Soldado britânico capturado em Mariupol e condenado à morte na “República Popular de Donetsk” lutou na Síria por um Curdistão livre e independente


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Aidan Aslin, e outros membros do YPG, no Curdistão sírio,

Recentemente na zona ocupada pelos separatistas russos da chamada República Popular de Donetsk foram condenados à morte 3 militares do Exército Ucraniano capturados em Mariupol. Um dos condenados é de nacionalidade marroquina e os outros dois, de nacionalidade britânica. Um destes, Aidan Aslin, tinha anteriormente lutado ao lados dos Curdos contra o Estado Islâmico, na Síria, releva o site anarquista, em língua russa, avtonom.org/.

Sob o título “nazis matam anti-fascistas” este site informa que “no dia 9 de Junho, o chamado tribunal da República Popular de Donetsk (RPD) condenou à morte três cidadãos estrangeiros que são soldados a tempo integral das Forças Armadas Ucranianas (FAU). Eles lutaram contra a agressão russa e foram feitos prisioneiros durante as batalhas por Mariupol. São Saadoun Brahim, cidadão marroquino, Sean Pinner e Aidan Aslin, cidadãos britânicos. Foram acusados de “mercenarismo, tentativa de tomada violenta do poder e de receber treino para levar a cabo actividades terroristas”.”

Segundo o avtonom.org/ “haveria muito a dizer sobre a insanidade deste julgamento, mesmo do ponto de vista da lei burguesa: como pode um dos lados julgar os soldados do lado oposto pelo simples facto de terem participado numa guerra do lado do inimigo? Também se pode dizer que na RPD, a Rússia (que controla a RPD um pouco mais do que na totalidade) está simplesmente a testar o regresso da pena de morte. Na própria Rússia ainda existe uma moratória, mas, como Vlad Barabanov escreveu no seu Canal de Telegram, depois da Federação Russa deixar o Conselho da Europa não há nada que impeça (esta moratória) de ser removida. Se, claro, tudo correr bem no Donbass.”

“Mas, neste caso, isso nem sequer é o mais importante: antes de se mudarem para a Ucrânia, Aidan Aslin e Sean Pinner (1) participaram activamente na guerra contra o Estado islâmico na Síria ao lado das Unidades de Protecção do Povo Curdo (YPG)” – E acrescenta o site. “É simbólico. Lutaram contra o obscurantismo invasor dos fanáticos do Estado Islâmico – lutaram ao lado dos curdos que estão a construir uma sociedade de solidariedade e igualdade, essa sim, uma verdadeira república popular. Podem ser criticados, que o seu modelo não é cem por cento anarquista, mas mesmo assim Rojava e outras áreas do Curdistão sírio são comunidades com um grau de transformações mais próximas desse ideal do que qualquer Estado-nação. E agora são estas pessoas que combatem o avanço do imperialismo russo na Ucrânia. Contra todo o inferno que acompanha o chamado mundo russo: violência, autoritarismo, ignorância militante, patriarcado, isolacionismo. “

Para os anarquistas russos “o que aqui é simbólico é que a falsa “república do povo” (de Donetsk) está agora a tentar matar aqueles que lutaram pela verdadeira república do povo. As mentiras estão a exigir a execução da verdade, as autoridades fantoches fascistas estão a condenar anti-fascistas para os executarem. Não estamos, evidentemente, familiarizados com as opiniões políticas de Saadoun, Pinner e Aiden (embora muita gente de esquerda e anarquistas tenham lutado e estejam a lutar do lado curdo). Mas, na realidade, o combate que travaram insere-se na luta anti-fascista. O verdadeiro fascista nesta guerra é apenas um – e esse é o governo de Putin que ocupa o Kremlin”.

(1) Pelo que se sabe, até ao momento, confirmada, apenas está presença de Aidan Aslin no Curdistão, ao lado dos combatentes do YPG. Tentámos obter confirmação também da presença de Sean Pinner, no Curdistão, como é referido pelos companheiros russos, mas não encontrámos essa referência em mais nenhum sítio. (nota do Portal Anarquista)

3 comments

  1. 2015/16 Aislin esteve no YPJ, 2018/2022 Ucrânia…no batalhão Azov de grande tradição anti-autoritária e igualitária…A Ucrânia que tem boas relações com a Turquia, esse grande baluarte de defesa do YPJ…Moral da história é um verdadeiro mercenário! merece a pena de morte? isso é outra questão… hoje em dia a defesa e branqueamento do regime corrupto, autoritário, explorador, lacaio dos Yankees, está na “moda” por causa da invasão do regime “irmão” russo que não quer oferecer o seu rico e vasto império aos americanos como fizeram os palhaços ( ricos) da UE…

    1. Na nossa opinião, o ter estado na Síria, a lutar com os curdos, e agora na Ucrãnia, não faz deste voluntário um mercenário. A verdade é que de um e do outro lado da barricada (a apoiar o regime ditatorial da Siria e da Turquia, contra os curdos) esteve sempre a Rússia e, por isso, é normal que esse combate se estendesse aos territórios ucranianos ocupados pelas milícias separatistas (fascistas, na maior parte dos casos – é como se lhes referem os anarquistas locais) pró-russas, com o apoio do exército russo. Temos seguido com atenção os grupos e coletivos russos e ucranianos (e de outros países da região). Todos consideram que o regime de Putin é o exemplo de um regime fascista e um mal bem maior do que as democracias ocidentais. Fazendo o paralelismo com Portugal, antes do 25 de Abril, todos consideram que a queda de Putin e do seu regime é o dado mais importante para a construção de alternativas – democráticas, socialistas, libertárias, em toda aquela região (Rússia, Ucrânia, Geórgia, Bielorussia, Tchetchenia – e aqui, falando em mercenários, quantos batalhões AZOV, islâmicos e não islâmicos, não existirão na Tchetchénia e a lutar ao lado dos russos como o famoso batalhão wagner?….) Caro Joaquim Manuel: perante esta guerra pode defender-se que não se tem posição, que tanto se lhe dá, que a guerra não é solução: mas apoiar o invasor e ser contra o invadido; apoiar os relatos miseráveis que tentam nivelar como iguais os ataques da Rússia – que estão a invadir um país – e a resposta ucraniana – que tenta resistir à invasão – não é próprio de quem tenha um mínimo de decência intelectual.

      1. Por a resposta da colibev ao meu comentário conter imprecisões, omissões, e processos de intenções que não podem ser inferidos do meu comentário resolvi acrescentar o seguinte:
        1- O voluntário/combatente do YPJ era (é) afinal um combatente contra a Rússia que SEMPRE apoiou a ditadura Turca e Síria contra os Curdos… Não é verdade e pode ser facilmente pesquisado aqui na net (ex.)
        https://www.rfi.fr/br/mundo/20151216-eua-e-russia-ainda-tem-divergencias-importantes-sobre-siria-diz-moscou
        Quem abandonou os Curdos primeiro foram os (democratas americanos)
        2-Quem se tornou “amigo” do regime Ucraniano foi a ditadura Turca que além de lhe ter fornecido uns drones de sucesso militar, uma fragata, e facilitado os negócios… alguem perguntou aos curdos se concordam com esta amizade? tudo isto e com mais detalhes pode também ser pesquisado
        3- “O Fascismo Russo é um mal muito maior que as democracias ocidentais” quais? são todas iguais? o regime Ucraniano é uma democracia ocidental? na proibição de partidos políticos sobretudo de esquerda?, nas leis de trabalho liberal? sobretudo nas garantias que dão aos trabalhadores? é que existiu/existe uma onda de imigração semelhante àquela que por cá havia na altura do 25/04. Daí talvez a vossa referência a tal data e nisso concordo que o regime Ucraniano precisa do mesmo, não será através da invasão russa, mas não sei é com que militares…apesar dos Azovianos serem nazis fascistas dos bons não ousarão a fazer tal coisa. Poderia desenvolver todos estes temas com suporte bibliográfico ( net) mas não vem aqui para o caso
        4- Referi no comentário que acho o regime oligárquico Ucraniano com muitas semelhanças ao Russo salvaguardando a escala. Também não é aqui o lugar para desenvolver o tema, tanto mais que não é politicamente correto.
        5- Por último o processo de intenções:
        “apoiar o invasor contra o invadido…”, “nivelar como iguais os ataques da Rússia…com a resposta Ucrâniana…”…
        É coisa que não aparece no meu comentário… provavelmente sou seguido pelo “colibev” nalguma rede social que não dei conta…mas responderei com muito prazer nesses lugares a essas questões.
        Dito isto não fico ofendido com o título de ” indecente intelectual” já que uma das minhas costelas anarquista leva- me a aguentar bem a critica moralista burguesa dos bons costumes, alinhar com o rebanho mesmo quando vai ter com os lobos ou o precipício nunca foi o meu caminho.

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