Da (não) eficácia das ‘greves simbólicas’


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Sobre o pouco eco da greve da função pública de sexta-feira

Os anarquistas, por definição e historicamente, defendem as greves como um instrumento importante para  a classe trabalhadora se mobilizar e conseguir ganhos em termos de condições de trabalho, salários, etc. . As greves animadas pelo sindicatos anarcosindicalistas assentavam também na ideia de que as greves parcelares, reivindicativas de melhorias pontuais no dia a dia dos trabalhadores, eram ao mesmo tempo um exercício que iria conduzir à grande greve geral expropriadora que poria fim ao capitalismo e à sociedade de classes. Por isso, em cada greve, mesmo parcelar, esse objetivo final estava sempre presente.

Hoje as greves levadas a cabo pela CGTP (ou por outras organizações da mesma índole) são meramente simbólicas, com data para início e termo (geralmente um dia ) e apenas viradas para o sector público, por ser mais fácil enfrentar o Estado-patrão do que os patrões do sector privado.  Paralelamente a este pouco eco sindical, todos nós conhecemos, seja nos nossos locais de trabalho ou a partir dos nossos relacionamentos pessoais, dezenas e dezenas de trabalhadores que, ou, no dia da greve, gozam um dia de férias, para não perderem o salário e o subsídio de alimentação, ou, noutros casos, trabalham normalmente, nas suas tarefas habituais, embora assumam que estão em greve.

Apesar das escolas fechadas (aqui ao lado a criançada diverte-se no parque infantil porque não tiveram escola), das repartições públicas encerradas e de alguns centros de saúde e serviços hospitalares o efeito deste tipo de greve, de um dia à sexta-feira, praticamente sem piquetes de greves que mereçam esse qualitativo, é quase nulo e serve apenas para “picar o ponto” num momento em que se discute o orçamento de estado para 2023 e para que as burocracias sindicais apresentem “trabalho” (em geral enfeudadas ao PCP e, sobretudo agora, queiram mostrar que “o partido está na rua”, seja lá isso o que for).

Do nosso ponto de vista, é cada vez mais urgente pensar outras formas de luta e outras formas organizativas, menos orgânicas e mais criativas, sob risco do ato de “fazer greve” começar a ser tão inócuo que não valha a pena fazer – sobretudo, agora, em que é cada vez mais difícil conseguir que os salários mais baixos “estiquem” até ao fim do mês e em que cada tostão conta no bolso dos trabalhadores.

A. C. (recebido por email)

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