anticlerical

Posição da administração republicana sobre Fátima: “A reacção vai triunfando, hipocritamente, e a Liberdade perde terreno, fazendo-lhe concessões”


povo

(Extraído do livro do anarquista anti-clerical Tomás da Fonseca, Fátima: Cartas ao Patriarca de Lisboa, Rio de Janeiro, Editorial Germinal, 1955, pp.365-377.)

Relatório do Administrador do Concelho de Ourém

Ex.mo Sr. Governador Civil do Distrito de Santarém

Encarregado por V. Ex.ª de elaborar com a máxima urgência, um relatório circunstanciado sobre a peregrinação de Fátima e seus antecedentes, “se os promotores estão ao abrigo das leis, motivo porque não se proibiu a peregrinação, em face das ordens transmitidas, e qual a corporação encarregada do culto”, vou desempenhar-me dessa missão, embora não possa, como era meu desejo, apresentar um trabalho completo, pois que assunto de tal magnitude levam muito tempo a tratar e faltam diversos elementos que é difícil, neste momento conseguir, tanto mais que o chamado milagre de Fátima tem  ramificação em muitos concelhos, onde principalmente impera o espírito fanático e reaccionário, sobretudo em Leiria. Esforçar-me-ei, contudo por corresponder, com honestidade e zelo, à prova de confiança que me é dada por V. Ex.ª.

(mais…)

(Évora) Ciclo de filmes de Luis Buñuel prossegue na Casa da Zorra


via lactea

Depois de  “O charme discreto da burguesia”, na quinta-feira passada, hoje é tempo para ver ou rever “Via Láctea”, uma crítica radical ao fanatismo religioso.

Com: Paul Frankeur, Laurent Terzieff. Na França do século XX, dois peregrinos tomam o caminho da “via láctea” – aquele que leva até Santiago de Compostela. Durante o percurso eles encontrarão personagens que ilustram as principais heresias da religião cristã. Para fazer o filme, Buñuel baseou-se em documentos autênticos e em obras como o Dicionário das heresias. O Resultado é uma incursão pelo fanatismo.

https://www.facebook.com/events/751744644858103/

(FEMEN) Acção contra o Arcebispo de Madrid descrita pelas próprias activistas


femen1

“A golpes de crucifixo querem impor a sua moral cristã sobre os nossos úteros”

Hoje FEMEN Espanha surpreendeu o Arcebispo de Madrid, Antonio (Toño para os amigos) Mª Rouco Varela, presidente da Conferência Episcopal, na Paróquia dos santos Justo e Pastor. Cinco sextremistas abordaram o Arcebispo aos gritos de “TOÑO, FORA DA MINHA CONA” (“TOÑO, FUERA DE MI COÑO”), deixando claro que a Igreja não pode ter relações com a política estatal. Nos seus peitos nus podia-se ler “STOP MAFIA EPISCOPAL”, “ABORTO É SAGRADO”, “TOÑO, FORA DA MINHA CONA”.

Rouco foi também alvo de uma chuva de cuecas ensanguentadas com o sangue dos nossos abortos clandestinos que o fizeram viver uma experiência religiosa. (O sangue com que a roupa interior estava empapada era sangue menstrual real).

Toño, como bom amigo de Gallardón, decidiu que é hora de fazer regressar as mulheres à idade média, por isso ele é um dos mais fortes apoios do ministro no momento da reforma da lei do aborto.

Para Varela, o aborto é um crime, qualquer feto tem o direito a nascer por cima do direito das mulheres de decidirem sobre o seu corpo e a sua vida. Os seus discursos acentuam que as feministas e os homossexuais são doentes mentais que procuram destruir a familia tradicional cristã, uma horda de infiéis que é preciso combater. A golpes de crucifixo quer impor a sua moral cristã sobre os nossos úteros. A sua mafia episcopal conseguiu chegar ao poder político através de figuras como Gallardon. Fernandéz Díaz e Ana Mato.

O pacto de Gallardón com a mafia episcopal visa restaurar a Inquisição em Espanha, em que as mulheres sejam consideradas herejes por abortarem ou por se atreverem a fazer uso dos seus diretitos conquistados ao longo de anos de luta. Querem regressar ao obscurantismo em que as abortistas se vistam de espantalho e sejam conduzidas à fogueira em autos de Fé.

FEMEN exige a total separação entre o Estado e a Igreja e que a reforma da lei do aborto proposta por Gallardón e pelo PP seja suspensa e eliminada imediatamente. De contrário a nossa guerra desnudada continuará e todo aquele que atente contra o direito sagrado ao aborto sofrerá a ira do sextremismo!

aqui: https://www.facebook.com/FemenSpain

(cinema) Luís Buñuel morreu há 30 anos deixando uma obra subversiva e revolucionária de cariz libertário


Capturar

Retrato de Luis Buñuel por Salvador Dali

Assinalam-se hoje 30 anos sobre a morte de Luis Buñuel, o grande cineasta e realizador espanhol.

Revolucionário, Buñuel bebeu nas raízes surrealistas e libertárias do imaginário castelhano, produzindo obras de clara ruptura e confronto com o mundo burguês, clerical e autoritário que vingou em grande parte do sul da Europa e de que “O Cão Andaluz” ou “Viridiana” são apenas dois exemplos.

Um artigo publicado por ocasião do centenário do seu nascimento, a pretexto duma  mostra da sua cinematografia realizada no Brasil, dá conta da “alma anarquista” de Luis Buñuel. (aqui)

A ler também: um artigo do realizador Carlos Saura hoje no El Pais.

Escreve Carlos Saura, citando Luís Buñuel:  “Os católicos inventaram a confissão para poderem controlar o último reduto da nossa liberdade: a imaginação; tive maus pensamentos, confessava, quando era criança, atormentado pelas chamas do inferno”. “Que pensamentos eram esses, filho”, perguntava-me o padre. “Mulheres nuas, o sexo, masturbava-me”…

Capturar

“Viridiana” – A “Ceia dos Pobres”

ver o vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=3lLsZATANAQ

Documentário realizado em Barcelona nos primeiros dias da revolução (19-24 de Julho de 1936). Legendas em português


Este documentário é considerado como o primeiro rodado durante a Revolução Espanhola. As filmagens decorreram nas ruas de Barcelona entre o dia 19 e o 24 de julho de 1936 e sua produção esteve a cargo da recém criada “Oficina de Información y Propaganda” da CNT.

aqui: http://bibliotecaterralivre.noblogs.org/post/2013/05/15/reportagem-do-movimento-revolucionario-em-barcelona/

Papa Francisco, amigo de Videla: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és


papa2

Novo papa é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina. Cardeal se orgulha de amizade com um dos comandantes da Junta Militar que em sete anos deixou 30 mil mortos, e foi chamado a depor em vários processos.

Anunciado hoje (13) como novo papa em uma votação tida como surpreendente, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio é investigado dentro de seu país pela colaboração com a ditadura. Nos dois processos mais famosos, responde pela ajuda que teria dado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas e à apropriação de bebês, prática comum do último regime militar (1976-83).

A participação de Bergoglio no governo responsável pela morte de 30 mil pessoas é antiga e famosa, mas os sinais mais claros surgiram ao longo da última década, quando, após a derrubada de leis que protegiam os repressores do passado, foi possível dar início a julgamentos. O próprio cardeal se orgulhava das boas relações com o comandante da Marinha Emilio Massera, integrante da primeira Junta Militar e responsável, em 1955, por derrubar Juan Perón durante a autodenominada Revolução Gloriosa – um golpe de Estado, na realidade.

Foi na Marinha que se formou o principal campo de concentração do regime iniciado em 1976. A Escola de Mecânica (Esma, na sigla em castelhano) recebeu 5 mil prisioneiros, e menos de 200 deles saíram com vida. A causa Esma é uma das principais iniciadas nos últimos anos, e tem resultado em desdobramentos que alcançaram Bergoglio.

Em 2010, juízes do Tribunal Oral Federal número 5 foram até a sede do arcebispado de Buenos Aires tomar o depoimento do cardeal, acusado de trabalhar pelo sequestro e pela tortura de dois jesuítas em 1976. Naquele momento, Bergoglio comandava a Companhia de Jesus em San Miguel, e uma série de testemunhos o conectam ao crime.

Francisco Jalics e Orlando Yorio, as próprias vítimas do sequestro, acusam Bergoglio de havê-los denunciado. Em 2011, o jornalista Horacio Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que corrobora a suspeita. Naquele momento, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de seu passaporte. O informe da chancelaria aponta que Bergoglio informou que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.

Em 2010, o médico Lorenzo Riquelme, então com 58 anos, declarou que o grupo que o sequestrou e torturou saiu da sede da Companhia de Jesus. Militante da Juventude Peronista e do movimento cristão, Riquelme deu a declaração com base no que foi dito a sua mulher, também raptada. Ela trabalhava no Observatório de Física Cósmica de San Miguel, que passou de um reduto peronista a um lugar de atuação de homens infiltrados da Marinha e sob controle de Bergoglio.

Mom Debussy, um jesuíta que tinha a confiança de Bergoglio, afirmou que algumas vezes o cardeal lhe contou sobre os projetos de Massera, sempre demonstrando simpatia pelo regime, e que pretendia vender à Marinha o Observatório de Física. Debussy disse ainda que os trabalhadores do Observatório eram demitidos pelo religioso depois de voltar das sessões de tortura.

Outro documento oficial, datado de 1976, narra o que o líder religioso defendeu a comandantes militares. Advogou esclarecer a posição da Igreja Católica, de suporte ao regime, afirmando que “de nenhuma maneira pretendemos formular uma posição de crítica ao governo”, dado que um fracasso “levaria, com muita probabilidade, ao marxismo”.

Em 2011, veio à tona a possível participação de Bergoglio em um caso de sequestro de bebês, uma prática adotada pelo regime, que executou várias mulheres grávidas ou com filhos pequenos. O Tribunal Oral Federal número 6 convocou o cardeal a depor no processo de Estela de la Cuadra, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio. Segundo Estela, o agora papa tem relevantes informações sobre o desaparecimento de sua sobrinha, Ana, roubada dos braços da mãe em uma delegacia de La Plata, cidade vizinha a Buenos Aires.

No mesmo ano, a Justiça francesa determinou que o Judiciário argentino tomasse o depoimento de Bergoglio pela suspeita de participação no desaparecimento de um padre francês que morou na Companhia de Jesus. O testemunho de uma monja em 1984 já indicava a relação do então chefe da congregação com o sequestro que resultou nas mortes de Gabriel Longueville e do sacerdote Carlos de Dios Murias.

fonte: http://www.anarquista.net/novo-papa-e-associado-a-sequestros-de-jesuitas-e-bebe-durante-ditadura-argentina

ImagemFoto do novo Papa Francisco I ao lado do ditador argentino Videla.

“Missionários do Erro e da Mentira” – um opúsculo anticlerical editado pela Federação Anarquista da Região Sul (anos 20) e divulgado pela revista Alambique


Imagem

Capturar 5

Capturar1

Capturar2

Núncios, bispos, cardeais, cónegos, monsenhores,

— Truculenta manada obesa de hipopótamos —

Virgem mãe dos heróis, ó Liberdade! enxóta-mos,

E fazemos transpôr, a grunhir, sem demoras,

As fronteiras do globo em vinte e quatro horas! 

GUERRA JUNQUEIRO

Eis um homem que passa de olhos no chão ou de olhar fito vagamente no espaço, sem se fixar nos outros homens  a não ser quando estes o não podem ver.

Para ainda mais acentuar o carácter dúplice e indeciso da sua individualidade, este homem é aparentemente uma mulher pois que veste saias, não usa barba, tem a pele setinosa como as damas e o andar participa um tanto ou quanto do ondulado mulheril…

A cor do traje reflete também o carácter deste vivente ou o da sua missão nas sociedades que o criaram: ou é negra como a treva da ignorância que ele espalha e propaga, sombria como o crime que encarna; ou é vermelha como os apetites sanguinários da sua natureza, cor simbólica da impetuosidade e veemência das suas paixões; ou é roxa como a hipócrita penitência da sua vida, roxa como a violeta cuja modéstia quer imitar e que na vida deste homem só serve para ocultar a traição pronta a ferir o adversário desprevenido.

Vede o seu todo: aquela adiposidade dá a conhecer a madraçaria, apanágio do seu viver. Aqueles lábios grossos são indício da sua sensualidade. Aquele olhar infixo, miado encoberto, voltado sob os cílios, denota a dissimulação do seu pensar; aquele vago retraimento do seu corpo, que parece sempre prestes a fugir, descobre a cobardia da sua alma.

Misto de camaleão, porco, raposa e hiena. As suas falas são untuosas, melífluas. As suas maneiras insinuantes, muitas vezes pegajosas, permitam-me a expressão.

Dir-se-ia que em certas ocasiões de toda a sua natureza golfa a baba, escorre um pus oleoso que lhe facilita o escorregar-se por entre aqueles que, enojando-se com o seu contacto, não obstante pretendem apanhá-lo para o aniquilar sentindo com pesar que em virtude da oleosidade de todo o seu ser, se lhes escapa.

E contudo, eis que em consequência dessas secreções repugnantes, conseguiu como a lesma agarrar-se a esta ou aquela sociedade ou deslizar sem que o pressintam. Este homem, que sem ser hermafrodita é, por assim dizer, meio homem meio mulher, castrado e sátiro, sodomita e femeeiro, asceta e libidinoso, ente inqualificável que afinal, em última análise, nem é homem nem mulher, pois que ambas estas entidades nega, acervo híbrido de todas as incongruências sociais que censura e aproveita, este homem, dizia eu, é o padre!

Não nos iludamos.

Por mais belas que sejam as imagens que Victor Hugo fez deste produto não há padres bons. Todos eles são perigosos; são missionários do erro, da mentira.

E, embora o grande poeta nos pintasse com mãos de mestre um exemplar virtuoso entre os que mais o poderiam ser, a verdade e que, quanto mais virtuosos os padres são, isto é, quanto mais ricos daquela virtude de convenção social religiosa, tanto mais nocivos, pois mais iludem e arrastam a humanidade à servidão, à inconsciência e inciência, à abjeção da vida, à impassibilidade sofredora de todas as explorações. Que nos importa que um padre seja virtuoso se ele, ministro de uma religião de mentira, é obrigado, como tal, a manter a sociedade no desconhecimento do que a cerca, na subserviência ao desconhecimento, na sujeição aos que a governam e exploram, no terror do que não compreende nem convém ao padre que lhe expliquem?

O padre vem, cheio de fé ou inconvicto dizer-nos, por exemplo, que tem o poder de nos perdoar os agravos, ofensas, pecados que tenhamos cometido – não contra ele mas em prejuízo de outrem; que tem o dom de ler as nossas consciências; que só ele poder intermediário entre nós e Deus; que só ele nos pode encaminhar para o Ceu; que só ele poderá convencer o velho chaveiro Pedro a abrir-nos as portas do Paraíso.

Este homem dizendo tudo isto mente: tanto basta para que seja perigoso e daninho;para perpetuar um estado de coisasque é fonte de todos os sofrimentos dahumanidade em benefício de uma ou váriascastas açambarcadoras do produto do trabalhodos crentes e supersticiosos miseráveis.

Como pode um padre, tenha ele a alma de um justo (?) acreditar que possui a faculdade de remir as ofensas, erros, crimes dos outros homens, ele que é tão susceptível de pecar como qualquer mortal?

E poderá garantir que em certo modo ele os seus colegas não tenham concorrido para a existência do crime que vão julgar? Um homem que prevarica porque ignora, porque foi embrutecido por ideias falsas, desviado da verdade por mistificações religiosas, alucinado nos seus vícios por uma educação jesuítica, não pratica um crime contra as leis da convenção social, ou contra as leis inidilúveis da natureza senão porque a isso foi levado pela influência do meio que o cerca, na elaboração do qual foi agente ou factor, entre outros, o padre.

Portanto esse padre quando lança aabsolvição sobre os delinquentes ou oscondena a uma penitência, mente aos homense a si mesmo.

Se tem a noção dessa mentira, é um impostor, um burlão. Se não tem, é idiota.

Em ambos os casos é um mal pela perniciosa influência que o seu proceder vai operar nas massas ignaras.

Não há religião que, analisada friamente pelo espírito amante da verdade, se não revele um tecido de necedades e torpezas com um recheio de moral que a própria religião é a primeira a tornar ineficaz por motivo das suas contradições.

Como pode pois um homem ministrar semelhante cúmulo de despautérios e imoralidades com a convicção de que faz obra meritória a não ser esse homem um imbecil?

Forçosamente é tolo e se não é, teremos de concluir que é velhaco e mistificador!

Não vos deixeis pois iludir, ó povos, por esses tartufos de saias, insexuadas que negam a virilidade humana, santificam o ódio ao sol brilhante e vivificador da natureza; glorificam noite do espírito, a humanidade servil, a renúncia à vida, a aversão à família que eles por condição abjecta nunca poderão compreender.

O padre é a entidade mais prejudicial que a fatalidade das coisas criou. Ele é o consagrador da torpeza social que nos esmaga!

Urge pois extirpar firmemente, rapidamente, implacavelmente, sem contemplações algumas, este maldito cancro.

JOSÉ CARLOS DE SOUSA

(publicado  na página  web da revista  Alambique –http://revistaalambique.wordpress.com/2012/12/27/missionarios-do-erro-e-da-mentira/

Reprodução de brochura editada  nos anos 20 pela Federação Anarquista da Região Sul, com sede em Cercal do Alentejo e reproduzida em facsimile aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/components/com_library/texts/41_BNP_AHS548.pdf )