apoio mútuo

(solidariedade anarquista) Caravana de apoio aos projectos autogeridos na Grécia chega a Atenas


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Chegada a Atenas da coluna de carrinhas com apoio solidário do movimento libertário internacional aos projectos autogeridos. Fica o testemunho emocionado de Eloise Lebourg, uma das participantes nesta caravana de 26 carrinhas desde França, Suíça, Espanha e Bélgica, no momento da chegada a Exarchia, o bairro anarquista de Atenas:

“É um dos momentos inesquecíveis da nossa existência… aquilo que acabamos de viver permanecerá como um dos mais emocionantes da minha vida… Nós (os 62 transportadores solidários) chegámos ao destino… Depois de voltas à praça a agitar as nossas bandeiras, encontrámos pessoas extraordinárias! Eu chorava através da minha câmara… os camaradas também … há alguns dias não nos conhecíamos mas, eis que acabamos de viver um momento de solidariedade e fraternidade tão intenso que acabávamos nos braços uns dos outros….

Este momento fará perdurar em todos nós a esperança que temos na humanidade… nós os utópicos, os anarquistas, os insubmissos, os zadistas, os okupas… juntos, vamos conseguir.

As crianças são impressionantes, têm já imensos amigos… e pouco importa a língua, pouco importa o percurso… eles já se apoiam e partilham os jogos…

Hoje nós choramos de alegria e recuperámos todas as nossas forças…

Venceremos… disso não há qualquer dúvida…”

Por uma Rede de Solidariedade Popular: a miséria ainda mata na zona histórica do Porto.


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Já são vários os casos de morte de pessoas sem-abrigo na área do Porto. À fome, à miséria, alia-se a morte. Para evitar que mais casos aconteçam, a Associação Terra Viva lança um apelo para a constituição de uma Rede de Solidariedade Popular, que através do voluntariado e do apoio-mútuo possam ajudar todos os que necessitam. Fica o apelo às gentes do Porto e de todo o país. Para vencer a miséria e encontrar perspectivas revolucionárias de transformação da vida e do mundo – o apoio-mútuo e a solidariedade são essenciais.
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O caso do “Toni”
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Janeiro de 2017 Antero Pina, conhecido como “Toni”, cabo-verdiano de 71 anos, ex-mineiro no Pejão e na Panasqueira, sem-abrigo (a não ser precário), andava desaparecido. desde o princípio do ano, dos locais habituais onde parava. Albergado temporariamente numa dependência da Terra Viva (associação de ecologia social ) na rua da Vitória, de que tinha a chave e onde tinha uma cama, roupa e um pequeno fogão camping-gás, esperava agora que alguns problemas se resolvessem, nomeadamente o seu possível acesso a uma pensão de reforma (já que tinha trabalhado em Portugal desde 1973 ) e a possível instalação num quarto de uma pensão na proximidade – já que o seu estado de saúde já não lhe permitia grandes caminhadas. Ultimamente só conseguia andar com a ajuda de uma “canadiana”.
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Quando no início de janeiro tentámos falar com ele na Terra Viva, já que tínhamos recebido a informação da técnica da instituição que também o apoiava (SAOM) de que finalmente tinham conseguido arranjar-lhe um quarto numa pensão, percebemos que já há alguns dias não dormia no sítio habitual e resolvemos lançar um apelo num folheto (em cima) que distribuímos para que nos pudessem informar do seu paradeiro. Também contactámos na altura as urgências dos hospitais do Porto mas não havia registada qualquer entrada em seu nome.
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Tínhamos conseguido obter-lhe o passaporte no Consulado de Cabo-Verde no Porto, tínhamos guardado o original para que não o perdesse e tínhamos-lhe passado uma fotocópia do mesmo, além de termos contactado com Cabo-Verde para que lhe enviassem um atestado de registo criminal ( o que conseguimos) sem o qual ele não poderia ter acesso aqui a medidas de apoio social a que teria direito.
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Depois de várias tentativas para o encontrar, finalmente veio a má notícia: o Antero fora entretanto encontrado caído na rua, desacordado, ferido na cabeça, e levado para a urgência do Hospital de Santo António, faleceria alguns dias depois… Como não tinha consigo na altura qualquer identificação, não nos deram qualquer informação quando lá a tentámos obter…
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Inicialmente abrigado num edifício vazio na Rua dos Caldeireiros de onde acabaria por ser despejado pelo proprietário, o Antero durante dois anos andou a deambular por aí, chegando a ter sido albergado numa pensão na Rua 31 de Janeiro – de onde foi mandado embora por ter tentado cozinhar no quarto – e não chegou a ir para a pensão do Carregal (que tinha sido contactada por nós e pelo SAOM ) porque lá “não admitiam a entrada a pretos”(…!) facto que denunciámos publicamente na altura. Neste caso a MISÉRIA teve também os nomes de RACISMO a somar ao da usual BUROCRACIA institucional…
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18 de Março 2016: O caso do Manuel Coelho
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O Manuel Coelho, antigo mineiro nas lousas em Valongo, um dos cerca de 40 “sem-abrigo” que em 2010 tinham ocupado o então abandonado e semi- arruinado “Mercado do Anjo” (onde é agora o centro comercial dos Clérigos) tinha regressado há pouco de Espanha por onde tinha tentado arranjar algum trabalho. Não o tendo conseguido, voltou ao Porto e em meados de Janeiro de 2016 abrigou-se inicialmente com outros amigos numa antiga “ilha” da Rua dos Caldeireiros, de onde acabou por sair para uma casa abandonada perto do jardim da Cordoaria. Uma noite de Março, ao passar pela garagem do centro comercial dos Clérigos teve uma discussão com um dos seguranças da “Líder” que o atacou violentamente. Em resultado disto foi parar à urgência do Hospital de Santo António onde veio a morrer das pancadas que recebera na cabeça…
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Outros casos anteriores
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De entre os “sem-abrigo” que tinham participado em 2010 na “ocupação” das ruínas do antigo Mercado do Anjo, pelo menos 3 acabaram por morrer na rua (um deles abandonado no que restava daquelas ruínas, antes das obras de renovação do local), já que os apoios sociais a que teoricamente teriam direito nunca chegaram a funcionar verdadeiramente ou a ser-lhes acessíveis. Não deveremos esquecer que grande parte destas pessoas são atingidas por hábitos de alcoolismo e de consumo de drogas- único escape que conseguem à miséria da vida que têm – e que na maioria dos casos, as instituições ditas de “solidariedade social” aqui existentes na zona histórica e central do Porto não têm pessoal profissional suficiente, preparado e à altura de lidar com este tipo de população carenciada – que necessita mais de relações de fraternidade, apoio mútuo e de compreensão do que de “bitaites”e sentenças muito “técnicas” atiradas do alto do cavalo…
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POSSÍVEIS SOLUÇÕES?…
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Para que não mais pessoas morram ao abandono pelas ruas como o “Toni”, o Manuel e tantos outros, a solução não será certamente contar apenas com VOLUNTÁRIOS… Mas TAMBÉM! Há em muitos locais, instituições, associações, grupos informais, entre os vizinhos, pessoas mais sensíveis às dores das restantes, que organizando-se, relacionando-se, como uma REDE LOCAL DE SOLIDARIEDADE POPULAR , poderão ser muito mais eficientes no apoio às demais do que algumas estruturas e organizações cujo principal objetivo parece ser mais mascarar a realidade, esconder a pobreza e servir-se dela do que servir verdadeiramente a causa dos mais pobres e necessitados.
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DAÍ ESTE COMUNICADO TRAZIDO ATÉ VÓS PARA QUE NOS POSSAM CONTACTAR E POSSAMOS EM CONJUNTO LEVAR À PRÁTICA ESTA IDEIA.
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Grupo de Trabalho Solidariedade Social da TERRA VIVA!/Terra Vivente- Associação de Ecologia Social
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Porto, 16 de Janeiro 2017
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Telem.: 961449268 / 938896091
Telef.:223324001

(Equador) Apelo à solidariedade com o Povo Shuar na luta contra a indústria extractivista 


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A carta que publicamos em seguida foi enviada ao meios libertários e alternativos de todo o mundo por uma companheira que vive numa comunidade indígena na selva amazónica equatoriana e em que apela à solidariedade urgente contra o extractivismo que continua a ser a actividade dominante de vários regimes da América Latina, ocupando as terras das comunidades indígenas e reduzindo-as à aculturação e à miséria.  Esta nossa companheira – que prefere não ser identificada devido à possibilidade de represálias – é socióloga, antropóloga e libertária. Em várias ocasiões já serviu de negociadora entre os povos Shuar e Huaurani e o governo equatoriano de Rafael Correa.  Hoje, como sempre, o anarquismo é o grande aliado dos povos indígenas e o movimento libertário internacional a quase única garantia de que a sua voz é ouvida. Partilhamos esta carta, solidarizando-nos com o Povo Shuar e exigindo que a sua identidade e as suas terras sejam integralmente respeitadas e convidamos todos os libertários a somarem a sua voz à nossa na denúncia dos novos (?) regimes latino-americanos cujo programa parece não ser mais do que o extermínio dos povos indígenas que se oponham ao modelo extractivista.

Versão em Castelhano (aqui)

(mais…)

(Lisboa) Solidariedade com Rafael Braga


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Sessão solidária com Rafael Braga na Disgraça (Rua da Penha de França 217B, Lisboa), na quarta-feira, dia 23 de Novembro, pelas 20 horas (jantar+conversa)

Rafael Braga é um jovem negro da periferia do Rio de Janeiro que se encontra desde 20 de junho de 2013 preso no sistema prisional do estado do Rio de janeiro. Ele é o unico preso das manifestações de junho de 2013, acusado de porte de material explosivo.

O destaque desta história é que Rafael nem estava de fato na manifestação: Rafael era um guardador de carro que acabou sendo preso nos arrastões promovidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro durante as manifestações, e o tal do material explosivo que Rafael portava eram produtos de limpeza utilizados para limpar os carros, meio através do qual Rafael sustentava a sua família.

Dentre todos detidos na noite, Rafael foi selecionado e enviado para o Complexo Penitenciário de Japeri para aguardar julgamento. Cinco meses depois, em dezembro de 2013, ele foi condenado a 5 anos e 10 meses de reclusão por porte de material explosivo, mesmo a defesa tendo apresentado laudos inclusive do esquadrão antibombas provando que o material de limpeza que carregava não tinha possibilidade explosiva.

O caso de Rafael acabou por ser um símbolo da desigualdade e da seletividade do sistema penal brasileiro, que mantêm hoje a quarta maior população carcerária do mundo, sendo uma maioria desproporcional de negros oriundos das camadas mais pobres da população, condenados de modo arbitrário por um sistema que oferece tudo menos justiça.

O caso de Rafael teve diversos outros capítulos, sendo o último deles, ao receber o direito de sair no regime semi aberto, o flagrante forjado de Rafael com uma quantidade considerável de drogas (chamado pela imprensa alternativa de kit flagrante) enquanto ia para a padaria comprar pão.

Neste mês de novembro, que no Brasil se lembra o mês da consciência negra, a campanha de Liberdade para Rafael Braga procura impulsionar a divulgação do caso, pois não é um caso isolado, reflete a guerra do governo brasileiro contra os negros e pobres, transvestida de guerra contra as drogas. Para tal, se chama manifestações e atividades beneficentes, para divulgar o caso e levantar fundos para a defesa e auxilio da sua família.

Convidamos todos e todas então para neste dia 23/11 comparecerem ao jantar beneficente + bate papo sobre o caso.

Solidariedade é mais que palavra escrita!
Pela liberdade a Rafael Braga! Nenhuma complacência com o estado racista e policial!

Mais informações sobre o caso, https://libertemrafaelbraga.wordpress.com/about/

Iniciativa: https://www.facebook.com/events/1724295361224682

(apoio mútuo) Rede de Solidariedade começa a funcionar em Lisboa: “rejeitamos qualquer forma de assistencialismo”


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Sob o lema “habitação não é negócio é necessidade” começou a funcionar em Lisboa a ‘Rede de Solidariedade’, uma rede de apoio mútuo para organizar pela base e em defesa da Habitação, Alimentação, Saúde e Educação, de forma Solidária, Gratuita, Independente, Igualitária, quem a isso estiver disposto. A Rede – um projecto a que a Guilhotina.info se associou e ajudou a pensar e idealizar, graças aos contactos e informações que recolheu nos últimos anos sobre diversos movimentos sociais –  tem vindo a realizar reuniões regulares no Grupo Excursionista e Recreativo ‘Os Amigos do Minho’, no Intendente, em Lisboa. A fim de conhecermos melhor esta Rede, muito baseada nos princípios e nos métodos de actuação da Plataforma de Afectados pela Hipoteca (PAH) que actua no Estado Espanhol, entrevistámos um dos seus activistas de primeira hora.

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“A estrutura base da Rede é a Assembleia”

1) Que objectivos se propõe a Rede de Solidariedade? Quais as formas de actuação?

A Rede foca-se nos problemas que afectam a grande maioria da população – problemas ligados à habitação, à saúde, à alimentação, à educação – se bem que de momento nos estamos a focar na habitação, tendo em conta o contexto da explosão dos preços em Lisboa devido ao turismo, o que está a empurrar muita gente para dificuldades, para além de todos os problemas já existentes relativos a crédito à habitação mal-parado. É de momento impossível precisar objectivos mais específicos, uma vez que a Rede é um projecto em construção, apesar de já ter posto de pé algumas modestas iniciativas.

As formas de actuação poderão ser variadas, dependendo do caso e do ponto em que se encontra. Subjacente a todo o processo está a ideia de pressão para encontrar uma solução negociada permanente para os problemas. Pelo que um caso de habitação, por exemplo, poderá começar com uma conversa com o senhorio ou instituição financeira e, conforme progride, assumir formas de acção directa cada vez mais combativas, como a paragem de despejos.

O foco estará sempre em soluções que surjam da força colectiva, evitando ao máximo soluções legalistas ou outras que envolvem ficar enrolados nos milhentos labirintos inventados para fazer as pessoas perder tempo e coragem.

2) Como se organiza a Rede de Solidariedade? Tem uma estrutura fixa? Funciona com assembleias abertas? Como se processa a sua articulação com as diversas lutas nos bairros, escolas, lugares de trabalho e com outros movimentos sociais?

A Rede modela-se muito em modelos de organização de sucesso que identificámos e estudámos noutros locais, tais como a experiência da PAH (Plataforma de Afectados por la Hipoteca). Isto significa que a estrutura base da organização é a assembleia, onde tudo é discutido e as tarefas e responsabilidades distribuídas. Existem fortes restrições em termos de quem pode assumir cargos, para evitar problemas recorrentes de tentativas de tomada de movimentos, assim como em termos de fontes de financiamento e apoio, para evitar a também recorrente tentativa de institucionalização de movimentos de forma a desarmá-los.

Muito importante também é a rejeição do assistencialismo. Espera-se de toda a gente que participe que seja parte activa na solução dos problemas, dos seus e dos outros. Procuramos empoderar os afectados a resolver problemas de forma permanente, e não oferecer pensos rápidos.

De momento a Rede ainda está a construir-se a si própria, pelo que os contactos externos são limitados e feitos via destacados pela assembleia, estando a ser feito esforço para criar laços com outros movimentos e iniciativas que nos parecem interessantes e importantes.

3) A Rede está a organizar-se em Lisboa. Está prevista a organização duma rede deste tipo noutros locais? De que forma? E como se relacionam as diversas estruturas que venham a existir?

Se tudo correr bem, sim, pretendemos que a Rede se espalhe e crie novos pólos, respeitando os métodos e princípios comuns. Idealmente, algumas pessoas de uma assembleia já estabelecida ajudariam com este processo numa hipotética nova assembleia.

Quanto à relação entre assembleias, ainda estamos a estudar essa questão de modo a tentar precaver eventuais problemas comuns, tal como em todo o restante processo de pensar a Rede.

https://rededesolidariedade.wordpress.com

https://www.facebook.com/redesolida

contacto telefónico: 918 870 996

(Apoio Mútuo) Feliz Ano Novo aos que lutam


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Apoyo Mútuo (*)

“Àquelas que, “afortunadas” por terem um emprego, saem de casa quando ainda não nasceu o sol e regressam quando se pôs, para constatarem ao final do mês que o dinheiro mal dá para pagar a casa, transporte, alimentação.

Àqueles que à falta de opções têm que criar a sua própria empresa, na sua maioria assalariados encobertos para os ricos, crivados de impostos destinados a pagar aos bancos, esmagados com dívidas, e que, ainda para mais, têm que ver como os seus inimigos os dão como exemplo de “empreendedores”, “empresários” ou “inovadores”.

Àqueles que nem sequer têm rendimentos e fazem malabarismos com as suas economias enquanto se debatem entre as escassas opções a que já foram condenados pelo “mercado laboral”: conseguir um trabalho miserável, exilar-se, roubar, ganhar a lotaria…

Àquelas que estudam para se poderem manter à tona no futuro, tentando pagar umas taxas cada vez mais altas.

Àqueles que chegam aqui para ficarem e melhorarem um pouco mais o seu nível de vida, não porque lhes atraia o panorama, mas porque na sua terra a espoliação é ainda maior, e são obrigados a atravessarem o mar e os fossos com lâminas e a vigilância de homens armados comandados por assassinos.

Àquelas que prestam cuidados e que são consideradas como “inactivas”, porque não se concebe como trabalho o facto de apoiarem a sociedade, submetidas à angústia, no melhor dos casos, da dupla jornada de trabalho, vendo como o “Estado do bem-estar” que nunca existiu, tampouco as alcançou.

Àqueles e àquelas que já dominaram o seu medo, o seu cepticismo, a sua angústia e a sua solidão e decidiram mudar o seu país e as suas condições de vida em cooperação com outros, como deve ser, no seu sindicato, na sua associação, no seu centro social, conscientes de que não há salvadores nem milagres, e aí se mantêm na primeira linha.

FELIZ ANO.

(*) Texto difundido pela organização anarquista peninsular “Apoyo Mútuo” por ocasião da recente passagem de ano e dedicado aos que sofrem e não desistem de lutar. Traduzido por Portal Anarquista.

aqui: https://www.facebook.com/ComunidadApoyoMutuo/posts/920419668065164

Kropotkin: “a ajuda mútua representa na evolução um importante elemento de progresso”


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Piotr Kropotkin nasceu a 9 de Dezembro de 1842, faz hoje 173 anos. Cientista, investigador, geógrafo, militante e teórico anarquista, Kropotkin desenvolveu a teoria do apoio mútuo, ou seja, num mundo em que o pensamento darwinista da “luta pela vida” se tinha imposto, o anarquista russo defendeu a existência, em paralelo, de um sentido de cooperação e de ajuda mútua que tornavam a existência possível dentro de cada espécie. Hoje isso é cada vez mais claro. Ainda há dias, António Damásio, um dos maiores cientistas mundiais no estudo do cérebro, defendeu na televisão portuguesa que essa cooperação era a base da vida, desde os organismos mais pequenos, unicelulares ou bacterianos, até aos organismos mais complexos. Também, em Maio passado, quando esteve aqui em Évora, o professor universitário espanhol, anarquista, Carlos Taibo revelou que o “Apoio Mútuo” de Kropotkin era um dos principais livros da sua vida. As novas descobertas científicas e o desenvolvimento das ciências sociais cada vez apontam mais para a relevância da cooperação em termos de desenvolvimento humano e social, daí que a actualidade do livro de Kropotkin se esteja a revelar cada vez mais actual, seja nos meios académicos como nos meios militantes (onde o nome “Apoio Mútuo” acaba de ser dado a um novo movimento libertário, abrangente e transversal, criado recentemente em Espanha).

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