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Quando as paredes falam: cartazes anarquistas nas ruas de Lisboa contra o voto nas eleições de 2019


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aqui: https://ephemerajpp.com/2019/09/17/eleicoes-legislativas-de-2019-cartazes-anarquistas-contra-o-voto/

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(Lisboa) Exposição sobre o centenário de “A Batalha” deve ser inaugurada a 9 de Outubro na Biblioteca Nacional


Está neste momento em avançado estado de preparação uma exposição a realizar na Biblioteca Nacional, em Lisboa,  sobre o centenário do jornal anarco-sindicalista A Batalha e os 45 anos da revista A IDEIA, com data prevista de inauguração a 9 de Outubro de 2019.

Segundo os organizadores, que estão neste momento a finalizar os trabalhos da exposição, “aos 23 de Fevereiro de 1919 aparecia em Lisboa este diário, «Porta-voz da organização operária portuguesa», tendo como redactor-principal o tipógrafo Alexandre Vieira. Chegou a ser considerado como a terceira maior tiragem nacional. Ilegalizado em 1927, teve várias fases de clandestinidade e ressurgiu em 1974 sob a direcção de Emídio Santana. Mas foi sobretudo uma obra colectiva de vontades livres.

O jornal e a Confederação Geral do Trabalho (CGT) foram duas das melhores expressões da ideologia operária sindicalista-revolucionária, muito activa no início do século XX.

Ocorre também a efeméride dos 45 anos de criação da revista A Ideia, recordando-se aqui igualmente a sua trajectória, desde Paris em Abril de 1974 até ao actual nº 84/85/86 como “revista de cultura libertária”.

(Já nas bancas) Habemus Batalha nº 284/285


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À venda nos locais melhores frequentados:

A Batalha está à venda na Tortuga, Letra Livre, A Banca 31, Barata, Linha de Sombra, RDA69, Serigaita, Snob, Tigre de Papel, Zaratan – Arte Contemporânea, nos quiosques junto ao Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano, na Rua Camilo Castelo Branco e no Largo do Chiado (Lisboa), no Gato Vadio e na Utopia (Porto), na Uni Verso (Setúbal), na SMUP (Parede) e na Fonte de Letras (Évora).

Cpntacto: jornalabatalha@gmail.com

As condições de assinatura de A Batalha são as seguintes: 

Continente | 6 nos: 6,98€ / 12 nos: 12,97€
Ilhas, via aérea | 6 nos: 7,98€ / 12 nos: 15,46€
Ilhas, via económica | 6 nos: 6,98€ / 12 nos: 12,97€
Europa | 6 nos: 11,97€ / 12 nos: 22,45€
Extra-Europa, via aérea | 6 nos: 15,56€ / 12 nos: 27,93€
Extra-Europa, via económica | 6 nos: 11,97€ / 12 nos: 22,45€
O pagamento poderá ser efectuado para o NIB do CEL:
0033 0000 0001 0595 5845 9.

´Luz – Clarão – Fulgor’, de Sílvia das Fadas, um filme baseado na história e nas comunas fundadas pelo anarquista António Gonçalves Correia


Espaço Llansol, RUA SARAIVA DE CARVALHO, 8-1º F – 1250-243 LISBOA

Sábado, 22 de Junho, 16 horas

No próximo dia 22 de Junho, pelas 16 horas, vamos mostrar um filme singular e conversar com a sua realizadora, Sílvia das Fadas, que já foi uma preciosa colaboradora do Espaço Llansol, e agora regressa para nos mostrar o seu filme Luz-Clarão-Fulgor (em formato de 16 mm, como todos os filmes da Sílvia), que assimila muito da escrita de Maria Gabriela Llansol sobre a ideia de comunidade, o fulgor, a deshierarquização e o Vivo.

O filme recupera a história do anarquista português António Gonçalves Correia e das suas «comunas» – primeiro, a «Comuna da Luz», em Vale de Santiago/Odemira (1917-18), e depois a «Comuna Clarão», em Albarraque (1926) –, e insere essa história na longa luta de resistência contra os senhores da terra num Alentejo desde sempre marcado por profundas desigualdades.

A Sílvia resume assim a ideia do seu filme, de que nos falará mais pormenorizadamente no dia 22:
«Qual a relação e/ou a diferença entre emancipação e despossessão?» Quais as condições necessárias à sobrevivência e reencantamento da terra? Como poderemos reunirmo-nos num lugar de hospitalidade e ensaiar a nossa imaginação crítica em direcção a um tempo para além da possessão, uma sociedade não racial e não capitalista? Que imagens darão forma a este anseio por uma comunidade de rebeldes, «o segredo a que se chamou solidariedade», o sonho fugitivo? Onde jaz a semente da insurgência e qual poderá ser a oferenda do cinema?

(1905-1937) O estivador anarquista Pedro Matos Filipe foi o primeiro antifascista a morrer no Tarrafal


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Pedro de Matos Filipe, o primeiro preso a morrer no Tarrafal

Anarco-Sindicalista, estivador, foi a primeira vítima do Campo de Concentração do Tarrafal, falecendo aos 32 anos, um ano após a sua chegada. Vítima de biliose, sem qualquer assistência médica.

Pedro de Matos Filipe, filho de Margarida Rosa e de José de Matos Filipe, nasceu em Almada em 19 de Junho de 1905. Era carregador/estivador de porto e sindicalista. Presidia à assembleia geral da Associação “Terra e Mar”, de Almada. Residia, então, na Quinta da Regaleira, Cova da Piedade.

Participou no movimento de 18 de Janeiro de 1934, em Almada, tendo promovido a greve na fábrica Parry & Son.

Preso em 30 de Janeiro de 1934, acusado de posse de explosivos e bombas, que não chegou a utilizar, foi condenado pelo Tribunal Militar Especial a 12 anos de degredo e multa de 20.000$00.

Enviado, em 8 de Setembro de 1934, para a fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo.

Seguiu para o Tarrafal em 23 de Outubro de 1936, vindo a falecer em 20 de Setembro de 1937, de biliosa, sem qualquer assistência médica ou farmacêutica (1).

Segundo Acácio Tomás de Aquino (2), Pedro de Matos Filipe, que “era um dos rapazes mais fortes do Acampamento”, quando morreu “estava reduzido a pele e osso”. No último encontro com o amigo, este disse que estava “com uma diarreia de sangue há bastante tempo, e o médico nada me fez até à data!” [O Segredo das Prisões Atlânticas, A Regra do Jogo, 1978, p. 94].

O seu nome está assinalado numa rua da Cova da Piedade, Almada.

Notas:

(1) No mesmo dia, também morreu o marinheiro Francisco José Pereira, de 28 anos. Foram as duas primeiras vítimas do Campo de Concentração do Tarrafal.

(2) Acácio Tomás de Aquino (1899 — 1998) foi um militante destacado da Confederação Geral do Trabalho, anarco-sindicalista, organizador da greve geral de 18 de Janeiro de 1934 e então condenado a 12 anos de degredo em prisão. Com Pedro de Matos Filipe (e outros antifascistas), seguiu para Angra do Heroísmo a 8 de Setembro, sendo transferidos para o Tarrafal, a 23 de Outubro de 1936. Regressou a Portugal a 10 de Novembro de 1949. Todavia, só alcançou a liberdade total, a 22 de Novembro de 1952.

Biografia de João Esteves com colaboração de Helena Pato

Ficha da Policia / Registo Geral de Presos (RGP)

aqui: https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/posts/1008979245878121/

também aqui:

https://mindelosempre.blogspot.com/2016/07/2270-um-anarquista-o-campo-de-morte-do.html

http://www.estelnegre.org/documents/matos/matos.html

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Placa toponímica na parte mais alta da rua

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Placa toponímica na parte mais baixa da rua

Europeias: a abstenção cada vez conta mais e é um enorme trunfo para os descontentes


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É confrangedor ouvir algumas “análises” sobre a abstenção nas eleições europeias que ontem em Portugal quase chegou aos 70 por cento. A maioria dos analistas continua a considerar que 7 milhões de portugueses não foram votar porque se estão nas tintas, preferiram ir à praia ou que acham que isso da Europa não lhes diz respeito ou porque não são “democratas” nem respeitam a “democracia”. São análises duma arrogância a toda a prova, como se só eles, os ditos analistas, soubessem cumprir direitos e deveres e que os restantes 70 por cento se estivessem completamente borrifando para o seu futuro, ou o dos seus filhos, ou para as condições de vida adversas que todos os dias enfrentam.

Curiosamente, é exactamente porque estão atentos e preocupados, que a maioria dos não votantes decidiu não ir às urnas. É claro que as motivações para o não voto são muitas e múltiplas, tal como o são para o voto, mas, em termos gerais, uma abstenção desta ordem significa um profundo descontentamento sobre o sistema politico e social em Portugal, em que abundam os casos de completa fusão entre o mundo da politica, dos partidos e dos negócios, com sucessivos casos de corrupção e gestão fraudulenta a serem conhecidos, mas nunca suficientemente escalpelizados nem as suas consequências tiradas na totalidade.

A ideia que os portugueses em geral têm, e que os levou a absterem-se em massa, é que a classe política é totalmente corrupta, coloca os interesses pessoais e partidários por cima dos interesses colectivos; que os impostos, tão elevados como nos países mais desenvolvidos,  são-lhes sugados sem quaisquer contrapartidas: os serviços públicos estão pelas ruas da amargura; a saúde cada vez é mais só para os ricos; o ensino mediocrizou-se; pagamos a electricidade mais cara da Europa, tal como os combustíveis,  e os portugueses, em geral, cada vez têm menos acesso às contrapartidas públicas, reservadas a uma verdadeira casta que ocupa os lugares de topo da administração pública e privada ou então, apenas, a sectores profissionais com elevada capacidade reivindicativa.

Este sentimento de repulsa generalizado face a uma classe política apenas preocupada com os seus espaços partidários, que mantêm opacos, quais bunkers e casa fortes, onde tudo se joga em torno das redes de poder e de influência entre comparsas, leva a que os abstencionistas portugueses tenham dito, duma forma tão assertiva como a daqueles que foram votar, à sua maneira, que é preciso pôr um termo a tudo isto.

Claro que os partidos e a classe política, os analistas e os académicos, assobiam e passam ao lado. Seja com 20 ou 70 por cento de abstenção têm as suas benesses, regalias  e tachos assegurados. É o que, apesar dos choradinhos à abstenção e à necessidade de mudar as campanhas eleitorais (!) e a comunicação (!) – como se fosse esse o problema –, acontece: assobiam como se não fosse nada com eles, garantido que têm de novo o poder por mais uns pares de anos.

No entanto, a erosão que a falta de uma continuada legitimidade eleitoral vai cavando, o distanciamento cada vez maior entre grande parte da população e os seus “soi-disant” representantes, a falta de vasos comunicantes entre os que militam, se agitam e tratam da coisa pública como se fosse algo apenas seu, para usufruto do seu espaço partidário, e os que se recusam a entrar nesse barco onde se jogam influências, poderes e empregos a troco de favores e alinhamentos espúrios, faz com que os números, cada vez maiores, da abstenção tenham que ter consequências.

Um dessas consequências – embora grande parte do que será o futuro  ainda não seja visível ou compreensível – é que a insatisfação que reina entre a população, e manifestada na abstenção de quase 70 por cento, já não é canalizada pelos partidos políticos, nem pelos seus agendamentos mediáticos. Não é que tenha deixado de existir: procura sim outras formas de se materializar.

Outra consequência, que se anuncia, é o cada vez menor alinhamento entre o discurso partidário e os anseios populares. Distantes uns dos outros, autónomos entre si, o peso dos partidos vai diminuindo progressivamente na sociedade e abrindo janelas de auto-organização e espontaneidade que até agora têm aprisionado as lutas e as movimentações por uma vida diferente.

Para os que diziam que não votar não vale nada, não tem qualquer valor ou sentido político, a realidade demonstra o contrário. Po certo o dado mais saliente destas eleições, e que  é preciso reter, é, de facto, o da abstenção, e não o da pequena subida ou descida, deste ou daquele partido, num sistema de vasos comunicantes, onde cada vez circula menos energia, imaginação e criatividade.

(Última Barricada) Ainda os 100 anos de ‘A Batalha’


[Evento Histórico – Centenário 🎂]
No dia 23 de fevereiro celebramos o centenário da publicação do primeiro número do jornal A Batalha  órgão da União Operária Nacional (UON) 🤝 e, posteriormente, órgão da Confederação Geral do Trabalho.

Um marco na história da classe trabalhadora portuguesa que não deve ser esquecido.

Longa vida a quem luta! 🚩🏴🚩🏴

Fontes:
Jacinto, Batista, “Surgindo Vem ao Longe a Nova Aurora”, 1977.
Pereira, Joana Dias, “Sindicalismo Revolucionário: A história de uma idéa”, 2009.
Sousa, Manuel Joaquim, “Últimos Tempos de Acção Sindical Livre e do Anarquismo Militante”, 1989.
Arquivo Municipal de Lisboa
Projecto MOSCA

Música:
Carlos Paredes – “Danças portuguesas nº 2”.

Autor: Colectivo Última Barricada

Hino de ” A Batalha”

Se estiverem interessados em ouvir o hino deste jornal, o camarada JG tratou de reescrever a música para formato digital (in Última Barricada)

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https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2018/01/22/recordando-o-hino-revolucionario-de-a-batalha/comment-page-1/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2019/02/22/a-batalha-100-anos-de-luta-por-um-mundo-novo-sem-explorados-nem-exploradores-sem-oprimidos-nem-opressores/#more-22902

Video sobre A Batalha e o anarcosindicalismo em Portugal (1886-1975):

https://archive.org/details/MemriaSubversivaAnarquismoESindicalismoEmPortugal1886-1975