Soldado britânico capturado em Mariupol e condenado à morte na “República Popular de Donetsk” lutou na Síria por um Curdistão livre e independente


Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é photo_2022-06-12_20-23-17.jpg
Aidan Aslin, e outros membros do YPG, no Curdistão sírio,

Recentemente na zona ocupada pelos separatistas russos da chamada República Popular de Donetsk foram condenados à morte 3 militares do Exército Ucraniano capturados em Mariupol. Um dos condenados é de nacionalidade marroquina e os outros dois, de nacionalidade britânica. Um destes, Aidan Aslin, tinha anteriormente lutado ao lados dos Curdos contra o Estado Islâmico, na Síria, releva o site anarquista, em língua russa, avtonom.org/.

Sob o título “nazis matam anti-fascistas” este site informa que “no dia 9 de Junho, o chamado tribunal da República Popular de Donetsk (RPD) condenou à morte três cidadãos estrangeiros que são soldados a tempo integral das Forças Armadas Ucranianas (FAU). Eles lutaram contra a agressão russa e foram feitos prisioneiros durante as batalhas por Mariupol. São Saadoun Brahim, cidadão marroquino, Sean Pinner e Aidan Aslin, cidadãos britânicos. Foram acusados de “mercenarismo, tentativa de tomada violenta do poder e de receber treino para levar a cabo actividades terroristas”.”

Segundo o avtonom.org/ “haveria muito a dizer sobre a insanidade deste julgamento, mesmo do ponto de vista da lei burguesa: como pode um dos lados julgar os soldados do lado oposto pelo simples facto de terem participado numa guerra do lado do inimigo? Também se pode dizer que na RPD, a Rússia (que controla a RPD um pouco mais do que na totalidade) está simplesmente a testar o regresso da pena de morte. Na própria Rússia ainda existe uma moratória, mas, como Vlad Barabanov escreveu no seu Canal de Telegram, depois da Federação Russa deixar o Conselho da Europa não há nada que impeça (esta moratória) de ser removida. Se, claro, tudo correr bem no Donbass.”

“Mas, neste caso, isso nem sequer é o mais importante: antes de se mudarem para a Ucrânia, Aidan Aslin e Sean Pinner (1) participaram activamente na guerra contra o Estado islâmico na Síria ao lado das Unidades de Protecção do Povo Curdo (YPG)” – E acrescenta o site. “É simbólico. Lutaram contra o obscurantismo invasor dos fanáticos do Estado Islâmico – lutaram ao lado dos curdos que estão a construir uma sociedade de solidariedade e igualdade, essa sim, uma verdadeira república popular. Podem ser criticados, que o seu modelo não é cem por cento anarquista, mas mesmo assim Rojava e outras áreas do Curdistão sírio são comunidades com um grau de transformações mais próximas desse ideal do que qualquer Estado-nação. E agora são estas pessoas que combatem o avanço do imperialismo russo na Ucrânia. Contra todo o inferno que acompanha o chamado mundo russo: violência, autoritarismo, ignorância militante, patriarcado, isolacionismo. “

Para os anarquistas russos “o que aqui é simbólico é que a falsa “república do povo” (de Donetsk) está agora a tentar matar aqueles que lutaram pela verdadeira república do povo. As mentiras estão a exigir a execução da verdade, as autoridades fantoches fascistas estão a condenar anti-fascistas para os executarem. Não estamos, evidentemente, familiarizados com as opiniões políticas de Saadoun, Pinner e Aiden (embora muita gente de esquerda e anarquistas tenham lutado e estejam a lutar do lado curdo). Mas, na realidade, o combate que travaram insere-se na luta anti-fascista. O verdadeiro fascista nesta guerra é apenas um – e esse é o governo de Putin que ocupa o Kremlin”.

(1) Pelo que se sabe, até ao momento, confirmada, apenas está a presença de Aidan Aslin no Curdistão, ao lado dos combatentes do YPG. Tentámos obter confirmação também da presença de Sean Pinner, no Curdistão, como é referido pelos companheiros russos, mas não encontrámos essa referência em mais nenhum sítio. (nota do Portal Anarquista)

3 comments

  1. 2015/16 Aislin esteve no YPJ, 2018/2022 Ucrânia…no batalhão Azov de grande tradição anti-autoritária e igualitária…A Ucrânia que tem boas relações com a Turquia, esse grande baluarte de defesa do YPJ…Moral da história é um verdadeiro mercenário! merece a pena de morte? isso é outra questão… hoje em dia a defesa e branqueamento do regime corrupto, autoritário, explorador, lacaio dos Yankees, está na “moda” por causa da invasão do regime “irmão” russo que não quer oferecer o seu rico e vasto império aos americanos como fizeram os palhaços ( ricos) da UE…

    1. Na nossa opinião, o ter estado na Síria, a lutar com os curdos, e agora na Ucrãnia, não faz deste voluntário um mercenário. A verdade é que de um e do outro lado da barricada (a apoiar o regime ditatorial da Siria e da Turquia, contra os curdos) esteve sempre a Rússia e, por isso, é normal que esse combate se estendesse aos territórios ucranianos ocupados pelas milícias separatistas (fascistas, na maior parte dos casos – é como se lhes referem os anarquistas locais) pró-russas, com o apoio do exército russo. Temos seguido com atenção os grupos e coletivos russos e ucranianos (e de outros países da região). Todos consideram que o regime de Putin é o exemplo de um regime fascista e um mal bem maior do que as democracias ocidentais. Fazendo o paralelismo com Portugal, antes do 25 de Abril, todos consideram que a queda de Putin e do seu regime é o dado mais importante para a construção de alternativas – democráticas, socialistas, libertárias, em toda aquela região (Rússia, Ucrânia, Geórgia, Bielorussia, Tchetchenia – e aqui, falando em mercenários, quantos batalhões AZOV, islâmicos e não islâmicos, não existirão na Tchetchénia e a lutar ao lado dos russos como o famoso batalhão wagner?….) Caro Joaquim Manuel: perante esta guerra pode defender-se que não se tem posição, que tanto se lhe dá, que a guerra não é solução: mas apoiar o invasor e ser contra o invadido; apoiar os relatos miseráveis que tentam nivelar como iguais os ataques da Rússia – que estão a invadir um país – e a resposta ucraniana – que tenta resistir à invasão – não é próprio de quem tenha um mínimo de decência intelectual.

      1. Por a resposta da colibev ao meu comentário conter imprecisões, omissões, e processos de intenções que não podem ser inferidos do meu comentário resolvi acrescentar o seguinte:
        1- O voluntário/combatente do YPJ era (é) afinal um combatente contra a Rússia que SEMPRE apoiou a ditadura Turca e Síria contra os Curdos… Não é verdade e pode ser facilmente pesquisado aqui na net (ex.)
        https://www.rfi.fr/br/mundo/20151216-eua-e-russia-ainda-tem-divergencias-importantes-sobre-siria-diz-moscou
        Quem abandonou os Curdos primeiro foram os (democratas americanos)
        2-Quem se tornou “amigo” do regime Ucraniano foi a ditadura Turca que além de lhe ter fornecido uns drones de sucesso militar, uma fragata, e facilitado os negócios… alguem perguntou aos curdos se concordam com esta amizade? tudo isto e com mais detalhes pode também ser pesquisado
        3- “O Fascismo Russo é um mal muito maior que as democracias ocidentais” quais? são todas iguais? o regime Ucraniano é uma democracia ocidental? na proibição de partidos políticos sobretudo de esquerda?, nas leis de trabalho liberal? sobretudo nas garantias que dão aos trabalhadores? é que existiu/existe uma onda de imigração semelhante àquela que por cá havia na altura do 25/04. Daí talvez a vossa referência a tal data e nisso concordo que o regime Ucraniano precisa do mesmo, não será através da invasão russa, mas não sei é com que militares…apesar dos Azovianos serem nazis fascistas dos bons não ousarão a fazer tal coisa. Poderia desenvolver todos estes temas com suporte bibliográfico ( net) mas não vem aqui para o caso
        4- Referi no comentário que acho o regime oligárquico Ucraniano com muitas semelhanças ao Russo salvaguardando a escala. Também não é aqui o lugar para desenvolver o tema, tanto mais que não é politicamente correto.
        5- Por último o processo de intenções:
        “apoiar o invasor contra o invadido…”, “nivelar como iguais os ataques da Rússia…com a resposta Ucrâniana…”…
        É coisa que não aparece no meu comentário… provavelmente sou seguido pelo “colibev” nalguma rede social que não dei conta…mas responderei com muito prazer nesses lugares a essas questões.
        Dito isto não fico ofendido com o título de ” indecente intelectual” já que uma das minhas costelas anarquista leva- me a aguentar bem a critica moralista burguesa dos bons costumes, alinhar com o rebanho mesmo quando vai ter com os lobos ou o precipício nunca foi o meu caminho.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s