chechenos, nem a anexação da Crimeia, e muito menos o assassinato e a detenção de opositores internos, conseguiram destruir este mito. O velho truque foi usado por todo o lado: somos representantes do bem, do anti-fascismo/comunismo/democracia (escolha o que preferir) por isso temos as mãos livres. Como se, em nome do bem, se pudessem cometer todas as atrocidades, bastando, para isso, demonizar e desumanizar o inimigo.

Que conclusões podem ser tiradas? O facto de, nalguns conflitos, o Estado ter de se defender, não o torna anti-fascista. Qualquer Estado adota slogans nobres e refugia-se por detrás do que diz ser o interesse das pessoas, mas o conteúdo é mais importante do que o letreiro. Criar uma imagem de um inimigo brutal e difundir a lógica da responsabilidade coletiva ajuda o Estado a estabelecer primeiro o controlo sobre as emoções das pessoas e depois sobre as suas consciências, abrindo campo para o fascismo. Não o tipo de fascismo onde há tanques e mortes, mas aquele em que começamos a confiar implicitamente nas autoridades estatais e a considerar que a dissidência joga a favor do inimigo.

Assim, no campo de batalha, é preciso que não te esqueças de exterminar os demónios que existem dentro de ti próprio, de avaliar até que ponto as tuas ações e as dos teus aliados coincidem ou não com os princípios do anarquismo. Cabe-nos a nós determinar se a nossa luta trará a libertação, ou se a nossa crueldade e necessidade de vingança destruirão a essência dos nossos atos, substituindo no campo de batalha a bandeira do “anti-fascismo” pela da “democracia” .

Pramen (revista digital dos anarquistas bielorussos. Muitos integram as unidades de defesa territorial da Ucrânia que combatem a invasão russa)

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