Day: Junho 13, 2022

Soldado britânico capturado em Mariupol e condenado à morte na “República Popular de Donetsk” lutou na Síria por um Curdistão livre e independente


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Aidan Aslin, e outros membros do YPG, no Curdistão sírio,

Recentemente na zona ocupada pelos separatistas russos da chamada República Popular de Donetsk foram condenados à morte 3 militares do Exército Ucraniano capturados em Mariupol. Um dos condenados é de nacionalidade marroquina e os outros dois, de nacionalidade britânica. Um destes, Aidan Aslin, tinha anteriormente lutado ao lados dos Curdos contra o Estado Islâmico, na Síria, releva o site anarquista, em língua russa, avtonom.org/.

Sob o título “nazis matam anti-fascistas” este site informa que “no dia 9 de Junho, o chamado tribunal da República Popular de Donetsk (RPD) condenou à morte três cidadãos estrangeiros que são soldados a tempo integral das Forças Armadas Ucranianas (FAU). Eles lutaram contra a agressão russa e foram feitos prisioneiros durante as batalhas por Mariupol. São Saadoun Brahim, cidadão marroquino, Sean Pinner e Aidan Aslin, cidadãos britânicos. Foram acusados de “mercenarismo, tentativa de tomada violenta do poder e de receber treino para levar a cabo actividades terroristas”.”

Segundo o avtonom.org/ “haveria muito a dizer sobre a insanidade deste julgamento, mesmo do ponto de vista da lei burguesa: como pode um dos lados julgar os soldados do lado oposto pelo simples facto de terem participado numa guerra do lado do inimigo? Também se pode dizer que na RPD, a Rússia (que controla a RPD um pouco mais do que na totalidade) está simplesmente a testar o regresso da pena de morte. Na própria Rússia ainda existe uma moratória, mas, como Vlad Barabanov escreveu no seu Canal de Telegram, depois da Federação Russa deixar o Conselho da Europa não há nada que impeça (esta moratória) de ser removida. Se, claro, tudo correr bem no Donbass.”

“Mas, neste caso, isso nem sequer é o mais importante: antes de se mudarem para a Ucrânia, Aidan Aslin e Sean Pinner (1) participaram activamente na guerra contra o Estado islâmico na Síria ao lado das Unidades de Protecção do Povo Curdo (YPG)” – E acrescenta o site. “É simbólico. Lutaram contra o obscurantismo invasor dos fanáticos do Estado Islâmico – lutaram ao lado dos curdos que estão a construir uma sociedade de solidariedade e igualdade, essa sim, uma verdadeira república popular. Podem ser criticados, que o seu modelo não é cem por cento anarquista, mas mesmo assim Rojava e outras áreas do Curdistão sírio são comunidades com um grau de transformações mais próximas desse ideal do que qualquer Estado-nação. E agora são estas pessoas que combatem o avanço do imperialismo russo na Ucrânia. Contra todo o inferno que acompanha o chamado mundo russo: violência, autoritarismo, ignorância militante, patriarcado, isolacionismo. “

Para os anarquistas russos “o que aqui é simbólico é que a falsa “república do povo” (de Donetsk) está agora a tentar matar aqueles que lutaram pela verdadeira república do povo. As mentiras estão a exigir a execução da verdade, as autoridades fantoches fascistas estão a condenar anti-fascistas para os executarem. Não estamos, evidentemente, familiarizados com as opiniões políticas de Saadoun, Pinner e Aiden (embora muita gente de esquerda e anarquistas tenham lutado e estejam a lutar do lado curdo). Mas, na realidade, o combate que travaram insere-se na luta anti-fascista. O verdadeiro fascista nesta guerra é apenas um – e esse é o governo de Putin que ocupa o Kremlin”.

(1) Pelo que se sabe, até ao momento, confirmada, apenas está presença de Aidan Aslin no Curdistão, ao lado dos combatentes do YPG. Tentámos obter confirmação também da presença de Sean Pinner, no Curdistão, como é referido pelos companheiros russos, mas não encontrámos essa referência em mais nenhum sítio. (nota do Portal Anarquista)